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Doenças de inverno são 50% dos casos na saúde pública

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

A chegada do frio ameniza o desconforto de dias quentes, mas acende um alerta à população. É nesta época do ano que aumentam os problemas respiratórios, principalmente em idosos e crianças, sobrecarregando ainda mais a já sobrecarregada rede pública de saúde.


Nas seis unidades de urgência e emergência de Bauru, cerca de 700 pacientes ao dia (50% do total) apresentam sintomas das doenças de inverno - relacionadas à gripe: resfriado, sinusite, rinite e pneumonias. Já os casos de meningite caíram 42% (leia mais ao lado).


A informação foi prestada ontem pelo Diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Sabbag. Algumas pessoas apresentaram sintomas até da síndrome respiratória aguda grave por Influenza (H1N1), mas, felizmente, nenhum caso da doença foi registrado no município.


No inverno, conforme explica Sabbag, são cerca de 1.400 pacientes atendidos a cada dia no Pronto-Socorro Central (PSC), Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). Deste total, em média, 700 foram acometidos por infecções nas vias aéreas. Segundo o diretor, o aumendo da demanda por conta dessas doenças é de aproximadamente 20%.


“O volume de pessoas que procuram ajuda médica com essas infecções cresceu de 30%, normalmente registrado pelas unidades de saúde, independente da época do ano, para 50%”, pontuou. “O aumento é em relação ao perfil do doente, que apresenta problemas respiratórios”, acrescenta.

Éder Azevedo

Franciane teve que levar Pietro, 6 meses, até o PAI: “Foi começar o frio que ele ficou doente”

‘DANDO AS CARAS’


Alguns dias de baixa temperatura já foram suficientes para os problemas de saúde “darem as caras” na casa da promotora de vendas Franciane França dos Santos, 26 anos. Nessa segunda-feira (6), ela precisou levar o filho Pietro, de apenas seis meses de vida, pela primeira vez ao PAI.


“Desde quando ele nasceu, nunca tinha ficado doente. Foi só começar o frio que o narizinho dele começou a escorrer e teve um pouco de febre”, disse, enquanto aguardava consulta na sala de espera da unidade hospitalar.


O bebê não é o único que está doente na família. Franciane, que sofre de bronquite, já apresentou os sintomas da doença. “Sinto falta de ar e cansaço. Precisei recorrer a inalações e outros métodos caseiros, como deixar uma bacia com água embaixo da cama e toalha úmida na janela”.

Éder Azevedo

Juliano foi com a pequena Penelope ao PAI na manhã dessa segunda-feira (6)

As crianças, de fato, são as que mais sofrem no inverno. O pedreiro Juliano Torres Silva, 24 anos, também precisou levar a filha Penelope, de 1 ano e meio, ao PAI. Ela começou a sentir os sintomas da gripe no sábado. “Reclamou de dor de cabeça, colocava a mão no ouvido o tempo todo e estava com o nariz congestionado. No domingo, teve febre. Ela sempre fica doente nessa época”, afirmou.


Causas


O aumento dos casos de doenças respiratórias já é bastante perceptível, conforme observa a infectologista Maristela Pastore Oliveira. Ela também atribui a mudança dos números ao frio. “É uma época com ausência de chuvas, maior tempo de permanência das pessoas em ambientes fechados, além da pouca ingestão de água”, alerta.


É comum por conta do frio, como pontua a especialista, deixar janelas e portas fechadas por mais tempo. Ela reforça a importância de manter o ambiente arejado. “As pessoas ficam mais agrupadas e isso, muitas vezes, dificulta a circulação do ar e fica mais fácil a transmissão viral”.


Alerta 


Embora nenhum caso de síndrome respiratória aguda grave por Influenza (H1N1) tenha sido registrado neste ano em Bauru, as unidades de saúde pública já estão em alerta sobre os procedimentos de diagnóstico e tratamento.


Nos casos suspeitos, segundo Luiz Antônio Sabbag, além da realização do exame, o paciente é medicado com fosfato de oseltamivir (princípio ativo do conhecido Tamiflu).


A recomendação é procurar atendimento médico rapidamente quando houver manifestação dos principais sintomas - febre, em geral alta, dor de garganta, tosse, coriza, dor de cabeça, na musculatura ou nas articulações e, especialmente, falta de ar.

Caem casos de meningite


Os casos de meningite tiveram redução de 42%, conforme estatística apresentada pela prefeitura a pedido do JC. Os dados apontam 38 casos – entre a forma bacteriana, viral e fungos da doença – até junho deste ano, ante 66 pessoas infectadas no mesmo período de 2014.


A Divisão de Vigilância Sanitária analisou os dados de 2008 sobre a doença e informou que os números apresentados apontam “grande variabilidade na ocorrência ao longo dos anos”.


De acordo com o órgão, as meningites virais não possuem tratamento específico ou vacina, sendo controladas apenas por questões de higiene, comportamento e ambiente.


As meningites bacterianas também têm se mantido com oscilações e a diminuição de casos de um ano para outro não pode ser explicada pela vacinação por esse motivo. “Quando se trata de meningite bacteriana, a identificação do agente etiológico é de suma importância para identificarmos a necessidade de quimioprofilaxia cujo objetivo é prevenir o aparecimento de casos secundários. Existem algumas variáveis responsáveis pela variação como temperatura, presença de casos com comunicantes ou surtos, ausência de utilização de protocolo de higiene e locais com ventilação inadequada”.


Vacinação da gripe termina nesta quarta-feira


A campanha de vacinação contra a gripe segue até esta quarta (8) em Bauru. Pessoas que pertencem ao rupo de risco - idosos, indígenas, pessoas com doenças crônicas, profissionais de saúde, gestantes, mulheres que tiveram filhos nos últimos 45 dias e crianças com mais de 6 meses e menos de 5 anos de idade, detentos e funcionários do sistema prisional – que ainda não se vacinaram devem procurar uma unidade de saúde o quanto antes para se proteger.


De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até sexta, o índice de pessoas imunizadas atingiu 74,79% do total do público-alvo, estimado em 80.076.


Além dos grupos que já faziam parte, foram incluídos ainda motoristas, cobradores de ônibus, funcionários dos Correios, policiais, bombeiros e professores e funcionários do ensino fundamental e médio, das escolas públicas e privadas.

Dengue


A dengue ainda movimenta as unidades de saúde pública em Bauru. Apesar dos índices contabilizados pelo município e de mais casos terem sido confirmados nessa segunda (6), a tendência é que os números diminuam.


Segundo o diretor do DUE, Luiz Antônio Sabbag, a rede pública de saúde chegou a realizar 50 mil consultas por mês durante a alta de casos da doença na cidade. “Agora, são em torno de 40 mil pacientes consultados”, pontuou. 


Na última quinta-feira (2), conforme divulgou o JC, mais uma pessoa morreu em decorrência da dengue. A vítima foi um homem de 42 anos, morador do Jardim Carolina.

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