A paralisação dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chega ao 24.º dia em Bauru. Os trabalhadores reivindicam, principalmente, reajuste salarial, melhores condições de trabalho e contratação de mais profissionais. Por conta da greve, apenas as perícias já agendadas estão sendo realizadas e alguns segurados já sentem o efeito da paralisação.
Este é o caso da advogada Sandra Aparecida Chiodi Martins, 45 anos. Ela havia agendado a aposentadoria por tempo de contribuição de um cliente, no dia 19 de junho deste ano, para essa quarta-feira (29), às 13h30. Contudo, a mulher não conseguiu entrar na Agência da Previdência Social (APS). “Lá, fui informada de que o órgão só estava fazendo perícias agendadas”, narra.
Sandra não tira o mérito da greve, já que, para ela, servirá para melhorar o atendimento aos usuários. Por outro lado, a advogada critica o fato de os dois canais de comunicação do INSS não informarem os serviços que estão sendo prestados durante a paralisação. “Um colega, que também é advogado, disse que conseguiu ser atendido na agência”, acrescenta.
Inclusive, antes de se deslocar até o INSS, Sandra procurou no site do órgão, onde não constava a informação que precisava, e ligou para o 135, mas ninguém soube esclarecer a dúvida da advogada. Portanto, ela foi até a agência, mas não conseguiu obter o que queria. “Os funcionários me informaram que a data de atendimento seria remarcada”, explica.
Adesão
Serviços do INSS estão parcialmente paralisados desde o dia 7 de julho. Na semana passada, cerca de 30 trabalhadores do instituto participaram de uma passeata, que partiu da agência, na rua Azarias Leite, rumo à gerência do órgão, localizada na rua Rio Branco. De acordo com o diretor estadual e da delegacia regional do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo (Sinsprev), Felipe Antonio Neto, a adesão já chega a 60% em Bauru.
Conforme o JC noticiou no dia 22 de julho, a categoria reivindica reajuste de 27,6% e incorporação das gratificações vinculadas à produtividade, bem como melhores condições de trabalho e contratação de mais funcionários. Em relação ao atendimento dos segurados, o diretor da entidade reitera que apenas as perícias já agendadas estão sendo realizadas. “Nós não paramos porque quisemos. Paramos porque a situação está insustentável”, defende.
Neto acrescenta ainda que as negociações junto à União ocorrem quase que diariamente, mas, segundo ele, muito pouco é oferecido à categoria. “Já ofereceram reajuste de 21% em quatro anos, fato que indica que só conseguiremos nova alteração salarial depois de 2020. Outro ponto negativo é que, com a inflação neste patamar, se aceitarmos a proposta, teremos uma perda de 5% ou 6%”, justifica.
O diretor do sindicato pede paciência aos usuários, uma vez que uma das reivindicações visa a melhoria do atendimento ao público. Além disso, Neto orienta a população a procurar atendimento nas unidades de Marília e Ourinhos, que ainda não aderiram à greve. Para comentar a paralisação dos servidores em Bauru, o JC procurou o gerente executivo do INSS no município, Josué Lopes, mas ele estava viajando e não foi possível localizá-lo.