Cultura

Esse é fera!

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos melhores guitarristas do Brasil é de Bauru. Aos 42 anos, Marcos Pópolo foi escolhido pela Revista Guitar Player como um dos representantes da atualidade na história da guitarra do País, durante lançamento do CD “DNA Elétrico”, em setembro deste ano. O álbum traz grandes nomes no instrumento desde a década de 1950. A música “Eleventh Dimension”, que faz parte do novo disco de Pópolo (leia nesta página), foi a composição escolhida para o projeto. 

 

Produzido pelo músico Flavio Gutok e oficialmente distribuído na Expo Music Brazil no estande da Revista, “DNA Elétrico” conta com a participação de feras na guitarra como Mozart Mello (professor de Pópolo durante cinco anos), Edu Ardanuy (Dr. Sin), Kiko Loureiro (Angra), Heraldo do Monte, Armandinho, Robertinho do Recife, Faiska, André Cristovan, entre outros. 

 

“Quando eu penso nisso, vejo como consequência de tantos anos de dedicação. Sempre estive tão focado, que acaba sendo natural colher alguns frutos. E foi uma indicação muito legal porque o produtor separou alguns guitarristas que tiveram trajetória marcante no Brasil em determinadas épocas”, orgulha-se Pópolo, que foi escolhido como representante da década de 2010, fechando o ranking. 

 

Sobre o status de compositor e guitarrista renomado, o músico atribui ao seu esforço e também aos fãs. “Meu sucesso está nas pessoas que gostam de músicas instrumentais como eu. É gratificante e até surpreendente por um lado, mas por outro não, porque foram anos de trabalho sério. Enquanto muita gente abandonou o barco, estou aqui na estrada até hoje”, frisou. 

 

Ao mesmo tempo em que se sente feliz com a atribuição de melhor guitarrista da atualidade, Pópolo reconhece que existem muitos músicos bons no mercado. “Acho legal ter esse reconhecimento, mas sei que, assim como eu, há vários guitarristas que mereciam ser reconhecidos”, pontua.

 

Reconhecimento

 

Além de ser indicado como melhor guitarrista do Brasil na atualidade, Pópolo escreve há três anos para a revista Guitar Player, emplacando as principais matérias, que vão desde transcrições de músicas inteiras e lições sobre artistas e bandas até lições de suas próprias composições. “Na edição do mês que vem, vou assinar minha quarta capa e será veiculada uma entrevista comigo”, orgulha-se o músico. 

 

Novo CD

 

Em fevereiro deste ano, Marcos Pópolo lançou o álbum instrumental  “Let Yourself Go”, que, desde então, vem sendo aclamado pela crítica especializada como um dos grandes lançamentos do ano. ”Vamos começar a tocar efetivamente nesse ano”, adiantou o músico.  Foram dois anos para conclusão do álbum, que contou com a participação de Erick Sartorelli na bateria e Edinho Oliveira no contrabaixo (ambos tocam na banda Cavalo Morto). “O disco vai na contramão de algumas coisas. Foi gravado sem interfaces (quando usa-se simuladores na música), com uso de amplificadores microfonados, pedais, e sem teclado. É um som real e a harmonia toda é feita na guitarra”, explicou.

 

Bauruense de coração

 

O músico, nascido em São Paulo, fez sua história em Bauru, onde mora com a esposa Lena Lopes e os filhos gêmeos Agatha e Nicolas, de 9 anos. A paixão pela música, herdada do pai José Roberto Pópolo - que foi um chef muito querido na cidade, cuja especialidade era a cozinha italiana -, começou cedo. “Desde criança convivo com música. Com cinco anos, minha mãe teve de fazer um bolo no formato de violão em meu aniversário”, lembra-se. No entanto, tudo começou aos 14 anos, quando ele ganhou a primeira guitarra – uma Innsbruck, fabricada na época em Bauru. “Fui influenciado por grupos da década de 1970, principalmente Deep Purple e o grupo brasileiro 14 Bis. Comecei tocando em bandas covers e depois parti para as composições próprias”, conta Pópolo, que integrou por muito tempo a banda “Cavalo Morto”, que até hoje arrasta grande público aos shows que faz tanto em Bauru e região. Pópolo se mostra um bauruense de coração. “Acho que sou o forasteiro que mais gosta da cidade. Meus amigos estão aqui, comecei a tocar aqui. Meu interesse pelo rock surgiu aqui e fiz escola de música que é referência no Brasil todo”, orgulha-se.

 

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