Alex Mita |
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‘Carcaças’ de carros e mato na Vila Coralina: ideal para o Aedes |
Bauru está no mesmo ritmo de algumas cidades da região quando o assunto é a dengue, já que a Secretaria Municipal de Saúde assumiu que o município passa por uma epidemia da doença. Tanto que, desde o início do ano até o momento, foram registrados 253 casos de dengue, um aumento de 28 vezes em relação ao mesmo período do ano passado, quando a cidade havia confirmado apenas 9 ocorrências.
Além disso, na terça-feira (24), a prefeitura informou a confirmação de mais 55 casos da doença de uma única vez, sendo 54 autóctones e um importado. “Quando o número de casos é muito superior ao esperado para uma determinada semana epidemiológica, podemos falar em epidemia”, explica a médica sanitarista e diretora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Cristiane Rosevelte e Silva.
Para ter um controle maior e, até mesmo, programar medidas de contenção, o órgão usa um diagrama, que conta com uma taxa de incidência média e outra de incidência máxima de casos por semana epidemiológica nos últimos dez anos. Esses dados levam em consideração apenas os anos em que a cidade não passou por uma epidemia. Caso as ocorrências ultrapassem a margem de normalidade, a epidemia está instalada.
“Sendo assim, não nos prendemos aos números absolutos, mas à série histórica e às taxas de incidência, que levam, em seu cálculo, o número de casos novos e o total da população residente. Se houver aumento em relação aos limites, de forma prolongada e em diversos locais do município ao mesmo tempo, considera-se indício de epidemia”, argumenta a médica sanitarista.
Motivos
De acordo com o diretor da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Daniel Godoy Tarcinalli, o aumento dos casos de dengue pode ser explicado por diversos fatores, mas o principal deles é o fato de nem toda a população aderir à prevenção da doença. “Se apenas uma residência em um determinado bairro possui um criadouro do mosquito da dengue, ela pode provocar a disseminação da doença em um raio de até 500 metros”, justifica o diretor.
Tarcinalli acrescenta que a prefeitura faz a parte educativa e vai a campo para combater os criadouros, mas também precisa da participação de toda a população. O diretor afirma ainda que, neste ano, as regiões do Jardim Redentor, Parque Jaraguá e Vila Antártica puxaram para cima o número de casos de dengue na cidade. “Na primeira e terceira região, responsáveis por poucos casos nos últimos anos, muitas pessoas não estavam imunes à doença”, pontua.
No entanto, em relação à região do Jaraguá, essa regra não se aplica, já que a área sempre esteve presente de forma predominante nas estatísticas sobre a dengue. “Continuamos com pessoas suscetíveis e com a circulação do vírus por lá”. Quanto ao sorotipo predominante em todas as regiões da cidade, Tarcinalli acredita que seja o 1, mas ainda espera o resultado dos exames.
O diretor diz ainda que a prefeitura não para de agir para combater os criadouros do mosquito transmissor. Além do Big Busca, uma parceria entre a administração pública e a Unimed que, no início deste mês, coletou materiais em diversos locais da cidade, as áreas com mais casos ainda recebem a devida atenção. Nesta semana, as regiões do Redentor e Jaraguá estão sendo nebulizadas. Na semana que vem, será a vez das vilas Antártica e Cardia.
Sorotipos
Quioshi Goto |
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Cristiane Rosevelte afirma que já se pode falar em epidemia |
Bauru já passou por três epidemias de dengue, em 2007, 2011 e 2013. Na primeira vez, o sorotipo predominante era o 3. Nos demais anos, houve predominância do 1. Diante disso, a preocupação recai sobre o sorotipo 4, que nunca circulou na cidade.
Vale lembrar que, quando uma pessoa é infectada com dengue, ela fica imune àquele sorotipo. Outra curiosidade é que cada organismo tem uma reação diferente diante dos sorotipos da doença e todos eles podem levar à dengue hemorrágica. “Depende da reação de cada organismo”, salienta a médica Cristiane Rosevelte e Silva.
No Interior
Bauru, Marília, Ubirajara, Garça, Arealva, Pirajuí e outras tantas outras cidades sofrem com a explosão de casos da doença que se alastra por todo o Interior do Estado. Desde o início deste ano, pelo menos 28 pessoas morreram com suspeita de terem sido vítimas da dengue. Os exames confirmaram, até agora, oito mortes no Interior.
Já o número de casos positivos em todo o Estado, pode passar de 50 mil. No último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, de janeiro à primeira semana de fevereiro, São Paulo tinha 30,5 mil casos, mas a disseminação da doença está sendo muito rápida. O boletim, todavia, não trazia informações sobre as mortes.
‘Mesmo com o kit anti-dengue, eu, meu marido e um funcionário adoecemos’
Alex Mita |
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Apesar do kit anti-dengue, Elaine e o marido ficaram doentes |
Prevenir a dengue se tornou uma obrigação no dia a dia de Elaine Monteiro Cestari, 54 anos, proprietária de uma oficina mecânica, que fica na quadra 2 da rua Amazonas, no Parque São Jorge, na região da Vila Coralina, em Bauru. Contudo, os repelentes e o cuidado diário para evitar água parada não foram suficientes.
No dia 9 de fevereiro, Elaine contraiu dengue. Ela ficou de cama por mais de uma semana, mas hoje passa bem, exceto pelo inchaço dos membros superiores e inferiores do corpo. Na semana do Carnaval, mais uma vítima da doença, o marido da empresária. Ele está de cama até hoje e desenvolveu uma hepatite. “Nem o kit anti-dengue espantou o mosquito”, revela.
Além do casal, um funcionário da oficina também está doente. Na mesma quadra, pelo menos mais quatro pessoas estão com dengue. “Acredito que seja por conta de uma loja de revenda de autopeças, que foi emparedada recentemente e deixou carcaças de carros em um terreno com mato alto e depósito de lixo”, revela a empresária.
Depois de muito reclamar, a prefeitura finalmente atendeu ao pedido de Elaine. Na manhã de ontem, uma equipe fez a nebulização do local. No entanto, o terreno continua sujo e abandonado. “Nós teremos de pagar para limpar a área, já que ninguém cuida”, finaliza a proprietária da oficina.
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