Tribuna do Leitor

Sindecteb e a greve dos Correios

Por Daniel Alves da Silva - Analista de Correios Jr - Administrador - SPI | COSUP
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje, 29/09/2015, me deparei com a matéria da pag. 4 desse sério jornal. Nela, estampada, uma foto do ilustre presidente deste sindicato que apregoa representar “toda” a categoria de trabalhadores dos correios. Senhores, o jornalismo sério deve ouvir todas as versões. Ontem, 28/09/2015, eu e um grupo de corajosos colegas de trabalho da área administrativa, sendo advogados, administradores, técnicos e agentes administrativos, tivemos a “ousadia”, sim, de participar, ou melhor, “assistir” à assembleia que optou por aceitar a proposta oferecida pela empresa.


Ao chegarmos no local onde a assembleia seria realizada, atônitos, o grupo sindical nos recebeu com muita “cortesia” e olhares de reprovação, aos gritos de “pelegos”, “cupinchas” de diretoria etc. Nesta dita “assembleia” não somente fomos hostilizados, como também tolhidos do direito a qualquer manifestação. Este senhor, ao coordenar tal assembleia, não quis nos ouvir, apresentou um discurso que incentivou ainda mais a segregação, incitou mais divisão e por fim consolidou a visão de que a “categoria” está dividida. Iniciou a votação sem que pudéssemos expor qualquer argumento.


Cabe ressaltar que a tal proposta (falo das cláusulas econômicas) “conquistada após muita luta”, havia sido apresentada pelos Correios e rejeitada anteriormente por este sindicato (um dos motivos pelo qual se deflagrou a greve). Pois bem, historicamente este sindicato vem defendendo apenas parte da categoria dos trabalhadores dos Correios. Ano após ano, a empresa apresenta propostas com pelo menos duas opções, uma mais igualitária, que beneficiaria toda a categoria de forma mais equânime, e outra que beneficia em muitos aspectos mais os carteiros e OTTs em detrimento dos analistas, técnicos e agentes administrativos, que têm visto ano após ano seus direitos serem usurpados, seus salários corroídos e sua motivação deteriorada.


Alguns vão alegar que é a direção da empresa que faz este jogo, mas o sindicato o aceita, pois lhe é mais confortável e conveniente agradar a maioria. Concordo com todas as exigências destes colegas (carteiros, OTTs e atendentes), que representam a maior parcela da empresa, que devem sim receber uma melhor remuneração por seu trabalho, bem como ter melhores condições para exercerem funções tão importantes para o sucesso da empresa.  Porém, não aceito e nem aceitarei que, sob a bandeira de defender os interesses destes colegas, este sindicato que diz também me representar simplesmente me ignore em todas as negociações.


Por fim, na tal “assembleia”, foi dito por este senhor que nós da área administrativa tínhamos medo de lutar pelos nossos direitos. Não, senhor Gandara, não temos medo, eu pelo menos não tenho. Simplesmente não posso lutar ao lado de quem não defende meus interesses. Não posso lutar ao lado de quem me hostiliza, de quem não me permite argumentar, não posso engrossar as fileiras lado a lado de quem me considera “pelego”, “cupincha de diretoria”, de quem dissemina a cultura do “nós” contra “eles”. Vai haver quem diga que foi tudo democrático, mas uma democracia que não busca também o interesse das minorias pode muito bem ser vista como “ditadura da maioria”. Quanto à ECT, não há muito o que dizer, mais uma vez sai vitoriosa, desvalorizando seus profissionais, subaproveitando seus potenciais, uma pena, um empresa tão grande e tradicional com uma visão tão pequena e antiquada.

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