Na região, a onda de ocupações de escolas estaduais, que teve início em Bauru e chegou na última quinta-feira (19) a Agudos, ganhou nessa sexta-feira (20) a adesão de estudantes de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). Pela manhã, cerca de 50 alunos da Escola Estadual Professora Antonieta Grassi Malatrasi ocuparam a unidade em protesto contra a reorganização do ensino, que irá disponibilizar o prédio ao município.
A escola está localizada na Vila Mamedina e possui 350 alunos. Pela proposta apresentada pelo governo do Estado, 60% dos estudantes seriam transferidos para a Escola Estadual Professora Vera Braga Franco Giacomini, que fica no Núcleo Habitacional João Zillo. Os demais poderiam optar pela unidade de ensino mais próxima de sua casa.
Os alunos não concordam com o fechamento da escola e decidiram que irão permanecer no prédio até que o estado volte atrás na sua decisão. A mesma iniciativa já havia sido tomada anteontem por aproximadamente 70 estudantes da Escola Estadual Padre João Batista de Aquino, que fica na região central de Agudos (13 quilômetros de Bauru).
Nessa sexta (20), a porta-voz do movimento, Meire Hellen Fernanda Prado de Souza, 16 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio na unidade, reiterou que eles não deixarão o prédio. O grupo conta com apoio da comunidade, que está doando lanches e salgados. “A gente está mantendo a limpeza e vamos continuar ocupando a escola e dormindo aqui”, diz.
“A gente negocia depois que o governo cancelar (a reorganização)”. No final da noite, de acordo com Meire Hellen, os alunos estavam planejando uma discussão sobre o Dia da Consciência Negra. “Nós estamos sendo cidadãos e mantendo o estudo aqui”, declara.
A Diretoria Regional de Ensino de Bauru disse anteontem que o conteúdo pedagógico perdido pelos alunos nas escolas ocupadas será reposto após o encerramento do calendário oficial, estabelecido entre 18 e 23 de dezembro, e que continua disposta a dialogar com os manifestantes, “apesar das constantes negativas desses grupos”.