Cultura

Alceu Valença retorna a Bauru hoje para show

Vitor Peruch
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Espelho - assim Alceu se define: ‘Eu me reconheço no meu público e ele se reconhece na música que faço’

O cantor e compositor pernambucano Alceu Valença se apresenta na noite deste sábado (28) no Ginásio de Eventos do Sesc de Bauru, às 21h.


Alceu Valença é uma figura carismática no meio da música brasileira e cravou seu nome entre os artistas mais consagrados de uma geração nordestina recheada de grandes nomes, como Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e Zé Ramalho.


O cantor retorna à cidade depois de mais de dois anos desde a sua última apresentação, em outubro de 2012.


Quem foi ao show de 2012 sabe que pode esperar uma noite animada para este sábado. Na ocasião, Alceu Valença cantou músicas clássicas de seu vasto repertório e também novidades. Agitou o público, se emocionou e não queria sair do palco.


Ao JC, Alceu Valença relembrou o show de 2012, comentou sobre o público bauruense, descreveu um pouco do repertório que deve apresentar na noite de hoje e também disse que pretende praticar uma de suas atividades prediletas na cidade: a caminhada.


Vendas online dos ingressos já foram encerradas. Nessa sexta-feira (27), restavam poucos ingressos para compra presencial.


Jornal da Cidade: Em 2012, em Bauru, além das canções consagradas, você apresentou para o público uma música inédita. A música contagiou o público e, consequentemente, você, que na ocasião se mostrou muito feliz com a reação da plateia e repetiu a canção várias vezes.  Você se lembra desse episódio?  


Alceu Valença

Me lembro muito: foi uma das músicas da trilha do meu filme, “A Luneta do Tempo”. Aliás, a trilha sai este ano em CD, juntamente com o lançamento do filme em circuito nacional. Adoro cantar no Estado de São Paulo e Bauru é sempre uma cidade especial. É uma cidade com um nível cultural muito alto, um público vibrante que ama a música brasileira.


Percorro quase todo o Estado com shows, diversas vezes nas unidades do Sesc, e é sempre uma alegria me apresentar em cidades como Bauru. Costumo dizer que sou como um espelho do meu público. Eu me reconheço nele e ele se reconhece na música que faço.


JC: Para o show deste sábado existe alguma novidade que possa adiantar?

Alceu – Vou apresentar um show com muito forró, baião, xote, embolada, elementos que surgiram na região de onde eu venho, o agreste e o sertão de Pernambuco, cuja cultura é a mesma que formou Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Canto músicas como “Xote das Meninas”, “Vem Morena”, “Sabiá”, “Baião” e “Pagode Russo”, do repertório de Luiz, “O Canto da Ema”, lançada por Jackson.

Há também músicas de minha autoria que dialogam com estes gêneros, entre elas “Coração Bobo”, “Cabelo no Pente”, “Embolada do Tempo”, “Táxi Lunar”. E, claro, sucessos da minha carreira, como “Tropicana”, “Anunciação”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Belle Du Jour”, que não podem ficar de fora.


JC: No ano passado foi lançado o álbum “Valencianas (Ao Vivo)” com a Orquestra Ouro Preto. Como foi isso?

Alceu – As “Valencianas” são uma releitura da minha obra realizada em parceria com a Orquestra Ouro Preto. O projeto foi uma criação do meu compadre, o produtor cultural Paulo Rogério Lage, que me apresentou ao maestro Rodrigo Toffolo e ao arranjador Mateus Freire, e eles fizeram um trabalho comovente.

Recentemente realizamos concertos em Portugal, onde o público se levantou das cadeiras e começou a dançar, o que é uma quebra de protocolo inacreditável para um público próximo da música erudita lá.

Gravamos o DVD em Belo Horizonte e lançamos no final do ano passado (pela Deck). Um momento marcante na minha carreira.


JC: Em breve será lançado seu livro de poesias. Afinal, essa é uma experiência nova para você?

AV – “O Poeta da Madrugada” reúne uma série de poemas que fiz em Lisboa no ano passado. Tenho frequentado bastante a cidade e atmosfera de lá me inspira a escrever versos. Digo que um artista não deve ter ídolos, mas mestres como Fernando Pessoa e Luiz Gonzaga dialogam sempre com a minha identidade lusófona, ibérica, brasileira, nordestina.

Incluo, ainda, algumas letras de canção que funcionam como poemas e antigos escritos, de uma época anterior inclusive à minha carreira de músico, em que eu publicava, muito jovem, poesias nos suplementos literários dos jornais do Recife. Depois de Bauru sigo para São Paulo, onde lanço o livro na segunda (30), pela editora Chiado, na Livraria Cultura da Avenida Paulista.


JC: Longe dos palcos, você é frequentemente flagrado caminhando em praias ou praças. Pretende andar por Bauru e conhecer um pouco da cidade?

AV – Sempre fui um andarilho, criando calo no meu pé caminhador [risos]. Tenho várias músicas que se referem a este meu hábito, como “Andar Andar”, “Cabelo no Pente” e “Pelas Ruas Que Andei”. Será meio corrido, mas vou tentar caminhar pela cidade, sim. E meu passo é acelerado. Para me acompanhar é preciso disposição!


Serviço


Alceu Valença e show “Forró Lunar”. Hoje, às 21h, no Sesc. Ingressos no local (confirmar antes) entre R$ 12 e R 40. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. (14) 3235-1750

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