Bairros

Estudantes de Bauru fazem o 2º protesto em 4 dias

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
Alunos de sete escolas estaduais voltaram a protestar contra a reestruturação de ensino

Alunos de sete escolas estaduais de Bauru voltaram a protestar, nessa sexta-feira (9) de manhã, contra o processo de reorganização do governo estadual, que prevê a unificação dos ciclos de ensino, alterando o cenário de unidades da cidade e região. Este foi o segundo ato em apenas quatro dias (leia mais abaixo). Os manifestos ocorreram simultaneamente em várias cidades do Estado.

Com faixas, cartazes e cantando “superlotação não é a solução”, cerca de 200 estudantes das escolas Stela Machado, Irmã Arminda Sbríssia, Luis Castanho de Almeida, Ayrton Busch, Guia Lopes, Alto Jaraguá e Christino Cabral se encontraram em frente à Diretoria Regional de Ensino, na Vila Falcão.

De lá, seguiram em passeata pelas avenidas Pedro de Toledo e Rodrigues Alves, até a sede da Câmara Municipal, onde tomaram a via na quadra 1 da Praça Dom Pedro II, que precisou ser interditada. A PM acompanhou a mobilização, que ocorreu de forma pacífica e também teve apoio de professores.

“Os protestos servem para que as pessoas vejam o que está acontecendo e percebam que a opinião dos estudantes é contraria com aquilo que prevê o governo”, observou Tatiane Nunes, professora de sociologia na escola Irmã Arminda Sbríssia. “Queremos chamar a atenção para tentar impedir essa mudança”, completou a estudante Lediane dos Santos Leite.

Os alunos e professores foram recebidos pelo vereador Sandro Bussola (PT), que propôs montar uma comissão  e agendar uma audiência pública na Câmara com a Diretoria Regional de Ensino. “Na próxima terça, entrarei com pedido na Casa, convocando a Diretoria (de Ensino) para que possamos discutir o assunto”, detalhou o parlamentar.

Conforme o JC noticiou nessa sexta (9), durante solenidade de entrega de obras de infraestrutura em Jaú, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ressaltou que as manifestações não devem reverter a reestruturação, cujos detalhes serão anunciados no dia 14 de novembro. “Toda mudança causa reação. Se a gente não fizer por causa disso, nada mudaria nunca”, disse.

Lista?

Durante o protesto, circularam comentários de uma eventual lista que apontaria quais unidades seriam fechadas, inclusive em cidades da região. O próprio Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) teve acesso à relação e disse desconhecer a fonte, cujo documento teria sido veiculado por um jornal regional.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado afirma que desconhece a lista de escolas apresentada e ratifica que o estudo definindo as unidades que passarão pelo processo de reorganização ainda está sendo feito pelas diretorias regionais de ensino e educadores.

“Suposições apresentadas por quem desconhece o plano de reorganização só servem para desinformar a população sobre uma proposta que entregará escolas melhores à comunidade. Nem todas as unidades passarão pelo processo e escolas com mais de um ciclo ainda funcionarão devido às diferenças demográficas e as necessidades regionais”, completou.

Na terça

Conforme o JC divulgou, cerca de 300 alunos das mesmas sete escolas que fizeram ato em frente à Câmara nessa sexta-feira (9) chegaram a invadir o prédio da Diretoria Regional de Ensino, em protesto ocorrido na terça, também contra a restruturação do ensino.

 
Na ocasião, a diretora Regional de Ensino, Gina Sanchez, declarou que a invasão dos estudantes “não agregou nada em termos de propostas” e que os alunos “não apresentaram ideias relevantes para discussão”.

Celso Nascimento pede informações detalhadas

Em função da reorganização por ciclos de ensino das escolas estaduais, o deputado estadual Celso Nascimento (PSC) encaminhou documento ao secretário de Educação, Herman Voorwald, solicitando informações detalhadas sobre a proposta. Para o parlamentar, “é de fundamental importância esse detalhamento, para entendermos os rumos da política educacional em São Paulo”.

Nascimento destaca que, apesar dos argumentos de que as mudanças ampliarão a qualidade do ensino, é preciso sanar as dúvidas de pais, alunos e profissionais que protestam contra o plano e temem o fechamento de unidades escolares.

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