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Alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e FundamentalJoão Seber participaram do projeto de ilustrar os momentos do município |
Simples, singelo mesmo, mas que registra os momentos que marcaram a vida dos pais e das crianças que estudam na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental (Emeief) João Seber foi transformado em um livro. O ‘projeto’ foi realizado em comemoração aos 92 anos da cidade que fica a 90 quilômetros de Bauru. Através dos desenhos é possível perceber a visão que cada um deles têm de cada local.
O aniversário de Torrinha foi no dia 7 de abril. Para envolver os pais, crianças e escola, a diretora Lidiane Minatel Reginato propôs um trabalho diferenciado. “Torrinhas tem muitas histórias, lugares que o pessoal gosta de ir com os filhos. Queria envolver os pais, trazê-los para perto da escola, porque alguns deles são distantes. Propus aos professores que fizéssemos uma atividade com eles usando como base o aniversário da cidade.”
O ‘start’ foi um bilhete endereçado aos pais com uma página em branco. “Fizemos isso porque a maioria dos nossos alunos não sabe ler e escrever e têm de 3 a 5 anos. Pedimos que eles relatassem algum acontecimento importante para eles e para os filhos da cidade de Torrinha. Ou, contassem uma história sobre o lugar que eles gostam de ir passear com as crianças.”
A diretora confessa que inicialmente não pensou em promover os pontos turísticos, mas simplesmente mostrar a cidade, tudo o que ela tem. “Eu não achei que fosse ficar tão bacana. Percebemos, pelas histórias que chegaram em nossas mãos que os pais tiveram um momento único com os filhos. Ficaram juntos e decidiram o que relatar. O resultado surpreendeu”, confessa.
As páginas em branco retornaram relatando momentos felizes. “Quando as crianças vão andar de bicicleta com os pais, jogam futebol, fazem passeios, vão à praça, às cachoeiras. Percebemos que os pais mais presentes, alguns com dificuldade na escrita não deixaram de ajudar o filho. Por isso, há histórias com muitos erros de ortografia. Outros, que a gente sabe que o contexto familiar é difícil, a criança devolveu a folha em branco. Foi uma pena porque eles perderam a oportunidade de reviverem momentos felizes junto aos filhos.”
A ‘obra’ revela ainda que alguns pais estimularam as crianças a escrever. “Tem várias páginas escritas pelas próprias crianças. Possivelmente os pais escreveram e eles copiaram, dá para perceber que a letrinha é deles. Os alunos do 1º ano do fundamental estão começando no processo de leitura e escrita, os mais novos ainda estão na fase dos desenhos. Alguns pais ajudaram até mesmo na ilustração, porque o filho tem só 3 aninhos, a turma do maternal.”
‘Obra’ vai ficar um dia na casa de cada aluno
João Rosan |
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Os bonecões do Carnaval de Torrinha são retratados pela estudante Victória ao lembrar que a festa mistura o costume caipira, porque ganhou impulso ao som de violão, cavaquinho, pandeiro e na abertura tem toque de berrante |
O “Histórias de Torrinha” é o resultado de uma tarefa que as crianças levaram para suas casas para ser feita junto com os pais, ressalta a professora Adriana Tedeschi Redondo do pré I (crianças de quatro anos). “As crianças ficaram empolgadas, fazer o desenho e o texto com os pais foi uma experiência nova para eles. Geralmente os pais apoiam na tarefa. Eles decidiram o que falar no texto e tiveram ajuda dos pais no desenho. A ilustração é original, feita por eles mesmos.”
Em um dos casos, enfatiza a professora, a mãe relata quando chegou à cidade. “As histórias se misturam. Ela e o filho, além de comentar como era a cidade quando chegou e como está agora. A interação dos pais com os alunos e a escola, objetivo da atividade, foi alcançado.”
A participação dos 19 alunos da classe, pré-I da professora Adriana Tedeschi Redondo foi um dos pontos positivos apontados por ela. “Todos os meus alunos trouxeram as histórias e os desenhos. Durante as aulas estou mostrando cada uma das histórias e os respectivos desenhos. A gente percebe o quanto eles vibram com suas histórias, desenhos e com as dos amiguinhos.”
Éder Azevedo |
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A aluna Poliana conta que foi conheceu a Cachoeira do Mira junto com mãe. Depois desse passeio, ela diz que nunca mais vai esquecer a beleza do local. A cidade é conhecida por ter belas cachoeiras. |
Segundo ela, não houve a intenção de exaltar os pontos positivos da cidade, mas de saber aqueles que marcaram a vida de cada um. Observei que os alunos ficaram orgulhosos de suas histórias quando mostrei os desenhos. “As crianças sentiram prazer em ouvir a professora falar e mostrar o desenho e a história da mãe de fulano e da sua. O livro vai na maletinha de leitura junto com um bilhete para os pais ‘curtirem’ junto com seus filhos. Cada um poderá ver o que o outro escreveu, para ficar democrático.”
A professora lembra que o bilhete que deu origem as histórias e desenho foi bem claro. “Pedimos que eles passassem para o papel aquilo que eles viveram, aquilo que marcou a vida deles na cidade. Alguns escreveram que gostam muito do carnaval, é uma das atrações mais bonita do município. Outros escreveram que no bairro onde moram é sossegado e assim por diante.”
A diretora da Emeief João Seber, Lidiane Minatel Reginato, enfatiza que as histórias e desenhos estão sendo usadas na sala de aula em um momento chamado de roda de conversa, que acontece todos os dias.
A professora do pré II, Selma Sandra Giacomelli Nucci, explica que só depois da reunião de pais saberá como eles reagiram diante da proposta. “Eu acredito que eles gostaram porque a maioria mandou a ‘tarefa’ pronta. Dos 22 alunos, somente dois não entregaram.”
