Internacional

Bauruenses relatam pânico no atentado terrorista em Paris

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo JC
Karen Olbrich iria voltar ao Brasil ainda neste sábado

“Alô. Está tudo um caos por aqui!”. Foi assim que a empresária bauruense Karen Olbrich, 48 anos, atendeu Ao telefonema da equipe do JC por volta das 23h40 dessa sexta-feira (13) (horário de Brasília). A passeio em Paris, ela relatou o clima de pânico e tensão instalado após os atentados que mataram cerca de 140 pessoas na Capital francesa (Veja mais clicando aqui). “Está todo mundo apavorado. A orientação é de ‘não colocar o nariz para fora’ de casa. Estamos todos trancados aqui dentro”, contou Karen.

No horário local, 2h40 da madrugada, a movimentação por conta dos atentados ainda era bastante intensa. “Estamos ouvindo muita viatura da polícia e ambulâncias passando por aqui a toda hora”.

Karen estava a cerca de dois quilômetros de um dos vários pontos atacados na cidade. “Meu amigo mora no quarteirão em que um dos ataques ocorreram. Ele disse que, na porta da casa dele, há uns dez mortos”, narra, dando dimensão da tragédia.

Em meio ao clima de pânico, a empresária exaltava o espírito de solidariedade dos franceses. “Quem estava em casa, foi orientado a ficar em casa. Mas tinha muita gente na rua. Amigos meus acabaram sendo acolhidos por outras pessoas”.

Fim de Passeio

Karen chegou a Paris há duas semanas. As passagens de volta para o Brasil estavam marcadas exatamente para hoje. “Mas parece que tudo está fechado. Acho que não vou conseguir voltar. Queria muito voltar amanhã (neste sábado, 14). Minha filha está bastante preocupada”.

Filha esta que foi acalmada por meio de mensagens de celular logo que as notícias dos atentados começaram a “pipocar” pela “imprensa em choque”. “Eu avisei ela que estava tudo bem. Muitas pessoas acabaram me ligando também”.

Questionada sobre a possibilidade de sair do Brasil - estereotipado por ser violento - e encontrar tamanha tragédia na Europa, Karen resume o sentimento da maioria dos imigrantes que lá estão. “Eu jamais esperava algo assim”.

Além do clima tenso, o cenário que pairava no ar era de tristeza. “A França é um País que acolhe todos muito bem. Muito triste ver de perto isso aqui”.

Karen Olbrich ainda faz uma ressalva sobre o que o fato deixará de “legado”. “Torço para que isso não repercuta de uma maneira ainda mais negativa. Com o preconceito a quem vem de fora. Mas a cidade toda está em choque”, conclui.

Forte segurança

Cristiano dos Santos é um brasileiro que sempre viaja a Paris e acabou de chegar a São Paulo, vindo da Capital francesa. Nessa sexta (13) à noite, ao lado do francês Olivier Geraldo, também recém-chegado de lá, acompanhou atentamente as notícias sobre o brutal atentado. Eles são amigos da bauruense Karen Olbrich, que está em Paris.

Cristiano relata que desde o atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro deste ano, Paris divide seu romantismo e brilho com um fortíssimo esquema de segurança, com polícia e exército nas ruas o tempo todo com armamentos pesados. “Dá até medo na gente, como turista, uma confusão qualquer, mas reforça a sensação de segurança nas ruas, eles estão muito alertas e já esperavam novos ataques”, diz.

Olivier lembra que alguns ataques terroristas até já foram evitados neste meio tempo, mas nem todos é possível deter, apesar do alerta máximo vigorar desde janeiro. O temor de Olivier é que politicamente possa haver um recrudescimento do discurso xenofóbico da extrema direita.   

 
Tensão há dias

Por Dulce kernbeis

Reprodução
Giovanna Magrini é atriz e comediante e mora há 15 anos em Paris

Bauruense criada na Vila Dutra, Giovanna Magrini, atriz e comediante, mora em Paris há 15 anos e estava indo para um trabalho a oito quadras da estação de metrô (região do Le Petit Cambodje) onde houve um dos focos do atentado. “Todo mundo ouviu o alarme de atentado e quem estava por perto não pôde continuar o caminho. Mandaram a gente voltar para casa e eu voltei na boa, mas, claro, já percebendo que a situação não era das melhores. Fiquei mais preocupada quando cheguei em casa e não conseguia contato com a jornalista minha amiga, que é cineasta também e com quem eu iria fazer um trabalho de documentário. Ela estava bem ao lado dos acontecimentos, mas não aconteceu nada, felizmente. A gente percebeu a gravidade ao ouvir que retiraram o presidente do estádio, daí eu já fiz questão de ligar aí para Bauru falar com minha mãe e tranquilizar minha família”.

Ela relata ainda que há tensão no ar há dias: “As informações estão desencontradas neste momento, mas a gente já adivinhava que algo ruim iria acontecer porque, no último dia 10, na rue Laffayette bem no centro, bem perto de mim,  já houve uma ameaça de bomba, um provável atentado mas conseguiram desativar. Além disso, o clima por aqui está tenso, muito tenso, não é de hoje. Vieram 4 mil imigrantes sírios e com eles, se sabe também vieram os terroristas”.

Comentários

Comentários