| Quioshi Goto |
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| Quadra 1 da rua Mara Lúcia Vieira, ontem: uma cratera aberta para reparos do DAE e outras cinco estão espalhadas pela via |
É só andar pela cidade e constatar que as ruas de Bauru estão tomadas por buracos. Parte deles provocada pelo desgaste no asfalto antigo de alguns bairros, somado à interferência das fortes chuvas do último mês. Outra parte é resultado dos consertos do DAE em vazamentos de água e esgoto, que exigem o recorte do pavimento, muitas vezes não reposto de imediato. Até o fim do ano, o cenário, que já é ruim, pode ficar pior, pois não há mais dinheiro reservado para a produção de asfalto pela usina da prefeitura e o serviço de tapa-buracos será bruscamente afetado.
Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues alerta que os insumos já comprados garantem o serviço por mais 20 dias e o dinheiro reservado para essa finalidade no ano de 2015 já acabou.
O orçamento do ano havia reservado R$ 3 milhões para a usina. Contudo, os cortes promovidos na administração em função da queda na arrecadação de impostos reduziram o valor para R$ 1,5 milhão.
Como noticiado pelo JC em agosto, o ajuste levou o poder público municipal a suspender a implantação de asfalto novo e o recape de 180 quadras inicialmente programadas para até o fim do ano. Antes preservado, agora o tapa-buraco está em xeque.
Marcos Garcia, secretário de Finanças, garante que o serviço não será integralmente interrompido, mas admite adequações. “Não vai ser feito no volume ideal, desejado pela Secretaria de Obras”.
Ele afirma que, acabando o material disponível atualmente, serão empenhados R$ 50 mil a cada 20 dias para garantir a continuidade dos tapa-buracos, viabilizados graças a algumas ações programadas, mas que não sairão do papel.
Sidnei Rodrigues, no entanto, pontua que seriam necessários pelo menos R$ 100 mil por mês para garantir a prestação do serviço. O secretário espera que sobre dinheiro em consequência a outras medidas de ajuste, como a proibição das horas extras de servidores e a exigência da redução em 30% do consumo de combustível (não de 20% como divulgado anteriormente).
No DAE
O impasse afeta diretamente a reposição asfáltica nos buracos abertos para reparos na rede de água e esgoto do DAE. Isso porque a autarquia utiliza o material produzido pela usina da prefeitura.
A reportagem tentou, mas não conseguiu contatar o presidente Giasone Candia, que estava fora. A assessoria de imprensa do departamento avisou, no entanto, que não foi informada sobre a eventual suspensão ou redução de produção de pavimento. Nessa quarta-feira (14) mesmo, seus três caminhões que atuam no tapa-buraco retiraram asfalto na usina municipal.
O secretário Sidnei Rodrigues diz que, neste momento, seria interessante que o DAE colaborasse com a prefeitura comprando asfalto de empresas privadas, mas pondera que o órgão também enfrenta dificuldades financeiras.
“Mas diante dessa situação, nós, da prefeitura, já demos uma parada e não estamos mais tapando os buracos abertos pelo departamento”.
Números
Levantamentos extraoficiais apontam que existam cerca de 800 buracos em Bauru abertos pelo DAE. A assessoria de imprensa da autarquia não conseguiu confirmar o número nessa quarta (14) porque o funcionário responsável pelo controle passou o dia fora da sede do departamento, em reuniões, acompanhando o presidente Giasone Candia.
Já a quantidade de buracos decorrentes do desgaste da pavimentação deve ser equivalente, totalizando cerca de 1.600 pontos esperando a reposição asfáltica na cidade.
Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues confirma que, em alguns bairros, a situação é mais grave, por conta da pavimentação de mais de 20 anos. “A gente está com muitos problemas na região da Vila São Paulo, no Ipiranga e também no Terra Branca”, exemplifica.
| Quioshi Goto |
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| Rua Shimpei Okiyama, quadra 3, Vila Maria, precisa de reparo no asfalto, mas terá de esperar |
Demora para reposições repercute
Na última sessão legislativa, o vereador Carlão do Gás (PR) disse que o DAE está transformando a cidade em um queijo em função dos buracos deixados após o conserto de vazamentos.
“Eles já demoram para fazer os reparos nas redes e deixam a água limpa jorrar por dias e dias. Depois, vem a segunda novela: a massa asfáltica não chega e, quando chove, vira tudo uma lama”, relatou.
Na mesma linha, Fabiano Mariano (PDT) mostrou o caso das ruas Mara Lúcia Vieira e Shimpei Okiyama, que ligam a Bernardino de Campos, na Vila Giunta, à avenida Castelo Branco, na Vila Independência.
“São mais de seis crateras ao longo das duas vias e mais de 30 ou 40 remendos, sendo que elas foram recapeadas há pouco mais de um ano. E é assim que acontece em todas as ruas da cidade, pontuou o vereador, ao criticar a desarticulação nas ações entre a Secretaria de Obras e o DAE.
Para ele, o município joga dinheiro fora ao recuperar a pavimentação das vias sem substituir suas antiquíssimas rede de água e esgoto.

