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2015 já iguala marca histórica de óbitos por dengue em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Facebook/Reprodução
William Agua Nova morreu 13 dias antes de completar 72 anos

No final da tarde dessa quinta-feira (31), a Secretaria de Saúde de Bauru confirmou mais uma morte por dengue na cidade. A sexta vítima da doença em 2015 é o bancário aposentado e William Agua Nova, de 71 anos, que morava no bairro Santa Luzia e morreu em 13 de abril, três dias após apresentar início dos sintomas. O fato torna ainda mais preocupante a epidemia da doença na cidade, já que apenas no primeiro semestre deste ano, Bauru já iguala o recorde de mortes, que foi registrado em 2011.

Além de mais uma vítima fatal, a secretaria atestou ontem também 253 novos casos de dengue no município, sendo 250 autóctones e três importados. Pela primeira vez, a cidade passa dos 8 mil casos. São 8.193 registros de dengue, sendo 8.113 autóctones e 80 importados.  

Sexto óbito

Morador do Santa Luzia, William foi submetido a uma cirurgia e havia vencido a luta contra um câncer no esôfago cerca de um ano antes de contrair dengue.

Segundo o prontuário médico, em consequência da doença, ele apresentava certa fragilidade por conta de um quadro de desnutrição de anemia.

Filha da vítima, Ana Agua Nova ressalta, contudo, que seu pai, apesar da fragilidade provocada pela quimioterapia, estava bem de saúde antes de começar a apresentar os sintomas da dengue.

“Ele era uma pessoas bem ativa”, pontua. “Antes de ser internado, na sexta-feira, ele tinha ido três vezes ao hospital e, nas duas primeiras, mandaram ele de volta para casa. Quando foi internado já estava bem fraco e desidratado. Acabou tendo morte cerebral no sábado à noite, mas o falecimento só foi atestado mesmo um dia depois”, comenta Ana.

Ela também afirma que, na época em que seu pai contraiu a doença, vizinhos da casa da família, que ficava na quadra 3 da rua José Antônio Barreto, também pegaram dengue.

“O bairro possui muitas áreas de mato, que ajuda na proliferação de mosquitos. Também me lembro de um vazamento de água que demorou mais de 15 dias para ser consertado. Tudo isso pode ter ajudado a dengue a se alastrar”, critica Ana.

Após a morte, a família mudou-se para o município paulista de Casa Branca (249 quilômetros de Bauru).

Amante da vida

Ex-funcionário do antigo banco Banespa, antes de vir a Bauru, William morou muitos anos em Dracena.

Foi descrito pela filha como uma pessoa alegre, amante da música e da vida e que adorava conversar sobre qualquer assunto.

Na ocasião de sua morte, várias pessoas lamentaram a perda por meio do perfil dele nas redes sociais.

Além de Ana, do filho Fernando e de netos, ele deixou a esposa, Claudomira Agua Nova, a quem carinhosamente chamava de “Lica”.

O corpo dele foi enterrado no Cemitério da Saudade na mesma data de sua morte.

Fórum Regional

Em matéria publicada pelo JC no dia 2 de julho, o secretário de Saúde Fernando Monti já antecipava que a cidade viveria, neste ano, a pior epidemia de sua história.

Ao falar sobre os números, ele disse que estava organizando junto à Sucen um Fórum Regional para debater a doença e revisar “de forma honesta” as ações que têm sido colocadas em prática pela Prefeitura de Bauru, além de e buscar outras formas e tecnologias de combate à infestação do mosquito Aedes aegypti. O encontro deve ocorrer em setembro.

Das 6 pessoas que morreram, cinco eram idosos

Cinco das seis pessoas que morreram por dengue em Bauru neste ano tinham algo em comum: a idade avançada.

O primeiro óbito do ano foi de um homem de 80 anos, que morava no Jardim Santana. Ele começou a ter os sintomas no dia 28 de fevereiro e morreu em 6 de março.

O segundo caso foi de uma mulher de 73 anos, que vivia no Jardim Carolina, desenvolveu os sintomas a partir de 27 de fevereiro e faleceu no dia 7 de março.

A terceira morte acometeu outro homem, de 74 anos, morador do Octávio Rasi. Ele começou a sentir os sintomas no dia 2 de março e morreu após oito dias. Os nomes não foram fornecidos pela prefeitura.

Conforme apurou o JC, Severino Dario, 89 anos, foi a quarta vítima da dengue neste ano e morreu no dia 14 abril. Morador do Parque Paulista, Severino era cardiopata e possuía, ainda, doença renal crônica, hipertensão e diabetes. Segundo a família, antes de morrer, ele permaneceu internado por 11 dias.

O quinto óbito provocado pela doença foi de um homem de 42 anos (o nome também não foi fornecido), morador do Jardim Carolina, que morreu no dia 13 de junho, após apresentar os primeiros sintomas em 27 de abril. O paciente, segundo a secretaria, possuía histórico de outras doenças, como: alcoolismo, epilepsia, sequela de Acidente Vascular Cerebral (AVC), asma, hipertensão arterial e insuficiência renal crônica, que acabaram favorecendo a evolução da doença de forma rápida.

 

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