Malavolta Jr. |
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Grande volume de lixo foi deixado por moradores em em frente ao Vitória Régia |
Contrariando as expectativas da Emdurb, assembleia de coletores, realizada na manhã dessa terça-feira (31), deliberou pela permanência da greve, por 54 votos a cinco. Diante disso e do aumento do volume de lixo espalhado pelas vias públicas de Bauru, o órgão responsável pelo serviço apresentou à categoria uma nova proposta financeira com o intuito de dar fim ao movimento - que entra no nono dia - ainda nesta quarta-feira (1).
O presidente Nico Mondelli negociou de forma direta com os trabalhadores, sem o intermédio do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm). Eles estiveram reunidos na tarde dessa terça e, logo em seguida, a nova oferta foi explanada aos coletores do período da noite.
Representante da categoria, Clodomir ‘Bilão’ conversou com o JC e classificou como positiva a nova proposta. “A maioria dos trabalhadores da noite [de ontem] já votou para a gente voltar em 100% ao trabalho”, avisa. Para garantir o fim definitivo da greve, os termos da negociação serão submetidos à apreciação dos demais trabalhadores, em reunião às 7h de hoje.
A nova proposta consiste em alterações no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos funcionários da Emdurb. Segundo Nico Mondelli, a ideia é valorizar os profissionais com mais de quatro anos de trabalho no órgão.
As melhorias, no entanto, se restringem ao pessoal de serviços operacionais: coletores de lixo, ajudantes gerais, coveiros, encanadores e dos setores de varrição e capinação. No ano passado, já havia sido instituído aumento de 10% de salário para os trabalhadores com 9 a 14 anos de serviços prestados. Agora, a Emdurb propôs reajuste de 2,5% para os que estão no órgão de quatro a oito anos; de 15 a 19 anos; e de 20 a 25 anos. “A ideia é conceder melhorias e ganhos ao longo da carreira. Esses aumentos já poderão ser pagos a partir de maio”, pontua.
ACRÉSCIMO
Além da nova proposta, a Emdurb ofereceu a todos os seus trabalhadores reajuste salarial de R$ 50,00 a partir de março, que já serão pagos com os salários liberados nesta quarta; e mais um reajuste de R$ 35,00, que vigorará a partir do exercício do mês de abril.
O vale-compras deve ser reajustado de R$ 285,00 para R$ 310,00 e os trabalhadores que optarem por receberem marmitas não sofrerão mais o desconto de 5%.
Serviço continua sem atingir mínimo exigido
O movimento grevista dos coletores de lixo chega nesta quarta (31) a seu nono dia. Desde a última sexta-feira, no entanto, por determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP), 70% das equipes têm saído às ruas. Apesar disso, esse percentual não tem se refletido no volume de resíduos recolhido, contrariando a mesma decisão judicial.
A Emdurb informa que, em condições normais, 300 toneladas de lixo são destinadas diariamente ao aterro sanitário. Na última segunda-feira, esse número foi de 183,6 toneladas, 61% da média. Na coleta da manhã dessa terça, foram 109 toneladas coletadas, 68% do total esperado para o período.
Segundo o presidente Nico Mondelli, todos os dias, a Emdurb informa ao TRT sobre os números e os percentuais registrados pelo serviço. “Mas, até agora, não recebemos qualquer retorno da Justiça acerca de eventuais punições ao sindicato”, pontua.
O Tribunal havia fixado multa diária de R$ 3 mil por cada funcionário, caso o mínimo de 70% do serviço não fosse prestado.
ACÚMULO
Reportagem publicada na edição dessa terjça (31) revelou que, pelo menos, 1,3 milhão de quilos de lixo estava espalhado pelas vias públicas de Bauru. Como a coleta não tem atendido a média de produção de resíduos, esse número já é maior.
Nico Mondelli deixa claro que o retorno de 100% dos trabalhadores não implicará na solução imediata para o acúmulo de lixo nas ruas.
“Se fizerem duas viagens, ou seja, trabalhassem em dobro, conseguiríamos resolver tudo entre quatro e cinco dias. Sem dúvida, os coletores terão que cumprir horas extras; talvez umas três por dia”, declarou o presidente da Emdurb na última segunda-feira.
De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, se não houver intercorrências ou quebra de caminhões de lixo, a demanda deve ser sanada em até dez dias.
Na prefeitura
Na segunda-feira (30), a assembleia do Sinserm com funcionários da Prefeitura de Bauru, DAE e Funprev decidiu pela interrupção da greve até o dia 8 de maio. A ideia é que as negociações sejam retomadas a partir dessa data.
A administração já encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei que oferece abono de R$ 55,00 para todos os servidores ativos e inativos, a partir de março, e outro de R$ 30,00, a partir de abril, para aqueles com remuneração mensal de até R$ 2.300,00.
O valor do vale-compras, concedido apenas para os funcionários da ativa, passará de R$ 285,00 para R$ 310,00. Já o vale-refeição será transformado em abono não incorporável. O benefício, cujo valor aumentará de R$ 220,00 para R$ 300,00, contemplará ativos, aposentados e pensionistas que ganham até R$ 2.300,00. Para os inativos, o valor passará a ser pago a partir de 30 de abril. Para os demais, a extinção do cartão e o início do pagamento do benefício em pecúnia deve acontecer, no máximo, até o mês de junho.
O sindicato diz que não aceitará qualquer prejuízo aos servidores que aderiram às paralisações. A prefeitura pontuou que se compromete a não propor ação judicial contra o sindicato em razão da greve nem promover descontos salariais, mas não descarta exigir reposição.
