Regional

Após 2 anos, crime ocorrido em Ourinhos é esclarecido

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

O assassinato do empresário Marcelo Abuhamad, 49 anos, ocorrido no dia 31 de dezembro de 2012, em Ourinhos (120 quilômetros de Bauru) foi esclarecido na sexta-feira (14) , após pouco mais de dois anos. Marcelo foi morto com um tiro na cabeça em sua residência, quatro meses depois de inaugurar filial de seu restaurante Al Faiati em Bauru.


De acordo com o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) em Ourinhos, João Beffa, o crime foi arquitetado pelo gerente do empreendimento da vítima na época, Joaquim Dias Garcia Neto, 32 anos.  


“Há cerca de oito meses, tivemos informações que Joaquim teria contratado alguém para matar o patrão. Desde então, tentávamos identificar o assassino, para comprovar a suspeita”, explicou Beffa.


A peça-chave para a composição final do “quebra-cabeça” foi a confissão, anteontem, do barman Eduardo Kei Lima Yamaguchi, 28 anos, que trabalhava eventualmente no restaurante (uma espécie de “freelancer”).


“O rapaz contou que, um dia antes do crime, Joaquim perguntou se ele queria matar Marcelo e ofereceu R$ 20 mil para concluir a missão”, relatou o delegado. No entanto, com as investigações adiantadas, a equipe da DIG de Ourinhos já havia realizado a prisão de Joaquim na terça-feira, após trabalho conjunto com a Polícia Civil do município de Bombinhas, em Santa Catarina.


“Ele foi preso em um restaurante de Bombinhas, onde também atuava como gerente. Para não configurar moradia fixa, estava residindo em barraca, em uma área de camping da cidade”, explicou Beffa, que pediu a prisão temporária por 30 dias dos acusados, que permanecem detidos na Cadeia Pública de São Pedro do Turvo.


Premeditado


Segundo o delegado Beffa, o empresário ligou de Bauru para Joaquim no dia do crime, avisando que retornaria a Ourinhos para passar o Réveillon com a família no restaurante. “O gerente já havia dado um revólver calibre 32 e uma faca para o barman. Marcelo chegou ao restaurante e logo saiu para tomar banho em sua casa, que fica a cinco quadras dali. Foi quando o Joaquim pagou um mototáxi para levar Eduardo para a residência da vítima”, explicou o delegado.


Eduardo entrou pelo portão principal e chamou Marcelo da varanda, que o atendeu pela portinhola da porta da sala. “Ele foi surpreendido pelo barman, que efetuou o disparo contra a cabeça da vítima”.


Em seguida, Eduardo correu até um terreno baldio, trocou de roupa e voltou ao restaurante a pé, onde, segundo o delegado, ele e Joaquim trabalharam normalmente como se nada tivesse acontecido. A arma, contudo, não foi encontrada.


Empresário morreu  após abrir restaurante em Bauru


O empresário Marcelo Abuhamad, que morava sozinho, foi encontrado ferido no chão do quarto de sua casa em Ourinhos, pela filha e genro, por volta das 23h45 do dia 31 de dezembro de 2012. Ele chegou a ser levado com vida pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa da cidade, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 4h do dia 1 de janeiro de 2013.


Quatro meses antes de ser assassinado, Marcelo adquiriu o ponto localizado na rua Virgílio Malta, 15-84, Altos da Cidade, em Bauru, onde por vários anos funcionou a cantina Del Pópolo. No endereço, ele inaugurou uma filial do Al Faiati, que já existe em Ourinhos desde 2000.


Clientes do novo restaurante ouvidos pelo JC na época definiram o empresário como uma pessoa alegre, atenciosa e cheia de planos. Um deles, que passou pelo empreendimento, contou que Abuhamad estava otimista com o novo negócio.

Motivação


Mandante do crime, Joaquim Dias Neto começou a trabalhar no restaurante da vítima como ajudante geral quando ainda tinha 17 anos. Com o tempo, foi subindo de cargo, até chegar à gerência. Questionado sobre as motivações que o levaram a arquitetar a morte de Marcelo, ele chegou a alegar que sofria “assedio moral”.


“Disse que Marcelo o levou para o consumo de cocaína e que ele ficou dependente da droga. Criticou também a forma como vinha sendo tratado, contando que o patrão cobrava resultados no trabalho, o humilhando na frente dos clientes”.  Após o homicídio, Joaquim foi até o hospital para certificar-se de que Marcelo não havia sobrevivido. Ele ainda atuou por algum tempo no restaurante, mas mudou-se de Ourinhos após ser demitido.



 

Comentários

Comentários