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Criança fica presa uma hora em van escolar em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Van ficou estacionada no setor de fiscalização do Terminal

Uma criança de 3 anos foi deixada trancada dentro de uma van escolar por cerca de uma hora, na manhã de quarta-feira (25), no estacionamento do Terminal Rodoviário de Bauru. A presença da menina, que deveria ter ficado na creche, só foi notada após o alerta feito por uma empresária de 38 anos, que utilizava o estacionamento da unidade e enxergou a criança chorando e suada pela janela da van.


Além da Polícia Militar (PM), foram acionados os pais da criança e o Conselho Tutelar no local.


O motorista da van, que, no momento, passava por um atendimento na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdrub) – localizada em um prédio no interior do Terminal Rodoviário - chegou minutos depois da descoberta e abriu o veículo para regatar a garota.


O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) como abandono de incapaz e o motorista foi liberado, mas responderá criminalmente pelo ocorrido.


Encontro


Conforme o Jornal da Cidade apurou, o caso ocorreu por volta das 9h46 desta quarta-feira.


Na ocasião, uma empresária de 38 anos, acompanhada pelo marido, estacionava seu carro próximo ao setor de fiscalização de veículos escolares da Emdurb, no Terminal Rodoviário, quando notou a presença da garota dentro da van parada.


Em relato à PM, que chegou minutos depois ao local, a mulher disse que a menina estava em pé no banco traseiro, suada e parecia desesperada.


Acompanhada de um segurança da unidade, ela teria tentado abrir a porta do veículo para retirar a garota, mas sem sucesso.


Ao notar a movimentação e a chegada da PM ao local, o motorista da van, de 69 anos, que era atendido no setor de alvarás da Emdurb, correu em direção ao veículo e o resgate foi concluído. A identidade da vítima foi preservada para evitar constrangimentos. Já a identificação do motorista não foi divulgada porque o caso ainda segue em apuração pela polícia.


Susto


Tanto aos policiais militares quanto em depoimento na delegacia, para onde foi encaminhado posteriormente, o condutor da van contou ter deixado, no início da manhã, outras cinco crianças, inclusive um irmão de um ano da vítima, em uma creche na ruá São Gonçalo, no bairro Altos da Cidade, como faz diariamente. No entanto, alegou não ter notado que a garota não havia descido do veículo.


“Ela ficou embaixo do banco escondida porque estava sendo perturbada, mas eu não reparei. Saí da creche e segui tranquilo para a Emdurb tirar um documento”, conta o motorista. “Em 25 anos de profissão isso nunca me aconteceu. Foi um susto, fiquei muito nervoso quando vi o que tinha acontecido, até chorei no ombro da avó dela de nervoso. Sei a grande responsabilidade que tenho com o transporte das crianças”, completa o condutor.


As documentações do veículo e do motorista foram verificadas pela PM e nenhuma irregularidade foi constatada.


Pai da criança, um jardineiro de 22 anos conta que ficou aflito quando soube que a filha não estava na creche. “Fui correndo para a Rodoviária quando fiquei sabendo que ela estava lá. Quando cheguei, ela estava muito suada, com fome e falava: ‘papai, brigou, brigou’. Fez até xixi de nervoso, tadinha”, frisa o pai da criança. “Complicado isso tudo.  E se ninguém a visse? Ela podia ficar desidratada e ter tido um ‘treco’ trancada ali dentro”, esbraveja o rapaz.


Trágico


Em 12 de dezembro 2014, uma criança de 2 anos morreu, no Rio de Janeiro, após ser deixada fechada dentro de um carro de transporte escolar irregular. Na ocasião, a condutora da perua, de 33, afirmou que passou mal e desmaiou. Ela disse que, somente ao recobrar a consciência,  constatou que a criança havia passado mal.


O menino chegou a ser levado para um posto médico da cidades, mas não resistiu e morreu.


Registro na polícia


Tanto o motorista quanto familiares da criança e a empresária que a encontrou foram ouvidos pelo delegado plantonista Milton Bassoto Junior, que registrou o caso como abandono de incapaz. Após assinar um Termo Circunstanciado se comprometendo a comparecer ao Fórum, o motorista foi liberado. O boletim de ocorrência sobre o caso foi censurado pela Polícia Civil.


 

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