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Jaguatirica "passeia" pela cidade de Bauru

Thiago Vendrami com Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

 

Após a jaguatirica ter sido sedada com dardo tranquilizante, o diretor do Zoo de Bauru, Luiz Pires, saiu com o felino nos braços

Uma jaguatirica macho adulta que pesa 14,58 quilos e mede 96 centímetros usou o capô de um carro como esconderijo. Nessa quarta-feira (15) de manhã, na região do Sambódromo, no Núcleo Geisel, o animal chegou a rodar 5 quilômetros até a quadra 28 da rua Joaquim da Silva Martha, no Jardim Brasil, em Bauru, local onde o carro estacionou. O fato mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e do Zoológico Municipal.


A jaguatirica teria entrado no capô de uma Chevrolet/Caravan para se aquecer perto do motor. O diretor do Zoológico, Luiz Pires, acredita que o animal teria como habitat o Jardim Botânico ou a área de reserva da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pires acrescenta ainda que a jaguatirica é adulta e teria entre 3 a 4 anos. Segundo o diretor do Zoológico, a espécie vive em torno de 15 anos.


Funcionária da residência onde o carro estacionou, Ângela Maria Theodoro, 54 anos, narra que o animal saltou do veículo e tentou entrar na casa por cima do muro. “Quando o felino entrou, eu estava limpando o banheiro. Ele caiu e cheguei a ficar branca de tão assustada”, conta a mulher. De início, Ângela pensou que era um gato, mas, como era “pintadinho”, chamou o patrão e o Corpo de Bombeiros foi acionado.


O tenente responsável pela operação, Victor Félix Tozi, afirma que não é comum esse tipo de ocorrência, mas, ao notar que era um animal silvestre de porte médio, a corporação o isolou e acionou o Zoológico. Um veterinário da instituição atingiu a jaguatirica com um dardo tranquilizante, suficiente para imobilizá-la. “Foi um disparo com a dosagem correta para o peso do animal”, pontua Luiz Pires.


De onde saiu?


Segundo moradores da região do Jardim Brasil, o dono do carro afirmou ter visto esse tipo de animal nas proximidades da casa onde mora, que fica no fundo do Sambódromo, e os cães dele teriam latido durante toda a noite anterior.


Por conta disso, o Corpo de Bombeiros e o Zoológico acreditam que a jaguatirica tenha partido de lá. “Portanto, não soltaremos o animal nessa região. Se ele saiu do local é porque não é mais adequado para ele. Iremos buscar uma nova área”, reforça Pires.


Destino


A jaguatirica foi levada ao Zoológico para exames laboratoriais, contudo, aparentava estar bem. “O animal está bonito e vigoroso, mas os exames ainda serão feitos na clínica”, reforça Luiz Pires.


O diretor do Zoológico pediu autorização para soltura do felino junto à Secretaria de Estado do Meio Ambiente. O órgão também indicará em qual área o animal será solto. “O destino da jaguatirica depende da permissão do Estado”, informa.


Porém, Luiz Pires acredita que o felino seja solto em áreas protegidas pertencentes à região de Bauru. Além disso, com o objetivo de evitar que a jaguatirica sofra com possíveis atropelamentos nas rodovias, fato que teria contribuído para a redução da espécie na região, o diretor do Zoológico espera que ela seja solta em uma área um pouco mais afastada da urbana.


Mais nomes


O nome científico da jaguatirica é Leopardus pardalis. Contudo, dependendo da região, ela é conhecida por vários outros nomes: ocelote, maracajá, gato-açu, bracaiá, gato-do-mato-grande ou simplesmente gato-do-mato.


O animal tem uma distribuição geográfica ampla, ocorrendo desde os Estados Unidos até o Peru e Argentina. Contudo, a caça predatória colocou a espécie em risco de extinção.

Jaguatirica é capturada após 'passear' por bairros de Bauru

Vítima de caçadas e atropelamentos nas rodovias, jaguatirica entra na cidade em busca de alimentos ou simplesmente para matar a curiosidade

É raro encontrar uma jaguatirica na região de Bauru, uma vez que a espécie é de difícil reprodução, já foi vítima de caçadas e ainda sofre com atropelamentos nas rodovias. Portanto, a presença do animal, nessa quarta-feira (15), na região do Jardim Brasil, foi apenas um fato isolado. Quando aparece na cidade é, após a diminuição do seu habitat, para buscar alimentos ou, até mesmo, matar a curiosidade.


De acordo com prefeito Rodrigo Agostinho, que é ambientalista, a jaguatirica é o terceiro maior felino brasileiro, só perdendo para as onças pintada e parda. A primeira delas está extinta na região, mas pode ser encontrada no Vale do Ribeira e nas proximidades do Rio Paraná. Já a segunda é comum desde a Patagônia até o centro dos EUA, passando, claro, pela região de Bauru. Inclusive, causou tumulto no ano passado em pleno Parque Vitória Régia (leia mais abaixo).


Em relação à jaguatirica, Agostinho reitera que ela ainda está presente na região, mas em pouca quantidade. “De 1500 a 1967, quando a caça era livre, a espécie sofria com a prática, porque o País exportava a pele do animal para a Europa. Hoje, o maior problema gira em torno dos atropelamentos nas rodovias. Diante disso, temos de andar muito para encontrá-la”, pontua.


O prefeito explica ainda que a jaguatirica vive em matas vizinhas à cidade, mas pode passar por áreas urbanas para buscar alimentos ou, até mesmo, “matar a curiosidade”. Todavia, segundo Agostinho, este não é o único animal a ser atraído para a cidade. “Além das jaguatiricas, os tamanduás também são encontrados em áreas urbanas da região de Bauru”, exemplifica.


MATA PRÓXIMA


Questionado sobre a presença de um macho de jaguatirica em Bauru, o ambientalista reforça que, como o animal teria entrado no capô de um carro na região do Sambódromo, provavelmente saiu de uma mata próxima.


De difícil reprodução, a espécie vive sozinha, tem hábitos noturnos e está no topo da cadeia alimentar. No entanto, pode ser predada por onças e jacarés, já que um macho adulto não mede mais que 1 metro de comprimento e pesa até 15 quilos. “É um gato grande”, brinca o prefeito. Agostinho, acrescentando ainda que a jaguatirica se alimenta de animais de pequeno porte, principalmente aves e roedores.


No Vitória Régia


Ao contrário do que muitos pensam, a jaguatirica é mais rara do que a onça parda ou suçuarana. Inclusive, no dia 13 de março de 2014, uma fêmea desta segunda espécie foi capturada no Vitória Régia, em Bauru, e parou a avenida Nações Unidas (e parte da cidade).


No dia seguinte, o felino foi levado até uma grande área de reserva ambiental pertencente a uma empresa da região, cuja localização exata não foi divulgada a pedido da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Douglas Reis

Luiz Pires carregou a jaguatirica no colo depois de ela receber um dardo tranquilizante

 

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