Gostaríamos de, através desta carta, apresentar o descaso que o Governo do Estado de São Paulo trata as escolas geridas por ele em nossa cidade. Tenho certeza de que cada leitor deste jornal já ouviu alguma reclamação em relação à falta de vagas, de professores, segurança e até mesmo aprendizagem. É óbvio que problemas como estes não são novidade, mas o que tem se tornado uma nova realidade são os cortes que a Secretária da Educação vem promovendo sem se importar com a formação de seus cidadãos.
O Estado vem criando manobras jurídicas para não cumprir a lei nacional do piso salarial de professores, que este ano teve um acréscimo de 13,1%, fixando um valor nacional de 1.917,78 reais, embora esse valor ainda esteja longe da compatibilidade com outros profissionais com a mesma formação, se trata de uma lei, porém, basta uma simples conversa com professores para ver que existem vários que nunca receberam um salário como este.
Recentemente, foi aprovado pelo senado o PL 4731/12, criada pelo senador Humberto Costa e endossada pela deputada Alice Portugal, que reduz o número de alunos em sala de aula prevendo o limite de 25 alunos da Pré-Escola às séries finais do Ensino Fundamental e 35 no Ensino Médio, a PL tem como finalidade melhorar a qualidade de ensino nas escolas, elevando o nível de aprendizagem, facilitando e melhorando o trabalho do professor, mas como ainda precisa de uma aprovação definitiva da Câmara dos Deputados, convivemos com salas que em muitos casos ultrapassam o número de 40 alunos, e essa realidade tende a aumentar, já que entre os cortes de verbas na educação está o fechamento de salas de aula que acabam superlotando outras.
A ferocidade com que a Secretaria Estadual da Educação tem em cumprir essa meta ultrapassa os limites, não apenas salas estão fechando, mas os períodos noturnos também, ou seja, aquele aluno que trabalha durante o dia para ajudar os pais, ou que depende desse emprego para se sustentar e de repente aquele precisa fazer um curso técnico durante o dia, terá que optar entre se manter e/ou estudar.
Senhores leitores, países como o Japão, Noruega, Canadá e entre outros só se desenvolveram quando colocaram como principal meta a formação de seu povo. Então, pergunto aos senhores: cortando verbas na educação, fechando salas de aula, não valorizando o professor, desempregando tantos outros, tirando a oportunidade de um adolescente compatibilizar seus estudos com uma formação técnica por falta de opção de horário para estudar, é desta forma que iremos desenvolver nossa Cidade, Estado e País?
Sabemos que pouco podem fazer, pois se trata de escolas sob jurisdição do Estado, mas estamos falando de cidadãos bauruenses, crianças e adolescentes de nossa cidade que agonizam com uma péssima educação, que é consequência da imoralidade e falta de sensibilidade que este governo tem com a Educação.
Professor Alexandre Pereira Bastos