Polícia

CPJ de Bauru fica 19 horas "fora do ar"

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma sequência de falhas técnicas deixou a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru sem sistema e internet por até 19 horas, entre anteontem e ontem. Durante a “pane”, que teve início às 15h de quinta-feira, não só Bauru, mas todo o Estado ficou com o sistema de Registro de Digital de Ocorrência (RDO) – programa utilizado pela Polícia Civil para confeccionar os boletins de ocorrência (BO) - fora do ar. A Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), que gerencia o sistema, contudo, conseguiu normalizar a rede por volta das 20h.

A normalização dos trabalhos na unidade de Bauru, no entanto, só ocorreu por volta das 10h desta sexta-feira.

Cabeamento telefônico

A coordenação da unidade explica que o atraso maior do serviço em Bauru aconteceu por conta de um problema no cabeamento telefônico externo do prédio da CPJ, que precisou que ser trocado.

O coordenador da CPJ, delegado Luiz Roberto Saúd Bertozzo, afirma, todavia, que nenhum ato de polícia judiciária foi prejudicado pelo problema e que os escrivães teriam sido orientados a utilizarem um programa de processamento de textos para transcrição das ocorrências mais graves, principalmente as registradas pela Polícia Militar (PM).

Paralelo a isso, segundo Bertozzo, uma equipe foi designada para a transcrição dos registros para o RDO, assim que a rede foi estabilizada, na manhã de ontem.

“Não se deixou de fazer nenhum ato de polícia judiciária, tanto que, na noite do dia em que o sistema estava fora do ar, foi feito um flagrante e dois autos de apreensão de adolescentes, por meio do uso desse sistema antigo”, frisa o delegado.

“A partir das 10h de hoje, os atendimentos passaram a ocorrer em tempo real. E quem optou por ir embora ontem voltou hoje”, diz Bertozzo. “Efetuamos uma série de melhorias na CPJ, não temos mais problemas com longas esperas”, completa o coordenador da unidade.

‘Espera’

A quantidade de boletins de ocorrência registrados no período da pane, contudo, não foi informada pela Polícia Civil, que disse apenas que a PM teria registrado ao menos dez ocorrências, por meio das transcrições e de cópias de documentos da PM deixadas com o delegado plantonista. E que, portanto, os policiais militares não tiveram que ficar na unidade esperando o sistema voltar para realizar os respectivos registros.

A informação foi confirmada pelo tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).

“Ao sabermos do problema, um tenente designou o retorno do pessoal das ocorrências que não foram flagrantes ao patrulhamento e deixou as cópias dos registros iniciais feitas por eles com o delegado, para registro posterior”, comenta o comandante Kitazume.

O último BO registrado pela PM teria sido transcrito por volta das 16h30 desta sexta-feira, conforme a reportagem apurou.


Há 23 dias

No dia 27 de janeiro deste ano, outro problema. A CPJ ficou parada por cerca de seis horas, em decorrência de uma manutenção programada. A situação também afetou o sistema em todo o Estado. Na ocasião, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informou que o sistema passava por melhorias.


‘Eu fiquei esperando por cerca de duas horas’

Paralelo ao problema, o JC recebeu uma reclamação por demora no atendimento da CPJ na tarde de ontem, que ppode ter sido causada por efeito colateral da pane.

Militante da causa animal e funcionária pública, Fátima Schroeder conta que chegou à CPJ por volta do meio-dia desta sexta, e diz ter recebido o primeiro atendimento duas horas depois, somente por volta das 14h.

“Fique esperando duas horas. Essa não é a primeira vez que isso acontece, quase sempre fico esperando. É uma pena a senha não marcar a hora. Há uns quinze dias estive aqui e também houve falha no sistema, nesse dia eu fiquei mais de três horas só na espera”, diz Fátima.

A afirmação foi recebida com certa estranheza pelo delegado. “Hoje, até admito que ela possa ter esperado um pouco mais, por conta desse problema, mas preciso ter acesso ao caso para saber o que de fato o que aconteceu. Porque esse atraso não é mais uma constante na CPJ”, fecha a questão Bertozzo.

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