Esportes

Briga após final de partida entre Concilig e Araraquara não afetará andamento das quartas de final do Paulista

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
Central Fernanda Isis lamentou ter sido vítima de injúria racial: “É muito triste que fatos como esse ainda ocorram no esporte”

Uma briga, que culminou em agressão física, após a vitória do Concilig/Bauru sobre Araraquara, na última quarta-feira (7), no ginásio Gigantão, pelas quartas de final do Campeonato Paulista feminino de vôlei deve ser encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Vôlei (FPV), mas dificilmente terá desdobramento de punição ou advertência por parte da entidade para as equipes.

O Concilig se pronunciou, através de nota de repúdio ao episódio, que fez com que o time bauruense saísse escoltado do ginásio, denunciando também manifestação de injúria racista contra a central Fernanda Isis. Como a confusão ocorreu após a partida e nada foi relatado na súmula do jogo e as ofensas à jogadora foram isoladas e os autores não identificados, resta lamentar o ocorrido e se concentrar na sequência do mata-mata, que tem o segundo confronto agendado para amanhã, às 18h30, no ginásio Panela de Pressão.

O presidente do Concilig, Adriano Pucinelli, compareceu à sede da FPV, nessa quinta-feira (8) à tarde, e explica que o tumulto, depois do encerramento do jogo, não tem relação com o playoff dentro de quadra entre os times. “É uma questão extraquadra e não tem nada a ver com a competição em si. Não vai acontecer nada”, resume. “Aconteceu uma desinteligência, ponto. No meu modo de entender, Araraquara não deu a segurança que deveria ter dado. Isso que nós vamos dar no jogo em Bauru”, declara.

Pucinelli observa que as hostilidades tiveram início no decorrer do jogo, com alguns torcedores ofendendo a central do Concilig, Fernanda Isis, com expressões e injúrias racistas. “Durante a partida, dois torcedores de Araraquara, que não foram identificados, estavam fazendo ofensas de cunho até racial. Depois, houve discussão e empurra-empurra. Na minha concepção, nada demais”, afirma. “O time tem que jogar dentro de quadra. E que Araraquara tome as providências no futuro para que exista segurança mais adequada”, complementa o presidente.

A assessoria de imprensa da FPV se pronunciou sobre o incidente e afirma que não há subsídios para qualquer punição ou advertência às equipes. “A federação não recebeu comunicado de nenhuma equipe. Não há nada na súmula e o relatório foi encaminhado normalmente. Na próxima partida o delegado, como em todas as partidas, vai checar tudo, inclusive segurança”, define.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da FPV, a orientação para futuros jogos em Araraquara será a mesma que já ocorre rotineiramente e afirma que não houve relato por parte do delegado da partida de anteontem sobre anormalidade no esquema de segurança no ginásio Gigantão. A FPV deixa a cargo do bom senso das equipes o aparato de segurança em jogos. “Não é um item da partida ter segurança. Cada equipe escolhe seu esquema”, explica a assessoria.

Fernanda Isis lamenta

A central Fernanda Isis, alvo de injúria racial, afirma que só tomou conhecimento do fato no vestiário e lamentou o episódio. “É muito triste que fatos como esse ainda ocorram no esporte ou em qualquer esfera da nossa sociedade.

O racismo é atitude que deve ser extinta do mundo. Agora, o importante é manter o foco na partida de volta e pensar apenas na nossa classificação”, enfatiza a atleta, que decidiu não acionar a Polícia ou levar o caso à Justiça.

Dois lados

O Concilig/Bauru divulgou nota lamentando e detalhando o episódio. De acordo com a nota, “não houve agressão por parte de dirigentes, atletas ou membros da comissão técnica do Concilig contra qualquer pessoa da equipe adversária; dirigentes e membros da comissão técnica do Concilig foram encurralados e agredidos por pessoas ligadas à equipe de Araraquara; a PM foi acionada por meio do comando de Bauru, pois não havia policiamento no local”.

O JC tentou, nessa quinta-feira (8), contato telefônico com a assessoria de imprensa do Araraquara para comentar o incidente, mas não foi atendido. Em reportagem no portal da ESPN, Araraquara diz que dois homens, membros da diretoria do Concilig, agrediram duas mulheres da comissão técnica do time da casa. Araraquara, ainda segundo a ESPN, estaria planejando denunciar o caso à Polícia e até não jogar em Bauru, neste sábado (10).

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