Eu jamais imaginava que a fantástica Casa do Ão com todos os meus brinquedos originais de infância fosse encantar tantos artistas internacionais, nacionais e profissionais locais, que vieram conhecer o meu singelo Teatro em Casa e também o meu jeito diferente de fazer teatro. E participar de um Festival Internacional de Teatro de Bonecos, o quinto Boneco gira Boneco, foi algo mágico, único e majestoso na minha vida de artista brincante. O palco Tia Maria já sabia, recebeu uma energia encantadora do Dona Efigênia Rolim, a rainha do papel de bala e do artista plástico miniaturista Hélio Leites, entre outros renomados artistas, num encontro de brincantes que emocionou o público presente. Dona Efigênia abençoou o ATUCAEC com a sua inspiração infinita e ainda doou obras do seu acervo simplesmente porque sentiu que eu precisava de uma motivação para continuar a minha missão de artista brincante.
O Boneco gira Boneco tratou todos os artistas, sem exceção, participantes ou não do Festival, com um respeito digno dos profissionais que são e tudo num ambiente de luz, união, espontaneidade e alegria. Vi espetáculos grandiosos, vanguardistas, uns tão simples e tão belos, não tinha nada, mas tinha tudo, outros tão complexos tecnicamente e inesquecíveis, circo e boneco, butô e plasticidade, cinema e sombra, HQ e desenho animado, numa fusão primorosa de linguagens. O nível dos espetáculos foi altíssimo, uma variedade de propostas e moções diferentes, que me fizeram rir e chorar também. Vi ainda o despertar de futuros bonequeiros, motivados pela grandeza do Festival e percebi ali um celeiro de novos talentos e também um olhar referencial para Bauru, algo que a nossa cidade não tem limites para voar alto como um Pequeno Príncipe, ou simplesmente sonhar com um fantástico circo de papel ou então dar vida a uma tela de Portinari num curta premiado e abençoado por Santa Luzia, exibido em sessões diárias para o público que ainda podia ver os mesmos bonecos do filme numa instalação plástica belíssima. Não é fácil juntar tantos parceiros, Leis de Cultura e gerenciar toda uma logística cultural para um evento dessa magnitude acontecer. O que percebi é que o Boneco gira boneco tem crescido a cada ano em Bauru e região, dando também oportunidades profissionais aos nossos artistas locais. Parabéns ao Kin, à Mariza Basso e a todos que deixam a nossa vida com formas mais animadas a cada instante em que um artista brincante simplesmente dá vida a um boneco que tem um sincero olhar no nosso coração chorão.
Manoel Fernandes, um brincante
teatral idealizador do ATUCAEC