| Alex Mita |
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| Guaracy Sete Cordas e Marquinho do Pandeiro, dignos membros da Velha Guarda da Portela |
Um amor que se foi, um amor pela escola a desfilar na avenida, as durezas do dia a dia, as histórias do morro e as belezas da vida: para todos os assuntos há um samba como resposta – e, mesmo se o enredo é triste, não falta uma pitada de alegria. “O sambista está sempre alegre, de bom humor; tristeza não paga dívida!”, brinca Marquinho do Pandeiro, que com Guaracy Sete Cordas se apresenta nesse domingo (16), na Feijoada do BTC (Bauru Tênis Clube), a partir do meio-dia. Na quinta-feira, eles visitaram o JC.
Autênticos representantes da Velha Guarda da Portela, com padeiro, violão, muito gogó e músicos de apoio de Bauru, os sambistas cantam suas próprias composições, clássicos da Escola de Samba Portela, do Rio de Janeiro, e sambas de “outros bambas”, como eles próprios dizem.
Para entrar no clima, haverá distribuição dos chapéus típicos dos sambistas cariocas e passistas das escolas de samba bauruenses “afilhadas” da Portela: Cartola e também Azulão do Morro.
Vindos diretamente do Rio de Janeiro, Marquinho do Pandeiro, 70 anos, e Guaracy Sete Cordas, 77, têm uma longa história de amor e música com a Portela; e há 11 e 21 anos, respectivamente, fazem parte da Velha Guarda – que acaba de completar 45 anos. O objetivo é não deixar morrer o verdadeiro samba, cadenciado, sem intenção comercial nem cronometrado. Atualmente são 10 membros ativos em shows, entre as pastoras, os compositores e os músicos, que se apresentam juntos ou em formações diversas e até com outros artistas. “Para fazer parte da Velha Guarda Show tem que ter um passado de glória, uma dignidade e uma construção musical”, orgulha-se, com razão, o Marquinho, vencedor de vários concursos de samba.
Ele comunica que em julho o grupo conquistou uma vitória: gravar um DVD da Velha Guarda da Portela com 19 sambas de raiz compostos por seus componentes, com participações de Paulinho da Viola, Teresa Cristina e Maria Rita, a ser lançado ainda esse ano.
Histórias e canções memoráveis não faltam. Ao lembrar da Portela, de suas próprias trajetórias e composições, os sambistas contam, cantando, com suavidade e à capela, melodias e letras “puxadas” perfeitamente da memória e da alma. “Nós trazemos o samba do berço, não tem como explicar. Para compor, há inspiração que enquanto você não termina, não sossega, aquilo pega na gente”, partilha Guaracy, antes cantar sua composição “Maria Pequena”, gravada por Elza Soares, contando a vida da porta-bandeira que deu a luz na avenida: “Assim nasceu mais um sambista!”, diz a canção.
“O samba nos dá vontade de cantar mais um samba”, ri Marquinho do Pandeiro. “O samba é uma filosofia de vida, minha filha, porque só traz alegria para o coração, não tem como ficar triste, inebria e acalma”, conclui por experiência própria.
Serviço
A Feijoada do BTC será nesse domingo (16) às 12h, na sede do clube. Os convites custam R$ 50,00 e R$ 60,00 (1º e 2º lotes para sócios), R$ 60,00 e R$ 70,00 (1º e 2º lotes para não-sócios). Informações e convites: (14) 3235-0500 e 9 9608-9034.
