Cultura

Memória histórica do negro no Brasil

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das raças mais fortes e presentes na cultura e no sangue brasileiro é a negra. Há 126 anos, eles vinham da África e acabavam aqui, escravos. Mas aqui também foram libertados e, mesmo de passado mais de um século, lutam pelo fim do preconceito. Essa é a história que traz o enredo do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Azulão do Morro. A sua apresentação no Sambódromo será no dia 16 à 1h30.

O enredo “As revoltas conquistaram a abolição. As revoltas conquistarão a emancipação” foi criado pelo vereador Roque Ferreira. Do Quilombo dos Palmares, à capoeira, o samba-enredo traz a memória histórica do negro no Brasil por 560 passistas e três carros alegóricos. “Contaremos toda a história, vamos relembrar as personalidades que marcaram a história. O primeiro carro alegórico vem com o Quilombo dos Palmares, o segundo falará da Lei Áurea. Também teremos membros da Comunidade Negra de Bauru representando a ‘negrada’ de Bauru. Será um desfile muito lindo, cheio de surpresas!”, exclamou o presidente Valdemir Antônio Cavalheiro.

A escola também quem ressaltar o preconceito velado, principalmente com o jovem negro. “Hoje as pessoas falam que o preconceito acabou, mas ainda é muito presente, principalmente com os jovens”, acrescentou Valdemir.

Oficial

A escola Azulão do Morro é um braço da antiga Império da Vila Nova Esperança, que hoje não existe mais. Desde antes de ter essa formação de hoje, Aparecida Brito Caleda, 54 anos, mais conhecida como “Cidinha”, já era porta-bandeira, cargo que nunca deixou.

“Eu fui para o Rio de Janeiro e queria saber como a porta-bandeira e as baianas rodavam daquele jeito. Eu ficava lá, quase deitada no chão da arquibancada para conseguir enxergar embaixo dos vestidos. Foi assim que eu aprendi. Também desenvolvi a minha própria técnica. Rodo até um certo limite, depois volto, danço um pouco, giro para o outro lado”, contou aos risos a porta-bandeira oficial da agremiação.  Além da participação, Cidinha vai além, transformando sua casa em um verdadeiro barracão para a confecção de fantasias e peças dos carros alegóricos. “Eu faço de tudo um pouco, costuro, faço compras”, completou a passista, que este ano virá de guerreira africana.

 

Bateria

Diferente das outras agremiações, quando olhamos para a bateria da Azulão do Morro não vemos adultos, mas muitas crianças.

Isso porque elas são fruto do projeto Sementes do Azulão, que acontece todos os sábados, das 14h às 16h.

“Esses meninos estão aqui graças ao nosso projeto. Lá ensinamos sobre a escola, bateria. É uma atividade para crianças e jovens que tira eles das ruas e traz para a nossa comunidade”, disse Cidinha com orgulho.

Aceituno Jr.

A pequena Sabrina Rocha samba à frente da bateria-mirim

 

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