| Aceituno Jr. |
![]() |
| Manifestantes chegaram a atirar pedaços de madeira, pedras e rojões contra as viaturas da polícia |
“Parecia uma praça de guerra”. É assim que uma testemunha descreve uma confusão entre membros de sindicatos e a Polícia Militar (PM), que ocorreu no início da noite dessa sexta-feira (24), na região do Jardim Bela Vista, em Bauru. Dois homens foram detidos acusados de atirar rojões contra a polícia, que foi acionada antes de uma assembleia, justamente para prevenir possíveis tumultos.
De acordo com o 1.º tenente Bruno de Oliveira, comandante interino da 1.ª Companhia da PM, por volta das 17h, duas viaturas chegaram antes de uma assembleia na quadra 2 da rua Alto Juruá, que poderia culminar na fundação do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem de Bauru e Região (desmembrando a categoria do já existente Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços em Saúde de Bauru).
“Algumas pessoas tentaram entrar, mas foram impedidas”, narra o tenente. Foi aí que a confusão se instalou e a polícia precisou do reforço de dez viaturas, 20 policiais e, até mesmo, do Helicóptero Águia. Oliveira acrescenta que houve confronto com a polícia, já que foram atirados pedaços de madeira, pedras e rojões contra as viaturas. Nenhum militar se feriu, mas dois homens que faziam a segurança particular do local ficaram machucados.
O trabalho da polícia se resumiu em desobstruir a via e dispersar as pessoas envolvidas no tumulto. Para tanto, foram utilizadas granadas químicas e munições de borracha. Depois que a confusão acabou, a polícia identificou dois homens que teriam atirado rojões contra as viaturas. Ambos foram encaminhados até a CPJ e têm passagem por, respectivamente, furto e roubo. Até o fechamento desta edição, eles ainda seriam ouvidos.
O tenente informa ainda que havia cerca de 100 pessoas em frente ao local do confronto e não identificou ninguém que portasse arma de fogo. Além disso, um morador da área encontrou uma garrafa de coquetel molotov e entregou aos policiais, que a encaminharam até a CPJ. O espaço que abrigou o tumulto foi isolado para que a Polícia Científica pudesse realizar o trabalho de perícia técnica.
Versões
Ivanilda Barbosa da Silva Rosa, que se identifica como presidente do, segundo ela, recém-criado Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem de Bauru e Região, explica que, além de pedir o apoio da polícia, contratou 20 vigilantes particulares para preservar a segurança dos cidadãos durante a assembleia que teria culminado no desmembramento da categoria do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços em Saúde de Bauru (Sessb).
Ivanilda conta que a assembleia culminou na criação da nova entidade e também do estatuto que a regerá e na eleição e posse da diretoria. Ela argumenta ainda que só permitiu a entrada de membros de técnicos e auxiliares de enfermagem, conforme previa o edital. “A assembleia contou com a presença de um tabelião, que lavrará uma ata pública”, reitera o advogado Hudson Chaves, que registraria um boletim de ocorrência (BO) por dano patrimonial e também lesão corporal.
Já a assessoria de comunicação do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços em Saúde de Bauru (Sessb) questiona o desmembramento da entidade e, consequentemente, a fundação de uma nova ao afirmar que a assembleia não teria ocorrido. Além disso, a instituição alega que as assembleias são públicas, principalmente aquelas que culminam na fundação de um novo sindicato. Portanto, qualquer um pode participar.
O Sessb aponta também que outras categorias deram apoio à entidade e tentaram participar da assembleia, mas foram barradas. Diante disso, o sindicato garante que nenhum membro da categoria esteve envolvido no confronto. “Foi uma atitude animalesca e que não condiz com a democracia nem com a defesa dos trabalhadores, principal finalidade de um sindicato”, finaliza a assessoria de comunicação.
