Articulistas

Democracia ostentação contra o setor elétrico

Braz Melero
| Tempo de leitura: 3 min

A democracia é igual ao trânsito: pode-se conduzir o veículo para aonde quiser, desde que respeite a legislação e a sinalização. Não basta o político ostentar a democracia e não praticar, pois também gera desastre! Não basta filosofar a independência e harmonia dos três consagrados poderes, mas não exercitar. Não basta um deles fingir que se deixa fiscalizar e o outro fingir que o faz, tal qual os aliados de “unha e carne” do Governo Federal: Cuba, Venezuela e Bolívia. Não basta ostentar que o partido é uma coisa e o Governo outra, mas não dissociar.


O que dizer dos processos judiciais sobre as correções das poupanças, afetadas pelos planos econômicos Collor, Bresser e Verão? Mesmo com a jurisprudência dos Tribunais, o STF - Supremo Tribunal Federal - suspendeu a aplicação (pedalou). O que dizer do “julgamento do mensalão” pelo STF, que assistimos pela tv? Como disse o jurista Hélio Bicudo: “Alguns ministros pareciam advogados de defesa dos políticos de partidos que os colocaram na suprema corte”. Como disse a escritora Adélia Prado, no Programa Roda Viva, na TV Cultura: “Nós estamos vivendo um tempo muito cinzento... uma ditadura disfarçada. Não me sinto num país democrático, por causa dos desmandos políticos”. Acrescentou ainda a chantagem: “Se vocês não votarem a favor vou tirar os cargos... senão fizer isso vou apresentar o dossiê. Parece uma diretora de escola dando pito”!


Em função do autoritarismo do atual governo, todos os setores da economia estão sofrendo. No setor elétrico, porém, o descaso é mais antigo: 1. Há duas décadas iniciaram os processos de privatizações em alguns Estados, como no nosso. Quem vivenciava o setor, tinha uma certeza: o monopólio privado seria pior que o estatal; 2. Em 2001, durante o apagão, diligente, o governo adotou medidas para minimizar os deslizes praticados; 3. Em 2003, o novo presidente surpreendeu ao não empossar no Ministério de Minas e Energia Ildo Sauer, especialista que havia elaborado o programa energético para sua campanha.

À época, assisti pela TV o presidente justificar a escolha da secretária de Energia do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff, dizendo que lá não houve apagão em 2001. Pelo visto, o presidente “não sabia” que o apagão de 2001 não atingiu o Sul, em função de chuvas regulares;  4. A ministra assumiu em berço esplêndido: chuvas regulares, povo consciente do uso racional e obras aceleradas. Voltou a cometer os mesmos erros do antecessor, inclusive com novas privatizações; 5. Em 2012, sem nenhum resquício democrático, mesmo com os seguidos apagões, a presidente emitiu a MP 579 (Medida Provisória ou Pedalada). Enfatizou na TV a redução da conta de luz, mas omitiu que estava rasgando os contratos de concessão, comprometendo a credibilidade do setor.


Sempre é bom lembrar que não estamos com racionamento de eletricidade porque o País está em recessão. Para a economia crescer precisa gerar mais e isso não ocorre em um passe mágica. É necessário harmonizar os entraves de toda ordem: financeiro, demográfico, etnográfico e ecossistema. Nunca é demais recordar que a demanda de energia elétrica do Brasil não chega a 4% do Planeta.  

 

O autor foi executivo da CPFL, do Gabinete da Prefeitura de Bauru e da Cohab. Integra o Lions Bauru Centro, a Comissão assuntos comunitários da OAB, o Lar Cegos Santa Luzia e o Conseg Centro Sul, representando a Assenag.

Comentários

Comentários