Alex Mita |
|
|
Adolescente de 15 anos diz ter sido agredido por policial militar na cabeça e também no braço |
A mãe de um aluno de 15 anos, estudante de uma escola estadual no Jardim Carolina, em Bauru, registrou queixa nas polícias Civil e Militar, nessa quarta-feira (15), alegando que seu filho foi agredido, na frente da escola, pelo pai de outro estudante. O agressor seria policial militar. O fato teria ocorrido nessa quarta por volta das 12h20, por conta de um desentendimento em brincadeira feita momentos antes em sala de aula pelos estudantes. É o terceiro caso de briga em três dias (leia mais abaixo).
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Educação confirmou que o fato registrado fora da escola ocorreu e que, assim que a direção da unidade tomou conhecimento, designou um supervisor e um professor-mediador para auxílio o aluno.
Já a Polícia Militar, por meio de seu coordenador operacional, major João da Costa Duarte, informou ter instaurado procedimento interno de investigação para apurar os fatos e a suposta responsabilidade do policial no fato em questão.
Vale destacar que a corporação prevê advertências e punições disciplinares como medidas internas para repreender possíveis excessos cometidos por PMs.
Um boletim de ocorrência (BO) por lesão corporal também foi registrado pela família do adolescente na Central de Polícia Judiciária (CPJ).
Luta corporal
Mãe do estudante, a vendedora de 35 anos, que terá sua identidade preservada pela reportagem, conta que o filho saía da escola estadual Azarias Leite quando foi empurrado contra uma árvore pelo pai do outro aluno. O menino também tem 15 anos.
O homem teria questionado o adolescente sobre uma suposta agressão ocorrida contra seu filho em sala de aula. Em seguida, teve início um luta uma corporal entre ambos, que teria sido presenciada, inclusive, por um inspetor da escola.
O adolescente alega que o policial teria desferido o primeiro soco e, que após revide, que resultou em um machucado no olho do homem, acabou levando mais um na região da cabeça. O estudante também alega que seu o braço foi lesionado pelo policial durante a briga.
Queixa e ameaça
Na queixa registrada contra o policial, no 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I) consta que, após as agressões, o acusado ainda teria seguido o estudante de carro e ameaçado agredi-lo novamente, caso houvesse algum tipo de denúncia.
“Ele chegou chorando em casa, acompanhado de mais dois amigos. Fiquei em pânico e fui até a escola conversar com a diretora, que me orientou a registrar a ocorrência”, comenta a mãe. “Meu filho só tem 15 anos, essa briga é um absurdo. Ele nunca deu trabalho na escola, inclusive, estuda desde a 5.ª série junto com o filho desse policial”, detalha a mulher.
Ainda nessa quarta-feira (15), o estudante passaria por exame de Corpo Delito. O laudo deverá ser anexado nas queixas realizadas nas polícias, para auxiliar as apurações.
O nome do policial acusado também será preservado pela reportagem, já que o caso ainda segue em investigação.
Enfrentamento
Por meio de nota, a Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Bauru confirmou que os fatos relatados pela reportagem ocorreram fora do ambiente escolar.
“De qualquer forma, assim que a direção das escolas citadas tomou conhecimento do ocorrido, os professores-mediadores ofereceram auxílio aos estudantes e chamaram os responsáveis dos alunos. Um supervisor também foi designado para acompanhar os casos juntamente com os professores, diretores e pais”, acrescenta a Secretaria de Estado da Educação.
Ainda de acordo com a pasta, as três unidades de ensino citadas possuem a figura do professor-mediador, profissional que, segundo a Secretaria, é capacitado com técnicas de justiça restaurativa e mediação de conflito.
A DRE disse ainda entender que o enfrentamento à violência no ambiente escolar deve ocorrer em diversas frentes, que englobam polícia, comunidade escolar e família.
Vale destacar que as escolas em questão contam com a parceria da ronda escola da PM.
Somente nesta semana, foram três brigas perto de unidades de ensino
O caso noticiado acima é terceiro, somente nesta semana, envolvendo brigas ocorridas nas imediações de escolas, em Bauru.
Conforme o JC apurou junto à Polícia Militar, na última segunda-feira, outras duas ocorrências da chamada desinteligência foram atendidas por viaturas da corporação, após denúncia de alunos.
A primeira teria ocorrido por volta das 19h em frente a uma unidade de ensino Stela Machado, na Vila Pacífico.
Na ocasião, a PM recebeu quatro ligações no 190 informando que duas garotas, uma maior e outra menor de idade, teriam entrado em luta corporal. A ocorrência, no entanto, não foi registrada na Polícia Civil.
“Consta em nossos registros que várias pessoas foram orientadas pelos policiais no local”, detalha o major João da Costa Duarte.
A segunda briga teria ocorrido às 22h28, após a saída do período noturno de uma escola estadual Ernesto Monte, localizada em frente à Prefeitura Municipal.
No local, segundo explica o major, houve briga generalizada entre os estudantes. Na ocasição, um BO por lesão corporal chegou a ser registrado na Polícia Civil de Bauru.
