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Nem toda história tem final feliz

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

Como já diz o best-seller do famoso rabino norte-americano Harold Kushner, “coisas ruins acontecem à pessoas boas”. E acontecem mesmo. Não importa o quanto você lute, não importa quanto dinheiro você tenha, não importa sua posição social, sua religião, nada disso importa. Diante da face da morte, somos todos iguais. E, infelizmente, mais um anjinho, do tipo arcanjo, do tipo guerreiro, feito gente grande, perdeu a batalha após tanto e tanto lutar. Os principais jornais do País, inclusive este, trouxeram a repercussão da morte da pequena Sofia, de apenas 1 ano e oito meses, período de vida todo dedicado à batalha de sua sobrevivência contra uma doença rara, a Síndrome de Berdon, que ataca intestino, bexiga e estômago.


Natural de Votorantim, região de Sorocaba (SP), o caso de Sofia teve seu último capítulo contado no começo da semana, quando seu coraçãozinho parou de bater. Ela teve uma complicação hospitalar na cidade de Miami, nos EUA, onde, há cinco meses, se recuperava de transplantes de cinco órgãos do aparelho digestivo. Um vírus atacou seu pulmão e, consequentemente, provocou uma parada cardiorrespiratória durante a madrugada de sábado para domingo.


A morte é mesmo muito ingrata. Subitamente, ela rouba um pedaço da gente quando menos esperamos. Sem aviso, sem termos tempo hábil para despedidas, agradecimentos e tampouco desculpas. Também perdi alguém importante quando eu menos esperava. E quem não carrega esta cicatriz? Não é fácil assimilar a dor, a perda. Seguimos em frente porque a vida empurra. O luto, muitas vezes, é forçado e nos é impelido goela abaixo porque o sistema não pode parar.


E qual o preço de uma vida? A de Sofia custou aproximadamente R$ 2 milhões. Uma luta à parte enfrentada pela família na Justiça, desde o seu nascimento, para que o Ministério da Saúde custeasse o tratamento, já que o Brasil não possui investimento neste tipo de medicina. Causa ganha graças ao apoio da imprensa nacional.


E Sofia não morreu em vão. Ela levantou ainda uma bandeira de que o sistema de saúde pública no País passa por uma grave falta de estrutura. E a política brasileira anda de mãos dadas. A presidente Dilma Rousseff, em reunião emergencial no domingo, decidiu que vai tomar medidas impopulares, sacrificar programas sociais e aumentar alíquota de impostos para cobrir o rombo que o próprio governo foi responsável. E a pergunta que fica é: o que acontecerá com todas as nossas Sofias?

 

O autor é jornalista no JCNET e aluno de pós-graduação da Unesp Bauru.

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