Restos da construção civil e de demolições gerados pelo município terão um local apropriado para destinação em Bauru. Ou melhor: serão transformados em matéria-prima novamente. Isso porque a prefeitura contratará empresa que fornecerá equipamentos e serviços para a instalação de uma usina municipal de reciclagem de resíduos produzidos em obras executadas pelo poder público.
O processo licitatório foi publicado no Diário Oficial do Município no dia 4 de agosto e a sessão pública de abertura dos envelopes ocorreu 20 dias depois. Apenas uma empresa mostrou interesse e a licitação segue em fase de análise. O valor do investimento, que prevê a utilização de um britador (equipamento para processar entulhos), é de R$ 1.171.608,05.
Até então, os resíduos da construção civil (RCC) recebem destinação por meio de parceria da prefeitura com a Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten). Com a implantação da usina, os 5 metros cúbicos de resíduos ao dia produzidos em obras do município receberão um tratamento físico diferenciado e terão outras utilidades.
Investimento
Do investimento total, R$ 643.200,00 serão pagos pelo Fundo Social Ambiental da Caixa Econômica Federal. Já o restante (R$ 528.408,05) é contrapartida do Executivo, através de reserva de recursos (valor contingenciado desde 2014) da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), quem enviou o projeto ao governo. Vale lembrar que a prefeitura já tentou tirar essa ideia do papel, mas da primeira vez a licitação foi deserta.
A Usina de Reciclagem de Resíduos Inertes da Construção Civil de Bauru será implantada em área anexa à Usina de Asfalto, na rua Naufal José Salmen, Distrito Industrial 1. Ela terá capacidade nominal de processamento de, no mínimo, 40 toneladas de materiais por hora.
A usina não receberá os entulhos deixados em caçambas de grandes e médios geradores particulares. Conforme observa o diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, José Carlos Augusto Fernandes, todo material processado pela usina municipal será exclusivamente o recolhido nos Ecopontos e os retirados pelos servidores em áreas da cidade, onde o descarte ocorre de forma irregular.
“No processo de reciclagem, os resíduos da construção se transformarão em areia e brita (espécie de pedra resultante do concreto quebrado) e em variações da granulometria (tamanho dos grãos) da brita, que sobram de obras ou demolições realizadas pelo prefeitura”, explica.
Aproveitamento
Além de ser utilizado em obras de asfalto ou áreas de erosão, como já é feito sem a usina, o material processado poderá ser aproveitado para outras finalidades, conforme aponta o titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues.
“Com a usina, a destinação será mais adequada e de acordo com as novas tecnologias do mercado. Através da reciclagem, haverá o reaproveitamento de materiais que irão voltar para o ciclo produtivo, tais como reboco utilizado em paredes, concreto, construção de bancos em praças e até bocas de bueiro”, enumera Rodrigues.
Não há previsão, entretanto, para o inicio das atividades da usina na cidade. “O tempo de execução do projeto pode variar. Vai depender do processo de licitação”, finaliza Fernandes, da Semma.
Sustentabilidade
Titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues avalia como positivo a implantação da usina em Bauru. Ele observa que, além de dar a destinação correta dos materiais, será possível reutilizá-los em, praticamente, 100% das obras do município.
“Os itens mais simples como areia e pedra podem ser aplicados na recuperação de vias não pavimentadas e estradas rurais, com melhor qualidade do que o material retirado direto da demolição, sem nenhum processo de restauração. Além disso, gera economia aos cofres públicos e ajuda na questão da sustentabilidade”, salienta Rodrigues.