Bairros

Sem verba, prefeitura suspende recape e asfalto novo próprios

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
Com a suspensão, rua Luiz de Oliveira Neto, na Vila São Paulo, fica sem previsão de ser asfaltada

Os serviços de pavimentação nova e recape executados diretamente pela Prefeitura de Bauru, por meio da Secretaria de Obras, estão suspensos a partir de hoje, durante, pelo menos, um mês e meio. A informação foi confirmada ontem à noite ao JC pelo próprio titular da pasta, Sidnei Rodrigues, que vem fazendo “malabarismo” com o orçamento para manter a usina de asfalto em plena atividade. A medida pode se estender até o fim do ano, o que suspenderia, por exemplo, mais de 180 quadras de recape na cidade.

Rodrigues se reuniu no final da tarde de ontem com o secretário municipal de Finanças, Marcos Garcia, para dar sobrevida ao trabalho da usina. Segundo o secretário de Obras, no Orçamento de 2015, a previsão é que R$ 3 milhões seriam injetados na usina, mas apenas metade do valor (R$ 1,5 milhão) foi direcionado para esta finalidade, o que explica o momento atual. “Com o dinheiro que a gente tem hoje, daria para tocar só até o final do mês. Conversando com o Marcos Garcia, conseguimos mais um mês, aproximadamente R$ 200 mil”, explica Sidnei Rodrigues, garantindo portanto o tapa-buraco até setembro.

Na reunião, houve a tentativa de que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) assumisse o custo com material de setembro até o final do ano, mas a autarquia também considerou que não seria possível, por não ter caixa para isso. Uma nova reunião vai ocorrer na segunda quinzena de setembro, para definir como a usina de asfalto vai trabalhar nos últimos três meses de 2015.

Suspenso

 

Para manter pelo menos o serviço de tapa-buraco, a Secretaria de Obras não teve escolha, e precisou interromper novas pavimentações com material da usina, que, operando em capacidade máxima, produz material para asfaltar uma quadra por semana, e recapear duas quadras por dia.

Na última semana, as equipes da prefeitura se concentraram em duas ruas no Jardim do Contorno, com a conclusão dos serviços ontem. Já no final da tarde, o secretário Sidnei Rodrigues determinou que, a partir desta terça-feira, não haverá recape e asfalto próprios pelo menos em agosto e setembro – e como não há garantia de liberação de verba, a suspensão pode permanecer até o final de 2015.

No asfalto novo, a prioridade da Secretaria de Obras eram nove quadras em ruas da Vila São Paulo, que saem na marginal da rodovia Bauru-Iacanga (SP-321), e que acabam levando terra para a marginal. Com a suspensão, agora, não há previsão de quando o asfalto vai chegar ao local.

O mesmo vale para o recape em parte da avenida Nuno de Assis. Do começo da via até o cruzamento com a Nações Unidas (no Terminal Rodoviário), o recape será executado pela Stemag Engenharia, empresa responsável pela instalação dos interceptores de esgoto nas duas margens, e que, por contrato, terá de fazer o novo asfalto ao final das obras, neste ano – o que não foi alterado. Contudo, a intenção da prefeitura era, com equipe própria, recapear também os dois sentidos da Nuno de Assis entre a Nações Unidas e o trevo com a rodovia Marechal Rondon (SP-300), deixando toda a avenida com asfalto novo, o que, por enquanto, não será possível.

Pela metade

 

A produção diária da usina de asfalto vai ser reduzida pela metade com a suspensão dos dois serviços. Por dia, o local produz massa asfáltica suficiente para recapear duas quadras, e mais o equivalente a duas quadras inteira em tapa-buraco, sendo que apenas este último é que continuará operando até o final de setembro. O DAE também utiliza a usina de asfalto para fechar os buracos abertos no conserto de vazamentos, serviço que não será afetado.

Prioridades

 

O prefeito Rodrigo Agostinho reitera que a decisão pautou-se em prioridades. “A gente tem uma quantidade de asfalto que já está contratada, a ser executada por outras empresas, e que totalizam mais de 80 quadras, isso não vai mudar. E tem o PAC Asfalto para sair também. Mas a gente não poderia continuar com asfalto novo e recape próprios, então, priorizamos o tapa-buraco tanto da Secretaria de Obras quanto do DAE. E, entre outubro e dezembro, a gente vai seguir com o tapa-buraco, se precisar faremos alguma suplementação no orçamento pra garantir esse serviço, que não pode parar. Na medida do possível, estou tentando emendas parlamentares para o ano que vem, para asfaltar mais ruas”, frisa. “A prioridade agora é ter dinheiro em caixa para pagar funcionários e fornecedores, e isso é algo que vamos honrar”.

Sobre o DAE, Rodrigo afirma que a autarquia não tem condições de assumir a compra de material para a usina pois está com o orçamento no limite. “Mesmo com o reajuste da tarifa, as receitas do DAE estão iguais a do ano passado, ou seja, as pessoas estão consumindo menos água”, lembra.

O que será mantido?

A implantação de asfalto e recape pode ser feita diretamente pelo município, com material da usina, ou terceirizado, quando é aberta licitação para contratar uma empresa, que executa o serviço.

Os bairros contemplados em emendas parlamentares se enquadram nesta última situação e não serão afetados, como a Vila Industrial (cujas obras estão em andamento), o Jardim Solange e o Parque Bauru, que devem ter o início dos trabalhos neste ano. Ao todo, são 83 quadras nestes bairros (61 na Vila Industrial, 16 no Jardim Solange e seis no Parque Bauru), cujo cronograma está mantido.

Já o PAC Asfalto, que vem sendo discutido e teve a licitação reaberta neste mês para pavimentar 700 quadras da cidade, também não entra no ‘corte’ da usina da prefeitura, pois também será executado por empresas contratadas. Porém, neste caso, o prefeito Rodrigo Agostinho já adiantou ao JC na semana passada que o serviço será feito por etapas, conforme a disponibilidade financeira do município em arcar com as contrapartidas do empréstimo do governo federal de R$ 39 milhões.

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