A Estação Rodoviária e o Balneário I de Jaú foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), segundo o arquiteto Ricardo Dalbó. “Por ser tombado pelo Condephaat facilita a concessão de verbas, tanto do Ministério da Cultura ou através da lei Rouanet para restauro dos prédios. Se restaurar tem que acompanhar a obra para que fique como no projeto original. Eu acredito que se essas obras estivessem restauradas poderiam servir de ponto turístico. É um patrimônio público do Brasil merecem ser restauradas. A conservação fica sob responsabilidade da prefeitura.”
A obra da Estação Rodoviária começou em 73 e foi entregue em 76. “A estação e o balneário foram tombados. A Escola Estadual Túlio Spindola de Castro entrou no processo de tombamento, mas foi retirada. No projeto original ela não tinha muros. Mas observando as colunas construídas lá a gente percebe que a obra é do Artigas. O Estádio do XV de Jaú era um projeto dele também, mas a obra não foi concluída como deveria, o projeto não foi seguido. É dele também o projeto urbanístico do Jardim Jorge Edney Atalla.”
O balneário tem uma concepção distinta da Estação Rodoviária. “Quem conhece as obras do Artigas identifica em vários elementos. A iluminação por domus. As colunas-pilar fazem as duas funções. A forma, os apoios das estruturas têm uma característica particular dele. As paredes não chegam ao teto. Em grande parte das vezes é na própria parede ou tem na laje, um rebaixo que faz com que o ar quente suba, isso é exaustão. A iluminação natural através de domus.”
Para evitar a dilatação da laje do balneário e minimizar a temperatura do ambiente, Artigas colocou água em cima da laje. “Antes de colocar a água a laje foi impermeabilizada, porém os produtos da época não eram tão eficazes e acabou gerando infiltrações.”
O arquiteto Artigas conheceu Jaú nos anos 60 pelas mãos do então deputado Zezinho Magalhães. “Eles se conheciam e o deputado trouxe o arquiteto para cá. Posteriormente, Artigas projetou um conjunto habitacional em Guarulhos que foi batizado de Zezinho Magalhães.”
Na época, anos 70, o prefeito de Jaú era Waldemar Bauab que junto com seu irmão Raul Bauab viram na visita do arquiteto uma oportunidade. “Estamos vivendo os anos 70. Época que o Brasil estava crescendo e se modernizando. Avenidas eram abertas e o prefeito pediu o projeto da rodoviária a ele.”
O atual prédio da prefeitura, segundo Dalbó, foi projetado pelo ex-sócio de Artigas, Carlos Cascaldi. “É um prédio aberto, usando o mesmo princípio, planta livre sem barreiras físicas. O que fica fora e o dentro se confundem, se misturam, isso é uma proposta do modernismo que é um movimento que vem do começo do século.”