O clima esquentou na última sessão da Câmara de Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru). Após um desentendimento entre a presidente da Casa, Mara Silvia Valdo (PTB), e o vereador Edson Rinaldo Spirito (PPS), a Polícia Militar (PM) teve de intervir para que o parlamentar se retirasse do plenário. Os vereadores se reúnem quinzenalmente, sempre nas segundas-feiras à noite.
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Como o parlamentar se recusou a sair da Casa, a presidente Mara Valdo suspendeu a sessão por 15 minutos até a chegada da polícia |
De acordo com a presidente do Legislativo, Spirito fez uso da palavra e acusou a vereadora de ter assumido o crédito por conseguir uma verba estadual de R$ 1 milhão para asfaltar parte do anel viário do município. O valor teria sido adquirido pelo parlamentar há pouco mais de um mês. Na vez de Mara falar, ela tentou se defender, mas foi interrompida diversas vezes por Spirito. “Por conta disso, eu pedi para que ele se retirasse”, narra.
Além disso, a presidente da Casa interrompeu a sessão e decidiu chamar a polícia para que retirasse o vereador do local, que teria se recusado a sair. Quando os militares chegaram, Spirito resolveu deixar o Legislativo e a sessão foi retomada. Mara acredita que o parlamentar não tenha gostado do requerimento que ela propôs para investigar a esposa de Spirito, que ocupa um cargo em comissão na prefeitura, e não estaria cumprindo a jornada de trabalho.
Diante da confusão, a presidente da Casa chegou até a registrar um boletim de ocorrência (BO) contra o vereador e se reunirá hoje com a procuradoria jurídica do Legislativo para decidir quais medidas tomará a partir de agora. “Ele desrespeitou o regimento interno na Câmara, que proíbe interrupções enquanto um vereador, principalmente a presidente da Casa, estiver fazendo uso da palavra”, argumenta.
Defesa
Já Spirito declara que só tinha a intenção de se defender. “Eu consegui uma verba para asfaltar parte do anel viário de Dois Córregos e ela disse que a verba era dela”, conta. Por conta desta acusação, o vereador acredita que Mara tenha se exaltado quando fez uso da palavra e ele interrompeu para se defender. “Não foi falta de decoro, eu acredito que tenha sido um abuso de autoridade por parte da presidente da Câmara”, pontua.
Em relação ao cargo que a esposa de Spirito ocupa na prefeitura, o vereador rebate que, além de não ter se ofendido com a solicitação, votou a favor dela. O parlamentar, contudo, não soube dizer qual cargo a mulher ocupa no Executivo. “Os vereadores têm mesmo de investigar se houver algo errado. Quanto à discussão, só estava me defendendo. Em três mandatos, nunca me envolvi em brigas e vou conversar com meu advogado ainda nesta semana”, finaliza clandestinos.
Outro caso
Conforme o JC já noticiou, nove vereadores registraram boletim de ocorrência (BO) por desacato e desobediência contra o representante comercial Everton Thomaz, o Marrom, acusado de tumultuar a sessão da Câmara de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), no dia 25 de maio deste ano. Ele teria se manifestado de forma ofensiva durante a reunião ordinária e “atrapalhado” os discursos dos políticos. A polícia foi acionada e, após o término da sessão, vereadores e acusado foram parar na delegacia.
