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Os antídotos em ambiente de crise

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Que o país vive um momento difícil e conturbado não há dúvidas. Todos os indicadores apontam para dificuldade em controlar a inflação, com pressão sobre as contas públicas (com projeção de novo rombo para este ano) e recessão (queda do produto interno bruto na ordem de 3% para este ano). A questão é: como aplicar antídotos que permitam minimizar o impacto os efeitos da crise em nossa vida pessoal e no ambiente empresarial.


São caminhos espinhosos, mas que precisam ser trabalhados. No ambiente familiar é estabelecer políticas de corte de gastos e praticar o efeito substituição. Comece listando quais são os bens supérfluos que estão incorporados ao consumo da família. Neste caso a decisão tem que ser radical: corte o que puder. Como saber se o bem é supérfluo? Se não for essencial à manutenção da vida, o consumo destes produtos pode ser adiado ou eliminado. No caso dos bens essenciais devem ser prioridade, mas mesmo eles podem ser em parte cortados.


Agora vem o chamado efeito substituição: um bem normal pode ser substituído por um bem inferior. Por exemplo: substitua a carne vermelha de primeira pela carne de segunda, ou ainda pelo franco ou carne suína, e muitos outros produtos. É questão de colocar na ponta do lápis o nível de consumo que a renda permite. Vale ainda lembrar que em nossas casas há muitas oportunidades para economia. A energia elétrica, a água, o material de limpeza e higiene são exemplos. Cada um sabe o tamanho da redução dos gastos a ser realizada, e deve traçar metas, que devem ser compartilhadas com todos da família. No ambiente empresarial há muitas oportunidades para adequar o volume de gastos à disponibilidade de caixa, e espero que isso venha ocorrendo. Quem deixou para “acordar” agora pode ter se endividado além da conta neste período.


A expressão mais ouvida e praticada nas organizações é: fazer mais com menos. Isso cai direto no conceito de produtividade. É preciso estabelecer planos de ação que indiquem o que será feito, como será feito e quem fará e em que prazo. Algumas questões relevantes: planejamento tributário, buscando, dentro da legalidade, reduzir o impacto dos tributos nos custos da empresa; pesquisa de preços e novos fornecedores. Neste particular, muitas empresas operam em zonas de conforto e não revisam periodicamente os custos envolvidos. Neste quesito as negociações devem ir do preço até as condições de pagamento. Também é preciso estabelecer metas de cortes de gastos em energia, água, locomoção, hospedagem, telefonia, entre outros. No caso da telefonia, opte por utilizar tecnologias disponíveis, como o uso da internet. Também considere utilizar as teleconferências em vez de viagens presenciais. Não é preciso de muita estrutura para isso, considerando as facilidades do mundo virtual (skype, facetime, entre outros).


Se for acionista da empresa, reveja suas retiradas. Não misture a retirada pró-labore (que é paga pelo exercício de uma função na empresa) com distribuição de lucros (que existirá somente se houver lucro mesmo). Não jogue na empresa suas despesas pessoais, isso vale principalmente para o cartão de crédito corporativo. Renegocie valores do aluguel. Analise cada prestador de serviços e exija redução de valores. Mantenha a equipe comprometida com os resultados e premie quem indicar melhorias estruturais e principalmente na redução de gastos. Entendo que a última decisão recairia sobre a redução do tamanho da equipe. Sei que em alguns casos isso é inevitável, mas tente tudo antes de chegar neste ponto. Se tiver que fazê-lo que seja depois de rigorosa avaliação das demais oportunidades de redução de custos.


Se crise é sinônima de oportunidade, para que isso seja verdadeiro é preciso agir, estrategicamente, para que a coisa efetivamente aconteça. Há muitos antídotos para evitar que a crise se alastre em sua casa e no ambiente empresarial, mas é preciso querer utilizá-los. Aja nesta direção.


O autor é economista e articulista do JC

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