O HSBC anunciou nesta terça-feira (9), uma grande reestruturação de suas operações globais, com planos que incluem a venda de operações no Brasil e na Turquia, o corte de 50 mil funcionários e uma aposta maior no mercado asiático. Com as medidas, o banco, que é o maior da Europa, pretende reduzir seus ativos em 25% do total e economizar até US$ 5 bilhões, recuperando a rentabilidade que há algum tempo está em queda. A promessa do HSBC aos investidores é entregar, em 2017, um retorno de 10% ao seus acionistas.
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A reestruturação é parte de uma segunda tentativa do presidente Stuart Gulliver de elevar os lucros do banco |
Metade dos cortes, anunciados hoje, virá das vendas dos negócios na Turquia e no Brasil. No fim de 2014, a instituição empregava 258 mil pessoas e a meta é chegar a 208 mil até o fim de 2017. Ainda assim, o banco garante que, nesse período, fará novas contratações em negócios com potencial de crescimento.
A redução no total de ativos será da ordem de US$ 290 bilhões nos próximos dois anos, afetando principalmente a divisão de "Global Banking e Mercados" - ramo que atende grandes empresas. Esse segmento, que hoje responde por 40% do balanço do HSBC, passará a responder por menos de um terço.
A reestruturação é parte de uma segunda tentativa do presidente Stuart Gulliver de elevar os lucros do banco. No comando do HSBC desde o início de 2011, o executivo viu sua tentativa anterior se frustrar por conta dos altos custos com compliance, multas, taxas de juros baixas e crescimento lento.
A nova investida, no entanto, ocorre em um momento delicado para a instituição financeira. No início do ano, o HSBC se envolveu numa série de escândalos e sua filial na Suíça virou personagem central de uma investigação por crime de lavagem de dinheiro. Em um acordo firmado no início do mês, o banco se comprometeu a pagar US$ 43 milhões para encerrar a investigação.
Os resultados também não ajudaram na missão de Gulliver de aumentar a rentabilidade do banco. A operação brasileira foi uma das que mais puxaram para baixo os números financeiros do HSBC. No ano passado, a filial teve prejuízo de US$ 247 milhões: o pior resultado entre todas as filiais latino-americanas. O Brasil vinha registrando perdas desde 2013 e a Turquia, desde 2012.
Hoje, durante o evento em que detalhou a reestruturação do banco, Gulliver explicou com naturalidade a decisão de sair do mercado brasileiro. "Os negócios têm gerado resultado abaixo do esperado no Brasil, Turquia, México e EUA. O que vamos fazer é vender o Brasil e a Turquia e mudar no México e nos EUA", disse Gulliver, ao ressaltar que a filial brasileira vai se restringir a uma pequena operação para atender grandes empresas. "Vamos manter uma modesta presença no Brasil."
No País, o banco tem 10 milhões de clientes, atendidos por uma rede de 853 agências. É a sexta maior instituição financeira em ativos e emprega 21,4 mil funcionários. Tem ainda a financeira Losango, que financia compras na agência de turismo CVC e nas lojas Hering e Colombo. Entre os candidatos à compra da filial, estão o Bradesco, o Itaú e o Santander.
Entraves
O primeiro problema enfrentado pela filial brasileira, segundo o executivo, é do próprio banco. No Brasil e na Turquia, o HSBC sofre com a falta de escala. Para ser o terceiro maior banco dos dois mercados, o executivo explicou que as filiais teriam de multiplicar o total de ativos em mais de seis vezes. Com US$ 63 bilhões de ativos, o HSBC está muito atrás do quinto maior banco do País, o Santander, que tem US$ 225 bilhões.
O outro entrave é estrutural e diz respeito à falta de abertura comercial do País. "Brasil e Turquia são economias mais fechadas com pequeno porcentual das exportações sobre o Produto Interno Bruto", disse. Números apresentados pelo executivo mostram que as exportações brasileiras, por exemplo, respondem por 10% do PIB. O mesmo indicador está em 31% no México, onde o banco continuará operando. "Lá o quadro é diferente: a economia é aberta e há 11 reformas em curso."
A principal aposta do HSBC, porém, está na Ásia. O banco quer desenvolver negócios na província de Guangdong e na região da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Atrás do dinheiro das economias emergentes na Ásia, o banco que carrega as iniciais de Hong Kong and Shanghai Banking Corporation pode deixar Londres para retornar ao Oriente. Gulliver disse que a última das dez medidas para melhorar os resultados financeiros do banco é a mudança de sede "para maximizar o valor de longo prazo dos acionistas".
Essa decisão será tomada até o fim de 2015 e, entre os critérios para decidir o endereço, está a "importância econômica e o crescimento futuro". A aposta dos analistas é de que o banco voltará à Ásia 150 anos após a fundação. O HSBC foi fundado por um escocês, em Hong Kong.
