| Fábio Verdu/Divulgação |
| Em pouco menos de 30 minutos de chuva, a Nações já estava alagada |
| João Rosan |
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| Na avenida Alfredo Maia, mulher tenta se proteger perto da grade em meio ao alagamento |
| João Rosan |
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| Na altura do viaduto da antiga Fepasa, água voltou a assustar |
Foi uma simples tentativa de fechar o portão que quase se transformou em tragédia. Durante o temporal que atingiu Bauru, nessa segunda-feira (23), a aposentada Clarice Fernandes Rossi, 66 anos, viveu momentos de desespero ao ser levada pela enxurrada que inundou a rua onde mora, no Núcleo Geisel.
Ela foi arrastada por três quadras e confessa: “Achei que fosse morrer”. Por pouco, a tragédia que vitimou um jovem, arrastado pela força da chuva na avenida Nações Unidas há exatos cinco anos, não se repetiu.
Devota de Nossa Senhora Aparecida, Clarice diz também ter se apegado à fé na santa na expectativa de sobreviver. “Eu ainda tentei segurar em um caminhãozinho que estava parado no caminho, mas minha mão escorregou. Se tivesse um bueiro, se eu caísse embaixo de um carro, eu não teria chance alguma. Ia morrer afogada. Mas, não sei de que jeito, depois de três quadras, a enxurrada me jogou para o meio da rua, onde tinha pouca água”, relembra.
Já afastada do perigo maior, a moradora permaneceu ainda atônita no local até ser resgatada por um vizinho. Com ferimentos por todo o corpo provocados pelo atrito da pele no asfalto, a aposentada foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Núcleo Geisel, onde foi medicada.
Ainda no final da tarde de ontem, Clarice recebeu alta. Nos próximos dias, ela seguirá em recuperação em casa, mas sob supervisão das equipes da Unidade de Tratamento de Queimaduras do Hospital Estadual.
Moradora da quadra 6 da rua Octacílio de Andrade Tourinho, Clarice diz que as enchentes são frequentes nas imediações quando há chuvas fortes como a de ontem. A força da água, além de derrubar um poste de sinalização próximo, também abriu o portão de sua residência, que ela tentou fechar antes de ser derrubada.
“Fiquei com medo de a água arrancar meu portão e fui lá tentar puxá-lo. Foi quando a enxurrada bateu na minha perna e me levou”, comenta.
Ilhados e arrastados
A tarde, contudo, foi de susto para diversos outros bauruenses, que estavam a pé ou de carro em ruas que foram inundadas pela água da chuva, como a avenida Nações Unidas, que se transformou em um verdadeiro rio. Da altura do Parque Vitória Régia até o Terminal Rodoviário, houve registro de carros arrastados e pessoas ilhadas em pontos de circulares.
Na quadra 24, três pedestres ficaram sobre o banco de um ponto até serem socorridos pelo motorista de uma caminhonete que passava pelo local. Na altura do viaduto da antiga Fepasa, o acúmulo de água, lama e lixo levou à interdição do trânsito até o final da tarde. Na quadra 30, um luminoso desabou e prejudicou o tráfego na marginal da avenida, no sentido Centro-bairro.
Semáforos desligados por falta de energia, queima de controladores e de fusíveis também deixaram o fluxo de veículos lento em diversas vias da região central. Até que os reparos fossem providenciados, ainda na noite de ontem, agentes de trânsito trabalharam nos pontos mais críticos para orientar os motoristas.
Três veículos também ficaram ilhados na rua Benevenuto Tiritan, na altura do cruzamento da avenida Comendador José da Silva Martha com a linha férrea. Mais uma vez, o córrego Água da Forquilha transbordou e levou perigo para quem passava pelo local.
“Aquele trecho segue como um desafio para a administração municipal. O córrego está assoreado, os tubos metálicos que existem ali estão bastante danificados. É uma área bastante degradada e perigosa. Precisaria de uma obra, nem que fosse paliativa, para enfrentar o período chuvoso”, avalia o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito.
E quando não são os ventos fortes...
Diferentemente das últimos temporais que atingiram Bauru, nessa segunda (23) foi o grande volume de água – e não a velocidade dos ventos - quem provocou os principais estragos na cidade. No lugar de quedas de árvore e interrupções no fornecimento de energia, os maiores transtornos foram provocados pela enxurrada.
Segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), foram 41,9 milímetros acumulados e ventos máximos de 45,1 quilômetros por hora. Como medida de comparação, no último temporal, registrado em 17 de novembro, o vendaval chegou a 71,3 quilômetros por hora e a precipitação, a 28,4 milímetros.
Mais uma vez, a avenida Nações Unidas foi o trecho onde o impacto de tanta água se tornou mais visível. Mas pontos de alagamentos foram registrados em várias regiões da cidade onde o trânsito ficou impedido, como o cruzamento da rua Alto Juruá com a rua Vicente Alessi e a quadra 21 da rua José Miguel, na Vila Nipônica, próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Ipiranga.
Na quadra 4 da rua Aimorés, na Vila Aimorés, uma mulher precisou ser resgatada pelo Corpo de Bombeiros após o carro onde estava cair em um buraco e ficar preso na enxurrada. Na quadra 5 da rua Maceió, na Vila Cardia, outro veículo ficou retido em um buraco, mas, por sorte, a rua não estava alagada.
Já no Núcleo Mary Dota, um caminhão de coleta de lixo da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) acabou afundando no asfalto que cedeu na quadra 1 da rua Benedito Beraldo Pedro. No bairro Quinta Ranieri, parte do muro de um condomínio desabou, mas ninguém ficou ferido.
Prédios municipais
Tradicional ponto de alagamento de Bauru, a quadra 1 da avenida Alfredo Maia foi, mais uma vez, tomada pela enchente. Localizada no endereço, a sede da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) chegou a ter a fachada invadida pela água.
Na quadra 14 da avenida Nuno de Assis, o prédio onde ficam as secretarias municipais de Obras, Planejamento e Administrações Regionais apresentou infiltração com goteiras e o expediente precisou ser encerrado mais cedo. “A calha encheu de água e transbordou para dentro do prédio, atingindo a parte elétrica. Por segurança, a orientação foi desligar a energia e, por este motivo, não havia como os funcionários continuarem trabalhando”, explica o prefeito Rodrigo Agostinho.
Alinhamento de medidas
O prefeito Rodrigo Agostinho informou que, ainda nesta semana, irá realizar uma reunião com todos os órgãos municipais responsáveis por atuar antes, durante e depois de chuvas fortes, como as secretarias de Obras, Meio Ambiente, Emdurb e Defesa Civil.
Ele explica que o objetivo é alinhar as estratégias do plano emergencial de contingência para o verão que se aproxima, período caracterizado pelo aumento do volume de precipitações. “Vamos analisar o que deu certo e o que deu errado nestes últimos temporais e elaborar um roteiro do que precisa ser melhorado, como a divulgação dos alertas de tempestades, as interdições preventivas, o encaminhamento de famílias desabrigadas, entre outras coisas”, resume.
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| Outro ponto crítico é a quadra 21, da rua José Miguel, na Vila Nipônica, na altura da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Ipiranga, em Bauru |
Vem mais água
Segundo o IPMet, os temporais típicos do verão, que começaram a se tornar mais frequentes neste mês, podem se repetir ainda nesta semana. Ao menos até quinta-feira, a previsão é de que as condições de instabilidade persistam sobre a região, com chuvas isoladas principalmente no período da tarde.
“Esta instabilidade veio associada a um sistema de baixa pressão, que se desenvolveu um pouco mais do que das últimas vezes. Mas este tipo de tempestade de curta duração, por vezes bem intenso, é característico desta época do ano. É, portanto, algo esperado”, frisa o meteorologista Thiago Ferreira.
El Niño
Novembro nem terminou e já é o mais chuvoso dos últimos seis anos em Bauru, com precipitação de 209,6 milímetros, segundo o IPMet. E a perspectiva, segundo especialistas, é de que os próximos meses sigam a mesma tendência, resultado da intensidade extrema do El Niño.
Gerado pelo aquecimento anormal no Oceano Pacífico, o El Niño, provoca mudanças nas correntes atmosféricas, afetando todo o clima global. Em sua forma tradicional, ele causa chuvas mais intensas no Sul, seca no Norte e Nordeste e temperaturas mais elevadas no Sudeste e Centro-Oeste – inclusive durante o inverno, o que já ocorreu na região de Bauru, neste ano.
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| O maior número de ocorrências foi na avenida Nações Unidas; Polícia Militar e Bombeiros estavam no local |
Veja vídeos:
Vídeo mostra um carro sendo arrastado na avenida Nações Unidas:
Vídeo: Aceituno Jr


