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Priorizar o lado real da economia

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Que o fluxo monetário da economia é importante não há dúvidas, contudo, o que efetivamente dá o tom na geração de riqueza no país é o fluxo real. Os agentes econômicos (representados por aqueles que querem ofertar sua mão de obra ou sua capacidade empresarial ou o seu capital) que operam o lado real da economia movimentam o mercado de bens e serviços e ainda o mercado de trabalho. Em momentos de prosperidade ou de crise como o atual, tais agentes querem fazer o que se comprometeram: gerar riqueza. Por vezes são impedidos ou são obrigados a diminuir o ritmo de produção.
Analisemos a interferência de outros agentes neste contexto. O setor bancário é um exemplo do distanciamento do lado real da economia. A ordem atual é "evitar riscos". É evidente que em ambiente de incerteza a tendência é mitigar os riscos, mas isso não pode ser realizado de maneira irracional. Observo pessoas físicas e empresas que se relacionam com o setor bancário há anos e hoje simplesmente não consegue novos recursos para operar. Além da limitação na liberação de crédito, estão sendo obrigadas a ampliar garantias e o discurso é o mesmo: "ordens superiores", "o banco mudou sua política de crédito", "o setor de crédito está mais rigoroso", e assim por diante. Reforço: é evidente que ninguém irá se aventurar no mercado, mas fazer uma leitura linear, distante da realidade de cada empresa, com decisões em salas refrigeradas, coloca todos que demandam crédito em vala comum. Isso é no mínimo temeroso.
O próprio governo não faz sua parte. Engessou os bancos públicos. Também elevou os juros. Aumentou o IOF (imposto sobre operações financeiras). Tudo isso para combater as conseqüências de sua própria incompetência, que resultou no péssimo momento da economia nacional. O que os agentes econômicos que operam o lado real da economia desejam? Produzir. Alguém mais crítico diria: os empresários querem lucro! A resposta é sim, querem lucro, qual o problema? Sem lucro o emprego fica escasso, os investimentos produtivos são adiados e a economia patina, e, o que é pior, com desequilíbrios que penalizam a todos.
A Associação Comercial de Bauru, da qual sou vice-presidente, tentou atingir o ponto central do que é desejo dos agentes econômicos: se o caminho para recuperar a economia passa pelo ajuste fiscal, que isso seja realizado com a maior velocidade possível. Talvez a sociedade como um todo não tenha percebido esta urgência. O meio político se perdeu na negociação do "poder" e se esqueceu do que é prioridade no país. É preciso voltar a gerar riqueza no tamanho das necessidades do país. É imperativa a retomada do crescimento econômico.

É preciso ainda garantir àqueles que chegaram à classe média, e são mais de 100 milhões de brasileiros, no mínimo a manutenção do atual padrão de vida, conquistado a duras penas. Se o país continuar no marasmo atual, o preço a ser pago pela sociedade é muito elevado. Priorizar o lado real da economia é o mínimo para o país começar um novo ciclo. Velocidade nas decisões econômicas é o que se espera.


O autor é economista e articulista do JC

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