A unidade de Barra Bonita do grupo Raízen é acusada por dois sindicados de trabalhadores de fazer pressão para aceitar um acordo coletivo de trabalho que prejudica a categoria. O Ministério Público do Trabalho (MPT) foi acionado nessa sexta-feira (18) pelas duas entidades sindicais. A empresa teria se recusado a pagar reajuste salarial a 50 trabalhadores de Barra Barra Bonita e Mineiros do Tietê numa suposta “retaliação”, porque um dos sindicatos não assinou o acordo coletivo de trabalho.
O Sindicato de Empregados Rurais Assalariados de Mineiros do Tietê alega que é uma estratégia da empresa para “forçar” o acordo que favorece só a Raízen.
O procurador do Ministério Público do Trabalho, Luis Henrique Rafael, informou nessa sexta (18) à tarde ao JC que vai abrir procedimento investigatório na segunda-feira. Há indícios de irregularidades trabalhistas. “Aparentemente são fatos graves. É obstrução e violação de atividade sindical de liberdade de associação”, declarou.
A Raízen é acusada de apresentar a mesma proposta para todos os sindicatos da região. Um dos itens é reajuste de 7%, mas o acordo tem dezenas de cláusulas e o sindicato de Mineiros do Tietê não aceitou a proposta da empresa. “Está havendo uma pressão muito forte nos diretores do sindicato. Isso viola a prerrogativa do dirigente sindical de escolher a melhor proposta para a categoria votar”, declara Rafael.
O MPT vai convocar audiência de mediação para ouvir a empresa na segunda-feira. Caso haja impasse, Rafael não descarta ajuizar ação civil pública contra o grupo.
A Raízen esclareceu em nota que o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mineiros do Tietê aprovou em assembleia dos trabalhadores as condições para o acordo coletivo de trabalho do ano 2015/2016. “Tão logo o Sindicato assine o acordo coletivo, os salários dos trabalhadores serão reajustados com o percentual negociado. Enquanto o acordo coletivo não é assinado, os salários vêm sendo pagos integral e pontualmente com os valores vigentes. Todos os empregados vinculados a sindicatos que já assinaram o acordo já estão recebendo seus salários devidamente reajustados”, informa.