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| Oficina Cultural de Bauru sediava, na região do Jardim Cruzeiro do Sul, cursos e outras ações até passar a ser “braço” de Marília |
Em julho a Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes completaria 25 anos. No começo de 2015, a Secretaria Estadual de Cultura sofreu um corte de R$ 5 milhões na verba para as 21 Oficinas Culturais na capital e no interior. E assim, a “oficina bauruense” passou a ser um braço da Oficina Cultural Tarsila do Amaral, sediada em Marília sob protestos de agentes culturais de Bauru. Desde então são 15 sedes, sendo cinco na capital paulista e 10 no interior.
Na prática, Bauru perdeu o espaço físico, mas não as oficinas. Os cursos, atividades e espetáculos continuaram não só aqui, mas também nos 45 municípios próximos que tinham (e ainda têm) a cidade como ponto de referência.
Para saber como as cidades estão se adaptando a esse novo modelo de gestão, Raul Christiano de Oliveira Sanches, que assumiu em agosto a direção das oficinas culturais do Estado de São Paulo, está fazendo visita técnica às sedes e esteve em Bauru nesta terça-feira, dia 8.
“Embora não seja uma sede, fiz questão de vir porque a questão aqui não ficou totalmente resolvida. Nós pulverizamos as ações e, apesar desses canais estarem funcionando plenamente, eu creio que no caso de Bauru, em que já havia uma tradição, há necessidade de uma comunicação muito específica para que se possa fazer a migração dos interesses da oficina Glauco Pinto de Moraes para a oficina Tarsila do Amaral”, avalia o diretor estadual.
“Estamos detectando as deficiência de comunicação para aplicar as medidas necessárias e não deixar Bauru com essa sensação de abandono”, completa. Acompanhe trechos da entrevista à reportagem do Jornal da Cidade.
Jornal da Cidade – Afinal, por que Bauru não é mais uma sede da Oficina Cultural?
Raul Christiano – “Não tem a ver com representação regional. Em Bauru, o prédio do Estado que abrigava a oficina está em reforma. E por isso a sede regional se tornou Marília, integrando 94 municípios. Só não tem mais sede física. Estamos buscando parcerias com municípios, entidades culturais, escolas e universidades para desenvolver as atividades da oficina onde já existe agrupamento de interessados. É uma tendência da administração moderna”.
JC – Bauru não perdeu autonomia?
RC – “Geograficamente a sede da oficina de Bauru está em Marília, mas Bauru continua atendendo os municípios como fazia antes. Nossa preocupação é estabelecer metas para 2016 e ver de que maneira essa integração se deu na prática, como os grupos culturais estão compreendendo a nova realidade, qual o alcance das oficinas e de que forma as políticas públicas para a cultura são desenvolvidas e podem se aliar, fortalecendo a cultura no Estado. A marca regional, a nova identidade das oficinas, é o que a gente vai discutir agora”.
JC – Há chance de Bauru voltar a ser sede?
RC – O prédio que abrigava a oficina cultural, provavelmente, será repassado para o município, o que não o impede de receber atividades da oficina cultural. Não se afasta a possibilidade de reativar a oficina em Bauru ou até de ter um satélite aqui. O que ocorre hoje é que os artistas bauruenses estão também em Marília e os de lá aqui. Há uma valorização da capacidade artística e técnica, compartilhando os conhecimentos na região toda”.
JC – Estão previstos outros projetos para as oficinas?
RC – “Estamos pensando em desenvolver, além das atividades que já existem, oficinas através do ensino à distância. Isso depende da elaboração de uma plataforma específica. Nosso site está passando por uma reformulação e cada oficina terá um espaço nele. Todas já possuem páginas nas redes sociais para propagar atividades”.
JC – Quais são os principais desafios?
RC – O desafio é o trabalho em rede, formar uma rede de ações regionais, dialogando entre si, trabalhando e suprindo demandas das secretarias de cultural municipais, independentemente de onde esteja o núcleo de gestão.
Serviço
Para saber mais: www.oficinasculturais.org.br
Três eixos
A Oficina Cultural, assim como outros programas do Governo do Estado de São Paulo, tem a gestão da organização social Poiesis.
Tom Freitas, coordenador de programação das oficinas culturais do Estado, explica que as ações são realizadas em três eixos: virtual, articulação e formação. “Mesmo a difusão cultural está sempre ligada à formação. Se há um espetáculo, promovemos também um workshop”.
As atividades realizadas em 2015 até agora atingiram cerca de 6300 pessoas nas regiões de Bauru e Marília. Cada uma recebeu cerca de 80 mil reais de investimento do Estado. Das 1200 atividades programadas para este ano, cerca de mil já foram cumpridas. A expectativa é atingir todas até o fim do ano.
Em Bauru
Paulo Pereira, coordenador da programação da Oficina Cultural em Bauru, foi contra o fechamento da sede local. Entretanto, agora trabalha com os pontos positivos da mudança.
“Ficamos muitos anos no prédio da rua Amazonas, que não é de fácil acesso, e poucas atividades eram feitas fora da sede. Hoje consigo pulverizar, temos atividades em toda a cidade. Perdemos um pouco da referência do prédio, da parte física, mas estamos trabalhando para mostrar que a oficina cultural continua”, pondera.
Ele acaba de se instalar em uma sala no complexo da antiga estação ferroviária e comemora a possibilidade de atender melhor a população e os artistas locais. Os contatos podem ser feitos pelo telefone: (14) 9 8807-9589.
