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Educação pública no ensino básico requer mais qualidade

Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 2 min

Sabemos dos desafios que um país continental como Brasil, destinado pela sua pujança territorial, a ser uma nação próspera, da dificuldade de viabilizar seu desenvolvimento pleno, que só pode ser concretizado com investimentos em Educação. Este investimento não significa apenas construção de prédios escolares, mas principalmente valorização do capital humano, na formação e capacitação de professores e demais profissionais da Educação. Mesmo com todos os esforços nesse sentido, não vemos muito progresso em termos de ganhos no aprendizado. O Brasil ainda continua aquém de suas possibilidades, e no campo da educação pública, especialmente no ensino básico (pré-escola, fundamental e médio) não tem conseguido alcançar os índices de qualidade desejados. É preciso, portanto, identificar quais são as razões disso, para que possamos direcionar melhor os recursos e ações.

O fato é que o ensino público básico brasileiro foi bem melhor há quarenta, cinquenta anos. E hoje constatamos as debilidades existentes no setor. Há vários fatores para isso, por exemplo, o próprio gigantismo da rede de ensino, que demanda enormes investimentos em infra-estrutura, mas há também o problema da questão ideológica, que desprestigiou o ensino dos clássicos, priorizando apenas o tecnicismo. Isso também de alguma forma empobreceu a capacidade crítica, de reflexão e de pensamento dos alunos. É definitivamente verdadeiro que sem muito investimento financeiro não haverá qualidade da Educação. Sem condições boas de trabalho para professores e funcionários, mormente salários competitivos em relação a outras atividades do mercado, não há como tornar a educação básica brasileira uma referência mundial de qualidade.

Recentemente o Congresso aprovou o Plano Nacional de Educação, e uma das propostas mais defendidas foi a de destinar-lhe 10% do PIB. Mas o problema não é só este, é preciso também desideologizar o conteúdo do ensino e melhor capacitar nossos professores e profissionais. Tudo isso são desafios que temos pela frente, para suprir as demandas e alcançar os níveis de qualidade que desejamos.

O autor é doutor em Sociologia e especialista em Gestão Universitária

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