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| A Raízen demitiu em Barra Bonita, Jaú e Dois Córregos |
Crise na economia brasileira, excesso de açúcar no mundo e custo de produção superior ao valor de venda. Esse conjunto de problemas nos meses iniciais da safra de cana-de-açúcar confirmou a previsão pessimista feita pelo setor sucroenergético para a safra 2015/16 e já resultou no fechamento de usinas, em demissões e pedidos de recuperação judicial.
Uma das explicações para o problema, segundo diretores de usinas ouvidos e especialistas, é a baixa remuneração do açúcar e do etanol, frente a custos de mão de obra que crescem cerca de 10% ao ano. Para o diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, resta aos produtores processar a cana e colher, até pensando nas próximas safras, independentemente do cenário atual. “Não tem o que fazer, tem que enfrentar os problemas. É preciso processar e colher, caso contrário no ano que vem não haverá canavial a ser colhido”, afirmou.
Mais fechamentos
Segundo ele, o fechamento de usinas e pedidos de recuperação judicial ainda persistirão no decorrer da safra. “Temos notado uma deterioração da margem das usinas ao longo dos anos. A saída tem duas portas, que são a da geração de energia elétrica e corte na pele, de mão de obra e custos”, afirmou o pesquisador Haroldo Torres, do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), da Esalq/USP. A falta de rentabilidade do açúcar se explica pelo excesso do produto no mercado global. Em junho, a cotação chegou a ser a menor em seis anos e meio na Bolsa de Nova York.
Reflexo imediato da safra iniciada em abril de 2013 são as demissões. A Raízen, gigante do setor, demitiu em Barra Bonita, Jaú e Dois Córregos, segundo sindicatos de trabalhadores. Já a Usina Batatais, com unidades em Batatais e Lins, cortou mais de cem trabalhadores. A previsão do setor é que cerca de dez usinas encerrem as atividades na atual safra. Desde 2008, foram 50 paralisações, de um total de cerca de 370.
