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O ala/pivô bauruense Lucas Dias, de 19 anos e 2,11m, é um dos 91 jogadores inscritos no próximo draft da NBA, que será realizado no dia 25 deste mês, no Barclays Center, localizado no Brooklyn, Nova York. Nascido em 1995, o bauruense foi revelado nas categorias de base da Associação Luso Brasileira de Bauru (ALBB). Treinado por Marco Silva Mococa, o atleta defendeu a equipe bauruense da categoria sub-12 até o sub-15. Em 2010, transferiu-se para o Pinheiros, onde permanece até hoje.
Lucas é um dos destaques brasileiros em sua categoria e já representou o Brasil em vários campeonatos das categorias de base. No ano passado, foi eleito o jogador mais valioso do Campeonato Paulista sub-19 e bateu vários recordes na edição 2014/15 da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB): pontos em uma só partida (44), eficiência (55) e cestas de três pontos (nove).
Além disso, foi cestinha da competição, com média de 20,8 pontos por partida, e integrou o quinteto ideal. Lucas também possui experiência de quatro temporadas como profissional no Pinheiros, já tendo disputado 90 partidas no Novo Basquete Brasil.
O ala/pivô participou nos Estados Unidos de período de treinamento específico na Academia IMG, situada na Flórida. Lá, Lucas teve a companhia de outro jogador do Pinheiros inscrito no draft, o armador Georginho. Além deles, o armador Humberto, também do Pinheiros, e o ala Danilo Siqueira, do Minas, têm seus nomes na lista da seleção da liga norte-americana.
Dos 91 jogadores inscritos, 48 atletas são oriundos de faculdades e institutos de graduação nos Estados Unidos e 43 são internacionais. Os candidatos têm até o dia 15 para retirarem seus nomes da lista.
Mococa afirma que a intenção de Lucas Dias é manter o nome nesta edição do draft. “No caso dele é neste ano mesmo, é o ano em que ele faz 20 anos. Hoje, a idade é um fator limitante no basquete mundial. Serão mais de 90 nomes, algo muito difícil. Mas eu acho que é o melhor momento da carreira dele para tentar isso”, analisa.
Com experiência de conhecer Lucas desde criança, Mococa aponta as qualidades que o fizeram se destacar no cenário nacional. “Ele sempre teve cabeça muito boa, é um menino muito equilibrado. E sempre teve muita facilidade nos fundamentos” avalia.
O técnico conta que a convivência com o irmão, também jogador, foi um diferencial. “Ele foi iniciado no basquete pelo irmão, Diego. Ficou conosco um tempo e em uma destas transições, recebeu proposta do Pinheiros, o que foi muito bom para a carreira dele”, relata Mococa. O pivô Diego Dias, de 23 anos, defende atualmente o time de Assis.
Expectativas e experiência
Lucas Dias, em entrevista ao blog Vinte e Um, de Giancarlo Giampietro, falou sobre suas expectativas para o Draft e do sonho de jogar na NBA. “Acho que cada jogador de basquete que pega uma bola começa a sonhar com a NBA. Seria uma satisfação fechar esse ciclo com uma grande notícia, de estar lá. Aí começaria um novo ciclo, lembrando o que passei”, declara. O bauruense, no entanto, não mostra uma obsessão pela oportunidade imediata. “Agora, se não for para este ano também, não vou me decepcionar. Vou ficar pensando uns três meses nisso, claro, mas depois segue em frente”, pondera.
Classificado como ala/pivô, Lucas afirma que é versátil e pode exercer outras funções. “Vai depender da ocasião, não tenho preferências. Na Copa América Sub-18, no nosso time sub-22, falavam também em me usar como um três (ala), para o time ficar mais alto, forte no rebote. Não tem posição fixa. Acho que depende do jogo, cada um pede uma coisa. Entre as duas posições, acho que consigo render da mesma forma”, avalia.
Sobre o período que passou treinando na Academia IMG, situada na Flórida, o jogador afirma que acumulou experiência e ampliou seu entendimento sobre o basquete. “Foi pauleira. Você aprende umas coisas diferentes, uns detalhes que nunca percebe de movimento de perna, em seu arremesso, seu corte, bloqueio, tomar posição no pivô, jogar lá dentro, etc. Uns detalhezinhos que você acha que já estão certos, mas que podem ser corrigidos. Ali aprendi muito”, considera.
O período mudou a consciência do Lucas sobre seu potencial no basquete. “Aprendi que preciso melhorar demais, mas que posso chegar a um nível alto, que tenho capacidade, o talento e o físico. Você não para nunca, é o tempo inteiro com eles cutucando. Na primeira noite nem consegui levantar da cama direito, algo que nunca havia sentido. A intensidade muito alta. Se treinar com aquela intensidade, sei que posso melhorar muito. Acho que minha cabeça voltou diferente”, conclui.
Quase parou
O técnico Mococa foi fundamental para a consolidação da carreira de Lucas. O treinador revela que o jovem chegou a pensar em parar de jogar quando ainda estava em Bauru. “Tive que buscá-lo na casa dele, ele iria parar mesmo. Conversei muito com ele, falei que seria o capitão do time. E, a partir deste jogo ele evoluiu, colocou em prática toda a confiança e foi indo”, lembra Mococa. Pode chegar à NBA.
