| Quioshi Goto |
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| Camila tem rotina de treinos acentuada, dançava 4 vezes por semana, incluindo aulas de reforço |
A notícia é histórica: Camila Maio de Pinto Moura é a primeira bailarina bauruense da Escola do Teatro Bolshoi de Joinville (SC), a única fora da Rússia.
A companhia é uma das maiores referências mundiais em balé e ópera, considerada patrimônio cultural da humanidade pela ONU e Unesco.
Aluna da Divisão de Ensino às Artes da Secretaria Municipal de Cultura desde 2010, quando tinha apenas 6 anos, Camila realiza aos 11 seu maior sonho. O curso técnico profissionalizante tem duração de oito anos e começa em fevereiro de 2016.
“Desde os 3 aninhos sou apaixonada por balé. A dança não é algo em minha vida, é a vida”, diz com naturalidade a bailarina. “Eu me sinto muito feliz e honrada por ser a primeira de Bauru a chegar lá”.
Apesar de tão jovem, ela mostra que está preparada. “O principal é a disciplina, mas tem que ter o físico bom e o psicológico também, para ouvir as verdades e se corrigir sempre”.
Trabalho em equipe
A conquista valoriza a dedicação da bailarina, mas também ressalta a qualidade do ensino oferecido gratuitamente pela cidade. “Só fiz aulas no Teatro Municipal, tudo que aprendi até agora sobre balé foi lá”, conta Camila, aluna de Naia Müller, Michelle Alves e Sivaldo Camargo, primeiro e atual professor.
“Apenas falei sobre a escola, logo que a Camila começou. Ela pesquisou sozinha e disse que era lá que queria estar. É uma menina talentosa e tem muito foco”, orgulha-se Sivaldo.
Ele acompanhou Camila e mais três de suas alunas de Bauru na avaliação da escola Bolshoi no Brasil, realizada nos dias 24 e 25 de outubro. As bailarinas Priscila Chicilia Nardone, Ana Beatriz Tardivo Pires e Ester Fernandes Cano também representaram a cidade e ficaram bem colocadas na seleção.
O Secretário de Cultura, Elson Reis, comemora. “Nos sentimos orgulhosos por participar, de alguma forma, dessa conquista. Esses resultados nos dão a certeza de que estamos cumprindo nossa obrigação e de que nossa equipe é competente e tem carinho pelo que faz. Estão todos de parabéns”.
Camila tinha uma rotina de treinos acentuada, dançava quatro vezes por semana, incluindo aulas de reforço com Sivaldo aos sábados, totalizando 10 horas semanais. E até ir para Joinville no comecinho do ano, segue com os ensaios no Teatro Municipal.
Nos últimos cinco anos, a família toda (avós, pais e a irmã) se mobilizou para levar e buscar, dando todo o apoio necessário.
“A Camila tem garra e uma coragem que nem eu tenho!”, disse o pai, Paulo. “Achava bonito ela dizer que iria dançar fora do País, mas não levava a sério. Agora não duvido mais... Minha filha tem que ir atrás do sonho dela”.
Quem vai junto é a mãe, Soraya. Paulo e a filha Milena, que conclui os estudos no CTI da Unesp, ficam em Bauru. “Estamos felizes, orgulhosos, mas com dor no coração”, confessou emocionada a irmã, de 16 anos.
Seleção rígida
Camila se inscreveu e participou da pré-seleção em abril, na cidade de Araraquara (SP), concorrendo com 2.800 inscritos.
No último final de semana, passou por duas etapas de avaliação em Santa Catarina, com professores russos e brasileiros. Eram 70 interessados por vaga. Foram escolhidos 20 meninos e 20 meninas.
O processo tem uma prova escrita e o contato pessoal, que analisa a estrutura corporal e o alongamento dos candidatos, musicalidade e capacidade de dançar.
Na escola Bolshoi, ela terá uma bolsa de estudos e aulas de balé quatro horas por dia, no contraturno do ensino regular. E tem que tirar boas notas, o que já acontece atualmente.
Depois, a bailarina bauruense já sabe o que quer: dançar na Rússia e continuar sempre evoluindo na carreira.
