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Trabalhadores recusam plano de recuperação proposto pela Ajax

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Os trabalhadores da Ajax rejeitaram o plano de recuperação judicial com o acerto de débitos apresentado em assembleia de credores realizada na tarde de ontem, em Bauru. Sem acordo, o caso volta para as mãos do Poder Judiciário, que pode decretar a falência da empresa e os 1.100 funcionários seguem, assim, sem perspectivas de receber seus salários de dezembro, quando as atividades da fábrica de baterias foram interrompidas, além de outros benefícios, como férias e décimo terceiro.

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e Região, Cândido Augusto Gonçalves Rocha afirma que a proposta oferecida não contemplou as necessidades dos trabalhadores nem a legislação que versa sobre a recuperação judicial de empresas.

“Queriam fazer um aporte de R$ 10 milhões a ser pago em até seis meses, mas a lei diz que os funcionários têm direito a receber o valor de pelo menos um salário mínimo em até 30 dias depois do aceite do plano. A sugestão dos representantes da Ajax não garante esse direito”, observa.

Além disso, Cândido Rocha afirma que só a dívida de natureza trabalhista da fábrica de baterias chegaria a R$ 30 milhões. “Os débitos totais, incluindo os outros credores, chegam a R$ 400 milhões. Ou seja, com o que ofereceram deixaria quase nada para todo mundo”.

A Ajax, por sua vez, informou ao JC que o valor devido aos funcionários sujeitos à recuperação é equivalente a quase R$ 7 milhões, mas que poderia providenciar R$ 11,5 miulhões com a venda de imóveis. Advogado que representa a empresa neste caso, Aires Vigo, pontua ainda que foram disponibilizados imóveis avaliados em R$ 80 milhões. Dessa forma, 100% dos débitos poderiam ser quitados.

O Sindicato dos Metalúrgicos alega que os valores dessas propriedades foram superestimados, mas a empresa garante que o cálculo foi feito por uma empresa independente, idônea e com credibilidade.

Tempo longo

 

As partes envolvidas já haviam, sem sucesso, tentado chegar a um acordo há dois meses, quando foi marcada a assembleia desta quarta-feira. Agora, o andamento do processo depende da formalização da ata da nova reunião, que será remetida à 5ª Vara Cível de Bauru, onde a falência da Ajax poderá ser decretada e, com isso, a quitação das dívidas seria postergada pela batalha judicial que se iniciaria a partir de então.

“Com o caso na Justiça, a empresa vai recorrer ao Tribunal de Justiça e, posteriormente, se necessário, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O trâmite pode se estender por três a cinco anos, pelo menos. Enquanto isso, ninguém recebe nada. Não entendemos o motivo de o sindicato não ter aceito a proposta”, declarou ontem o advogado da fábrica, Aires Vigo.

INDISPOSIÇÃO

 

O dirigente sindical Cândido Rocha admite o risco da “demora” em caso de decretação de falência, mas pondera que, ao longo de todo esse tempo, a empresa nunca se portou de forma a demonstrar interesse em se recuperar, mas sim de postergar seus problemas. 

“Tanto é que ninguém viu a cor do dinheiro. São mais de 1.000 pessoas com salários que não foram pagos e 250 trabalhadores que ainda estão sem a baixa na carteira. Até quando vamos esperar que honrem com seus compromissos?”, questiona.

Cândido Rocha informa que todos os tipos de credores também rejeitaram a proposta da Ajax. Além dos trabalhadores, há aqueles que possuem garantias da empresa – como hipotecas ou penhoras – e os que não as têm (demais fornecedores).

 

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