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| Na Vila Industrial, assaltante mascarado e armado roubou posto na madrugada dessa segunda-feira (26) |
Em 26 dias, 15 ocorrências de assaltos a postos de combustíveis foram registradas em Bauru. Os dados são de levantamento extraoficial realizado pelo JC com base nas denúncias feitas à Polícia Civil do período de 1 de outubro até o final da tarde dessa segunda-feira (26). A onda de assaltos a postos fez mais três estabelecimentos vítimas entre as madrugadas do último sábado (24) e dessa segunda-feira (26), nas regiões da Vila Industrial, Vila Falcão e avenida Nuno de Assis. Em todos os casos recentes, os bandidos fugiram a pé.
O fato chamou a atenção da Polícia Militar (PM), que diz já ter direcionado equipes da sua Força Tática e da chamada Diária Especial por Jornada Extraordinária (Dejem), pagos pelo Estado, para patrulha específica de pontos comerciais em funcionamento durante a madrugada.
A Polícia Civil, por sua vez, diz não acreditar na atuação de uma quadrilha neste primeiro momento, mas afirma que não descarta nenhuma hipótese e que as investigações estão em andamento.
Mais recentes
As três ocorrências recentes têm muito em comum e se diferenciam das demais registradas desde o início do mês justamente por ocorrerem de madrugada e envolverem fugas a pé, segundo observaram as vítimas à polícia.
No sábado (24), por volta das 5h30, um frentista de um posto na quadra 12 da rua Bernardino de Campos, na Vila Falcão, trabalhava quando foi abordado por um homem que simulava portar uma arma sob a blusa. Após recolher R$ 22,00 em dinheiro e o aparelho celular da vítima, além de R$ 10,00 em moedas ele fugiu.
No domingo (25), a cena parecia se repetir na quadra 12 da avenida Nuno de Assis, por volta das 4h, quando dois homens, também fazendo menção de portarem uma arma sobre as vestes, levaram R$ 460,00. Em seguida, fugiram caminhando em direção ao Parque Vista Alegre.
Nessa segunda (26), mais uma vez sem nenhum tipo de condução próxima, um homem mascarado e armado com um revólver abordou o frentista de um posto na quadra 9 da avenida Elias Miguel Maluf, na Vila Industrial, por volta da 1h40, e subtraiu R$ 200,00, fugindo a pé na sequência. “Somente em cinco meses, já fomos assaltados três vezes”, disse a gerente do local, que pediu para ter a identidade preservada.
ATÍPICOS
“Foram três casos atípicos. Esses tipos de roubos têm ocorrido, geralmente, por volta das 21h e 23h, e, na maioria das vezes, é cometido por duplas em motocicletas, não por uma pessoa só e a pé”, avalia o coordenador operacional interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Paulo César Valentim.
“Aparentemente, acredito que tenham sido crimes de oportunidade, dá a impressão que a pessoa veio da noitada e roubou o que tinha fácil ali, de certa forma, e foi embora”, acrescenta.
Explosão de casos
A PM admite ter notado que, de 20 dias para cá, houve “explosão” de casos de assaltos a postos. “Mas, na minha conta, foram 14 assaltos”, detalha o capitão.
Em junho deste ano, o JC noticiava a reação de empresários, polícia e o poder público, que se reuniram para discutir estratégias como forma de tentar coibir a sequência de roubos, que chegaram a 16 em um trimestre. Os números, agora, são bem mais assustadores e frequentes.
O capitão da PM ressalta que a rapidez na comunicação do roubo ao 190 da PM com riqueza de detalhes sobre as vestimentas dos assaltantes é essencial para que haja prisões. “O problema é que, às vezes, nem somos comunicados na hora, ou então a pessoa nem registra o BO (boletim de ocorrência)”, acrescenta.
Na última sexta-feira (23), por meio de uma denúncia anônima, a PM conseguiu prender Fernando Augusto Pande Carvalho, 25 anos, que foi reconhecido como um dos autores de um assalto a um posto de combustíveis no dia 17 de outubro na avenida Nuno de Assis. Ele também é suspeito de ter participado de outros crimes do tipo.
“Antes disso, já tínhamos focado nossas viaturas nessa região da rua Bernardino de Campos, Vilas Souto, Falcão e na Nuno”, comenta Valentim. Porém, como a PM precisou aumentar suas equipes nas ruas netse fim de semana por conta do Enem e do Noroeste, o capitão revela que houve certo desfalque de homens após as 0h.
Delegado responsável pelo andamento das investigações em questão, Eduardo Herrera se limitou a dizer que a prisão de Fernando Carvalho colaborou com as investigações. “Não temos como falar em quadrilha nesse momento. Não há essa tendência. Esses tipos de roubos ocorrerem por conta das características do local, que é aberto e tem fluxo rápido”, avalia.
Sincopetro: ‘não temos mais para quem correr’
Diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Edvaldo Tuschi, que também é proprietário de dois postos em Bauru, criticou a reincidência dos crimes. “Não temos mais para quem correr. Não temos mais o que fazer. A PM não tem mais condição de dar conta. Chegamos a um ponto que teremos que pensar no futuro de fato. Esse País precisa investir mais em educação, ou não sei onde vamos parar”, observa. “Meus postos também foram assaltados duas vezes nas últimas semanas”, finaliza o empresário e diretor do sindicato.
