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Caminhada cobra o poder público para contratar médicos por conta do câncer no município

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Alex Mita

Mais de 3 mil pessoas participam da 8ª Caminhada pela Vida para reivindicar cirurgia de reconstrução da mama por conta de câncer

As mais de três mil pessoas estimadas pela Polícia Militar (PM) que participaram, neste domingo (8), da 8ª Caminhada pela Vida, coloriram de azul a praça Portugal e vias próximas, na zona Sul de Bauru, numa manhã predominantemente cinza. Com alegria, participaram de uma das maiores caminhadas do País, organizada pelo Grupo Amigas do Peito, que aproveitou a oportunidade para cobrar do poder público a contratação de médicos capazes de reconstruir mamas em mulheres mastectomizadas por conta do câncer, no município.


Atualmente, uma paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) que perdeu o seio durante o tratamento só consegue refazer seu peito se for encaminhada para centros médicos em outras cidades. “A mulher tem de ter a oportunidade de não ficar mutilada”, afirma a presidente do Grupo Amigas do Peito de Bauru, Clara Vasconcelos.

Fotos: Alex Mita

Deputado Pedro Tobias diz que cirurgia anima  paciente

Deputado Celso Nascimento defende ações de prevenção

Concorda integralmente com ela o médico e deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que também participou do evento. “É essencial para o tratamento. Não é uma questão de estética. Dá ânimo à paciente”, diz. De acordo com o parlamentar, ele tem cobrado que o Hospital Estadual contrate um cirurgião plástico para oferecer o serviço.


Explica que já tratou do assunto com a Secretaria do Estado da Saúde e até com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). “Ter essa possibilidade é muito confortável e importante”, reitera Clara, ao também abordar a importância do aspecto emocional na superação da doença. Fazem coro com ela Amirtis Alves Araújo, 67 anos, e Isabel Lisboa, 57 anos, que também venceram a doença (leia nesta página).


Apoio


“Serei um grande lutador para que as necessidades das mulheres de Bauru e Região sejam supridas. A vida precisa ser preservada e vivida. As mulheres precisam realmente se cuidar. Uma vez que o câncer é detectado precocemente, as condições de cura são maiores”, destaca o também deputado estadual Celso Nascimento (PSC), que defende as ações de prevenção (Foto logo abaixo).


Além dele, também estiveram presentes vereadores como Telma Gobbi (PMDB), Raul Gonçalves de Paula (PV), Fernando Mantovani (PSDB) e Arildo Lima Júnior (PSDB).

“Eu acho que temos de fazer uma união de esforços entre a cidade, o Estado e a União. Bauru tem porte para ser polo regional no que diz respeito ao câncer de mama”, enfatiza o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), em relação às demandas do grupo.


Para ele, a Caminhada pela Vida amadureceu. “Houve um avanço enorme, inclusive do esclarecimento da população, do combate ao preconceito, da valorização da autoestima da mulher”, finaliza.

Equipamento de radioterapia continua na pauta


Cobrado há anos, o equipamento de radioterapia, conhecido por acelerador linear, continua na pauta de reivindicações do Grupo Amigas do Peito de Bauru. “A nossa reivindicação foi atendida, mas precisamos de mais agilidade, principalmente do governo federal”, comenta a presidente da entidade Clara Vasconcelos.


De acordo com o deputado Pedro Tobias (PSDB), o aparelho foi liberado pelo Ministério da Saúde há dois anos, mas não chegou à cidade, embora o Hospital Estadual afirme ter cumprido todas as exigências para recebê-lo ainda em 2014. Por conta da morosidade, o deputado estadual chega a cogitar a possibilidade de um dos dois equipamentos do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, ser instalado em Bauru.


Para tanto, além da concordância das partes, ainda restariam questões legais a serem resolvidas. O acelerador linear dispõe de tecnologia de ponta, é mais seguro, eficaz e provoca efeitos colaterais menores. Por essa razão, tem quem faça mais de 30 aplicações em dias úteis nas cidades vizinhas. Neste caso, encaram jornadas que muitas vezes começam às 4h e só se encerram às 22h.


“Se a tecnologia hoje não está disponível no município, temos de ir atrás. Hoje, o que querem é o acelerador linear. Daqui um tempo, talvez seja outro equipamento. Temos de buscá-lo”, afirma o prefeito Rodrigo Agostinho.

Fotos: Alex Mita

Evento foi organizado pelas Amigas do Peito e teve apoio de entidades

Prefeito Rodrigo Agostinho foi um dos últimos na Caminhada pela Vida

Evento sorteou bike


Com três casos de câncer de mama na família, Claudete Beghini da Silva marcou presença na 8ª Caminhada pela Vida. Voltou para casa com uma bicicleta. Ela foi uma das sorteadas dentre os participantes que doaram alimento não perecível.


Eles serão doados para instituições filantrópicas de Bauru. O evento teve como patrocinadores a Caixa Econômica Federal, Clínica Cristina Castro, Clínica Gabriele, Central de Produções filmes, Construtora Finâmica, Ideia & Prática, Jornal da Cidade, 96FM, Auto-escola Free, Centro de Hematologia e Oncologia de Bauru, Mudanças Pedrinho, Montevergine, Mercosuper, Unimed, Colégio Rembrant, COC Escola Infantil e Cisne Real.


Atende sem pedido médico


Assim como aconteceu no ano passado, mulheres acima dos 50 anos e sem pedido médico terão a prerrogativa de receber o atendimento no ambulatório móvel capaz de realizar mamografias,  em Bauru. A já conhecida ‘carreta da mamografia’ abrirá suas portas, a partir de amanhã, na praça Rui Barbosa. Ela integra o programa “Mulheres de Peito”.

Choque


“Absurdo”. Foi assim que Amirtis Alves Araújo, 67 anos, classificou o fato de Bauru não contar com uma equipe médica ligada ao SUS capaz de fazer reconstrução de mama em mulheres mastectomizadas. Para ela, que enfrentou a doença e perdeu um seio, a cirurgia para muitas pacientes é importantíssima, especialmente no aspecto emocional, fundamental para seu restabelecimento. “Eu não fiz. Fui em quatro médicos e não conseguiram me convencer. Mas quem quer, tem de ter a oportunidade”, defende. Amirtis descobriu o câncer em uma consulta de rotina, na unidade de saúde da Vila Falcão, quando tinha 52 anos.

Alex Mita

Amirtis Araújo não fez reconstrução de mama

Casada e mãe de duas filhas, recebeu apoio em casa para vencer o câncer. A luta levou um ano, mas, otimista, não precisou de terapia para retomar o dia a dia.


O baque foi maior para Isabel Lisboa, 57 anos. Também aos 52 anos ela recebeu o diagnóstico de câncer, que a chocou no primeiro momento. “Eu só chorava. Mas depois passa. É muito importante o apoio da família e de amigos. Fiquei sete meses afastada do trabalho porque não tive condições de voltar. Precisei de terapia”, conta.


A doença foi superada e essa vitória é compartilhada por ela com as companheiras do Grupo Amigas do Peito.

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