Cultura

"Deste lado ou do outro eu sinto que vou te amar"


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Joel Rodrigues

Fãs formam fila em velório de cantor e namorada

A trágica morte do cantor Cristiano Araújo na madrugada de ontem imediatamente levantou, novamente, reflexão sobre uso de cinto no banco traseiro. A perícia deve confirmar que o artista de 29 anos e a namorada, Allana Moraes, 19, vítimas fatais entre Morrinhos e Pontalina, perto de Goiânia, estavam sem o acessório – conforme descrevem socorristas que estiveram no local. Os dois ocupantes da frente estavam de cinto e sofreram ferimentos leves. Não havia embriaguez no motorista, Ronaldo Miranda, também segurança de Cristiano. 

 

No Estado de São Paulo, a Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), parceira da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), participou de campanha, em 2014, para incentivar o uso do cinto traseiro. Pesquisa estadual indicou que  53% dos passageiros no banco traseiro não usam o cinto. 

 

Em 13 de junho deste ano, o JC voltou ao tema para mostrar que 1.265 motoristas e passageiros foram flagrados em Bauru sem o uso do dispositivo. Do total de multas, 106 foram confeccionadas devido à ausência do cinto exclusivamente em passageiros, incluindo os ocupantes do banco traseiro de veículos. 

 

Segundo Pesquisa Nacional de Saúde, metade da população do País (49,8%) não usa o cinto de segurança no banco de trás. A Range Rover nova do cantor, destruída no acidente, tinha pelo menos oito air bags. 

 

Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Fabrício Rosa, todos os indícios apontam para a falta do uso de cinto traseiro. “Allana foi arremessada a cinco metros de distância do carro, e o cantor também estava no chão, ao lado do carro.”  

 

A morte de Cristiano, que deixa dois filhos, foi anunciada às 8h30, cinco horas depois do acidente. O  velório aberto ao público, começou às 17h em Goiânia, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Fãs estavam extremamente comovidos. Colegas famosos também lamentaram. O sepultamento será nesta quinta, 25-6, no Cemitério Parque Jardim das Palmeiras, às 11h, na mesma capital.

 

Histórico

 

De família ligada à música sertaneja, o cantor goiano Cristiano Araújo começou a cantar ainda criança. Ele tocava violão desde os seis anos e se apresentava em festivais e shows sertanejos. Chegou a formar dupla com outros durante a adolescência, mas assumiu a carreira solo após os 21 anos. 

 

Destacou-se como compositor e se consagrou nacionalmente a partir de 2010 com sucessos, shows e DVDs que atraíram milhões de fãs por conta de hits como as canções “Efeitos”, “Mente pra Mim”, “Maus Bocados” e “É Com Ela Que Eu Estou”, que estourou em 2014. Uma outra canção é “Deste Lado ou de Outro”, na qual canta: “Deste lado ou do outro eu sinto que vou te amar / Pra sempre eu vou te amar”. 

 

“É triste. Era a melhor voz dos últimos tempos”

 

A repercussão da morte do cantor Cristiano Araújo entre músicos, especialmente os sertanejos, chama a atenção também em Bauru. Juninho Marques, percussionista da banda sertaneja Os Kpangas, acompanhava o trabalho de Cristiano desde seu primeiro show na região, há cerca de três anos.

 

“Ele cantando com banda, violão e voz ou no CD era a mesma coisa, pois era muito bom. Para mim, é a melhor voz dos últimos tempos, vai ser difícil alguém o substituir”, opina o músico bauruense, que conheceu Cristiano em novembro de 2012. “A alegria, a presença de palco, o carisma e a voz dele vão ficar para sempre. O Cristiano brincava com todo mundo, era bem pra cima. Ele escreveu algumas músicas e interpretava muito, fica como referência para nós”, comenta.

 

“É muito triste ter ido no auge. Hoje o dia está estranho para mim. Nunca conseguiria expressar uma homenagem para ele em palavras, só mesmo no show, tocando”, finaliza o integrante do grupo Os Kpangas, que tem no repertório “Hoje eu tô terrível”, “Maus bocados” e “Cê que sabe”, sucessos de Cristiano. 

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