Alunos recordam de usina e ponto turístico da cidade
Hidrelétrica construída pelos ingleses e a pedra em formato de torre que deu nome a Torrinha são retratadas nos desenhos e textos dos estudantes
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Acervo Prefeitura de Torrinha |
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Usina Três Saltos foi construída no final do século 19 pelos ingleses |
O aluno Enrico ressaltou em sua história e desenho que costuma passear com a mãe nas cachoeiras e praças da cidade. A mãe conta que passou a infância na cidade e que nas férias curtia passear na Usina Três Saltos, onde ela tinha uma amiga.
A usina hidrelétrica de Três Saltos foi construída no fim do século dezenove pelos ingleses, foi a segunda a ser edificada no Estado de São Paulo. À época proporcionava total independência de energia ao município, sendo importante patrimônio histórico.
A Yasmin escolheu a cachoeira do Mira, um dos pontos turísticos de Torrinha para dizer que a cidade tem muitos lugares para lazer. A mãe diz do texto que adora levar os filhos para passar o dia na cachoeira onde a água é limpa, um dom da natureza.
Paisagem
A cidade de Torrinha tem paisagem diferenciada e de excepcional beleza. O município é cortado por pequenos rios de águas limpas, pontilhados por cachoeiras, como a do Mira. Victória exaltou o Carnaval de Torrinha e seus bonecos gigantes que todos os anos atrai milhares de turistas para a cidade. Segundo ela, o carnaval torrinhense teve origem com a doação da população que fizeram dois bonecos chamados Marião e Marion. O Carnaval de Torrinha é marcado pelos bonecos gigantes que preservam a cultura do carnaval caipira há décadas. Há anos, a artista plástica Kátia Regina Buzato cria os bonecos.
Lucas diz que um lugar especial para ele é a estação ferroviária da cidade, diz a mãe. “Ele ficou encantado e feliz. Desde esse dia, ele pede sempre para levá-lo para ver o trem.” A estação ferroviária de Torrinha foi construída em 1886, quando o município tinha sua base econômica no café.
Helena escolheu a Pedra de Torrinha, símbolo da cidade, para falar sobre sua terra natal. Ela, o papai e a mamãe adoram passar horas na pedra onde apreciam a natureza exuberante, sua fauna e flora.
A pedra em formato de torre deu nome a localidade em 1892. É uma formação rochosa que passou por um desgaste erosivo.
Possui altura aproximada de 30 metros, estando acima de um morro com 730 metros acima do nível do mar. Ao seu lado estão as chamadas cuestas de escarpas festonadas, que é a prova de que foram separados os continente da África e América. Ela é o cartão postal da cidade.
Torrinha era caminho de tropeiros
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A Estação Ferroviária de Santa Maria e posteriormente Torrinha |
Município teve auge econômico na cultura cafeeira, quando chegou os trilhos da antiga Companhia Paulista de Estrada de Ferro e foi inaugurada a estação
A porção do território paulista que hoje é Torrinha era cortada por caminhos de tropeiros e viajantes que faziam seu pouso na localidade. Para suprir a necessidade de suprimentos de gêneros alimentícios, abastecimento variado e serviços de consertos, surgiram as primeiras atividades comerciais e de prestação de serviço, possibilitando a fixação dos primeiros colonizadores da região. O processo foi intensificado com a doação de sesmarias que deram forma e delinearam as grandes propriedades rurais, embriões das futuras áreas urbanas.
A Lei de Terra de 1850 favoreceu a chegada de pessoas de outras regiões do País se estabeleceram com agricultura de subsistência em áreas próximas ao pequeno arraial em formação. Sabe-se que algumas famílias torrinhenses já viviam lá desde 1850, dentre elas, as famílias Fonseca, Costa, Mello, Dias, Ferreira, Ferraz, Gomes, Ribeiro do Prado, Dias Ramos, Carvalho, Franco de Moraes, Souza, Barros, Teixeira, Leite, Marques, Paiva, França, Pinto, Melchert, Barbosa e Bueno são consideradas as pioneiras.
A cultura cafeeira foi introduzida no município no final do século XIX e seu desenvolvimento está associado à construção da ferrovia pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro, inaugurada em 7 de setembro de 1886, com o nome de Estação Ferroviária de Santa Maria e posteriormente Torrinha.
A estação representou a força maior no desenvolvimento da cidade que necessitava de um meio de escoamento e depósito de seu principal produto agrícola, o café, como também foi de utilidade para o transporte de passageiros entre eles os imigrantes.
A atividade cafeeira trouxe para o município um grande número de famílias italianas, fato esse que contribuiu definitivamente para o perfil sócioeconômico e cultural do município.
Crise
Em 30 de novembro de 1922 foi criado o município de Torrinha. Sua instalação como novo município foi feita no dia 7 de abril de 1923. Na ocasião foram eleitos como prefeito Raul Lacerda, como presidente da Câmara o coronel Joaquim Ribeiro dos Santos e como vereadores João de Alvarenga Mello, Luiz Della Coletta, Thomé de Siqueira Leite e Francisco da Silveira Bueno.
Com a crise de 1929 a região e o município sofreram as consequências econômicas do declínio da cultura cafeeira e introduziram novas culturas como o algodão, amendoim, arroz, milho e a pecuária. Atualmente predomina no município a cultura de cana-de-açúcar, laranja, café, eucalipto, criação de bovinos, aves e outras criações.
As condições ambientais locais não sofreram forte intervenção humana, o que constitui uma vantagem local, uma vez que impulsiona o turismo local com belezas naturais. As cachoeiras são atrações tradicionais, aliada à cultura local.




