A matéria de capa do JC de 18/09 – “Comércio ambulante terá nova regra” – nos faz voltar mais de duas décadas no tempo. Em 29 de março de 1994 este mesmo jornal noticiou: “Seplan vai disciplinar o comércio de camelôs”. Uma lei municipal visando disciplinar o setor foi aprovada em 2001 (lei 4634/01), mas como o problema persiste, mais uma vez a questão vem à tona, e como não poderia ser diferente, espera-se muitos debates e, sobretudo, que os trabalhadores não sejam reprimidos sob a capa de regularizar essa atividade, a exemplo de anos anteriores.
Sabemos que caminhar pelas ruas de nossa cidade torna-se cada vez mais difícil e podemos observar o crescente universo de pessoas que buscam na economia informal a forma de sobrevivência. A propósito, a economia informal constitui-se, contraditoriamente, numa tentativa de inserção na economia de pessoas não contempladas pelo processo formal e por vezes marginalizadas. Sabemos também que a redução de postos de trabalho está associada à principal causa do inchaço dessa modalidade.
É preciso uma tentativa de contextualização antes de qualquer medida, pois estamos novamente diante um novo cenário de crise na economia que se acentua no país. Não vislumbro um futuro sem esses mercadores precários nos passeios de ruas, praças e calçadas e organizar esses tem sido o grande desafio. Tendo como ponto de partida as origens e as causas do trabalho informal, quem são esses trabalhadores e o que os levou a procurar esse meio, poderemos enfrentar esta questão de modo socialmente justo e encontrar soluções solidárias aos problemas.