A oficina de Arte Indígena foi uma ação da 9ª Primavera dos Museus realizada no Museu Alexandre Chitto. Alunos do Colégio Francisco Garrido orientados pela artista plástica Cássia Regina de Toledo Rando fizeram a “festa” com barro. O contato proporcionou experiência inusitada.
A professora explicou aos estudantes que, os índios trabalhavam com o barro, porque era uma matéria prima disponível na natureza. “Os índios esperavam a época da seca, quando a água dos rios baixava para retirar a argila dos córregos e rios. Com ela, produziam seus utensílios domésticos.”
A argila está presente desde a pré-história, segundo a professora. “É o que mostra a história da arte. A argila na história da arte ‘viaja’ da pré -história até a Renascença. Há artistas do movimento modernista e contemporâneos também utilizam a argila para confeccionar suas peças. É um material muito usado.”
Na oficina de arte do museu, os alunos se inspiraram na igaçaba, a urna mortuária designada a enterrar as crianças indígenas. “Eles se inspiraram na urna, mas fizeram um trabalho utilizando o aspecto positivo. Eles construíram uma caixinha. Ao som dos movimentos do mar, eles fizeram com argila três pérolas para serem cultivadas dentro delas. Cada uma delas representava um sentimento que eles deveriam deixar florescer.”
As três pérolas construídas pelos alunos foram colocadas em locais dos mais diversos possíveis. “Alguns optaram por colocar as pérolas na tampa. Outros guardaram as pérolas no potinho, na caixinha. As bolinhas de argila e os objetos foram confeccionados com instrumentos usados pelos índios como rolinho de madeira, pedra e conchas para alisar a peça. No lugar da palha de milho, usamos a folha de bananeira. As peças ficaram bem rústicas. O importante é que reutilizaram os instrumentos indígenas e nenhuma tecnologia. Os índios construíam potes, panelas e todos os seus utensílios dessa maneira. ”
As aulas práticas, na opinião de Cássia Toledo, despertam um interesse maior do aluno. “Assimilam melhor. Aqui eles sentiram como se fossem índios. Conheceram a cultura indígena e o modo rudimentar, natural que eles viviam. Além dos instrumentos, muitos estudantes escolheram a técnica do polegar para construir a sua peça.”
Eduardo Martins de Carvalho tem 12 anos e cursa o 7º ano no colégio. Ele participou da oficina e enfatizou que a aula prática foi muito importante para ele. “Minhas pérolas foram carregadas de amor, felicidade e fé. Eu acho que foi muito bacana a gente aprender a cultura dos indígenas.”
Para o estudante, a aula prática foi uma arteterapia. “Utilizamos a arteterapia para colocar os sentimentos para fora. Foi bacana saber que os índios e os artistas faziam e fazem suas próprias esculturas. Aprendi bastante sobre os indígenas.”
A estudante Gabriela de Morais Badaró, de 13 anos, também aluna do 7º ano ficou encantada em saber como os índios confeccionavam seus utensílios para carregar frutas, alimentos de modo geral e água. Foi uma experiência bacana, muito significativa. Eles usavam o barro para moldar as jarras, os pratos tudo o que necessitavam.”