Política

Projeto de Tobias relembra genocídio


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Nesta sexta-feira, dia 24, completa 100 anos o início do genocídio do povo armênio. Estima-se que 1,5 milhão de armênios tenham morrido por ação do governo otomano entre 1915 e 1917. O fato é considerado um dos maiores massacres registrados na história recente da humanidade.

 

Para lembrar a data com propósito de reflexão a respeito da barbárie cometida, o deputado Pedro Tobias (PSDB) apresentou e a Assembleia Legislativa aprovou no início deste mês projeto de lei que institui o Dia do Reconhecimento e Lembrança às Vítimas do Genocídio do Povo Armênio. O projeto aguarda sanção do governador Geraldo Alckmin. 

 

Pela proposta, o deputado sugere a data de 24 de abril para que o fato seja relembrado anualmente. Recentemente, o papa Francisco fez menção ao massacre em uma missa na Basílica de São Pedro. Segundo o pontífice, “ocultar ou negar o mal é como permitir que uma ferida siga sangrando sem enfaixá-la”. O papa estendeu a condenação a outros assassinatos em massa.

 

Turcos, armênios, curdos, gregos, judeus e outros povos conviveram por séculos no Império Otomano. No século 19, o império entrou em declínio. Na tentativa de preservar o poder, o governo dos Jovens Turcos implantou no Império Otomano uma política de valorização dos povos turcos e turco-descendentes em detrimento de outras etnias, sobretudo aquelas que adotavam o cristianismo, como os armênios, gregos e assírios.

 

História 

 

No dia 24 de abril de 1915, 250 líderes e intelectuais armênios foram presos em Constantinopla, atual Istambul, capital do Império Otomano. A partir de então tropas regulares e paramilitares se dirigiram para cidades de todo o país obrigando as famílias armênias a deixarem suas casas em caravanas de deportados rumo aos desertos da região, principalmente Deir-ez-Zor. 

 

Centenas de milhares de armênios foram deportados de suas casas e terras. Muitos morreram no caminho por fome, sede, inanição, moléstias ou atacados pelas tropas que deveriam zelar pela sua integridade. O deputado Pedro Tobias lembra que o jornal The New York Times relatou continuamente o assassinato em massa dos armênios, descrevendo o processo como “sistemático”, “autoritário” e “organizado pelo governo”. 

 

Posteriormente, o ex-presidente Theodore Roosevelt caracterizou, na época, tal fato como o maior crime de guerra. Em agosto de 1915, o jornal reproduziu um relatório que dizia que “nas estradas e no Rio Eufrates estão espalhados os cadáveres dos exilados, e os que sobrevivem estão condenados a uma morte certa. É um plano para exterminar todo o povo armênio”. Estima-se que, atualmente, vivem no Brasil cerca de 25 mil armênios, sendo a maioria residente na cidade de São Paulo. Até hoje, a Turquia não aceita a acusação de que tenha cometido genocídio contra o povo armênio.

 

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