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Escolas privadas devem adotar critérios mais rigorosos na admissão de alunos

Marcus Liborio
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Fotos: João Rosan
Reunião com mantenedores de colégios particulares da região ocorreu nessa segunda-feira (9) de manhã em Bauru
Benjamin aposta na consulta a órgãos de proteção ao crédito antes de liberar a matrícula para diminuir a inadimplência

O índice de inadimplência nas escolas particulares de Bauru e região apresentou aumento médio de 1,6% neste ano, de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período de 2014, segundo dados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), que representa os colégios privados em território paulista.

A média na região, que abrange 273 instituições de ensino particular em 90 cidades, vem crescendo desde o início de 2015. Em julho e agosto, os números de inadimplentes passaram de 10% - os mais altos do ano (veja no quadro abaixo). O cenário é preocupante e pode levar as escolas privadas a adotarem critérios mais rigorosos na admissão de alunos a partir de 2016.

A informação é do presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva, que esteve nessa segunda-feira (9) em Bauru para uma reunião extraordinária com mantenedores de colégios particulares da região. “Não sabemos como vai ficar a economia. É um momento em que as escolas precisam fazer o reajuste, com valores ainda a serem discutidos”, frisa.

“O cenário está desta forma especificamente por causa da crise financeira. Sendo assim, as escolas precisam ter mais critério na hora de liberar a matrícula aos alunos. É necessário consultar os órgãos de proteção ao crédito, como Cerasa e SPC. Muitas não cumprem essa medida, que é a nossa aposta para diminuir a inadimplência”, acrescenta Benjamin.

Ele pondera que, apesar do índice de inadimplentes ainda não estar tão alto, é preciso tomar providências imediatas para que a situação não chegue a patamares irreversíveis. O sindicalista observa que existe uma relação “muito íntima” com o aluno e algumas instituições levam para o lado emocional ao invés do profissional na hora da admissão.

“E a escola não tem nada para subsidiar a mensalidade, a não ser aquilo que o estudante paga, que inclui, inclusive, 44% de impostos”, pontua Benjamin, que levará a discussão para todas as regiões paulistas, em encontros que seguem até a próxima semana.  
Negociações

O diretor regional do Sieeesp em Bauru, Gerson Trevizan, o Duda, reitera que a situação econômica do País para o próximo ano é uma “incógnita”, mas garante que os colégios privados manterão a postura de negociar.

“A escola particular negocia a vida inteira. Nós mantemos um diálogo permanente com os pais e, claro, nos preocupamos com a crise, pois temos que manter bem as atividades em 2016”, frisa Duda.  

Inclusão vai impactar

Outra questão pode encarecer as mensalidades em escolas particulares: a inclusão de alunos com deficiência, previsto em lei que deve ser regulamentada até o início de 2016. “O impacto da inclusão nos colégios será muito alto na questão financeira, pois será necessário contratar profissionais capacitados para atender os estudantes”, observa o presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva.

A Lei 13.146/15, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência, foi sancionada, com vetos, pela presidente Dilma Rousseff, no dia 7 de julho deste ano e, a partir desta data, tem 180 dias para ser regulamentada. O texto destina-se a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência em áreas como educação, saúde, trabalho, infraestrutura urbana, cultura e esporte.

“A família deve estar consciente se a escola está apta para atender os alunos da inclusão. Nem todas, entretanto, estão preparadas. Com a aprovação da lei, automaticamente vai aumentar as mensalidades”, reitera Benjamin.

 

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