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Com mais uma ocupação em escola, Educação recorre a outros órgãos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
“Vai superlotar as salas e decair a qualidade de ensino”, aponta a estudante Stefany Marques

Cerca de 50 alunos ocuparam o prédio da Escola Estadual Vereador Antônio Ferreira de Menezes, no Jardim Petrópolis, nessa quinta-feira (26) de manhã, para protestar contra a reorganização do ensino que será implantada pela Secretaria da Educação do Estado em 2016.

Enquanto a quarta instituição é fechada em Bauru, três delas nos últimos cinco dias (leia mais abaixo), a Diretoria Regional de Ensino encaminha abaixo-assinados contrários ao movimento à Promotoria da Infância e Juventude, ao Conselho Tutelar e à Procuradoria-Geral do Estado.  

“A grande maioria de pais e professores está se mostrando contra as ocupações. Eles reivindicam o direito dos estudantes a terminarem o ano letivo com tranquilidade”, destaca a dirigente regional de ensino de Bauru, Gina Sanchez.

“Já recebi um documento com 30 assinaturas de professores da Ayrton Bush, contrários ao movimento. Chegou até nós, também, mais de 20 pedidos diferentes com a solicitação de desocupação das escolas”, enumera Gina, destacando que continua aberta ao diálogo.

No entanto, os estudantes da escola Ferreira de Menezes, ocupada nessa quinta (26), esperam ser atendidos pelo alto escalão do governo estadual. “Queremos conversar com algum representante da Secretaria de Educação”, pontua o aluno Caio Fermino da Silva, 15 anos.

NOVO ATO

A ocupação desta quinta ocorreu por volta das 6h. Com corrente e cadeado, os estudantes trancaram o portão e só permitiam a entrada de quem compartilhasse da reivindicação. Eles são contra a retirada do ensino médio na escola, que atende também o ensino fundamental. Com a mudança, cerca de 300 alunos do ensino médio serão transferidos para a Escola Estadual Maria Aparecida Maschietto Okazaki, no Santa Edwirges, que irá enviar os alunos do 6.º ao 9.º ano para a Ferreira de Menezes.

“Vai superlotar as salas e decair a qualidade de ensino”, aponta a estudante do 1.º ano do ensino médio, Stefany Dayane Marques, 15 anos. Esta é a mesma opinião do professor de história Mateus Gobbi Grossi. “Aumenta o número de alunos e prejudica o aprendizado”.

A operadora de caixa Maria de Fátima de Jesus, 38 anos, tem dois filhos matriculados na escola Ferreira de Menezes, que terão que ser transferidos. “Irão para o Santa Edwirges. Um deles já estudou lá e foi assaltado quando voltava para casa, à noite”, observa.

Surpresa

Assim como declarou em relação às outras ocupações, Gina Sanchez disse ter se surpreendido com a ocupação na escola Ferreira de Menezes. “Não recebemos nenhum documento reivindicando a reorganização com sugestões a serem estudadas”, contesta.

Equipamentos retirados

Ocupada desde terça-feira, a Escola Estadual Professor Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão, teve portas e armários arrombados, salas depredadas e materiais espalhados pelo chão, conforme divulgou o JC. Em razão dos danos, a diretora da unidade retirou, na última quarta-feira (25), uma impressora (que seria de sua propriedade) e uma CPU da instituição, que ficava em sua sala.

Os equipamentos foram levados para a Diretoria Regional de Ensino de Bauru, conforme informou a dirigente Gina Sanchez. A medida foi questionada pelos manifestantes, porém, segundo Gina, é legítima e tem respaldo do Estado. “Este computador contém dados de funcionários, documentos oficiais da escola, dos alunos, que precisavam ficar a salvo. O intuito foi de preservação, diante de toda a destruição que foi promovida na escola. E nada foi feito às escondidas”, frisa, destacando que os equipamentos serão reintegrados à unidade assim que a ocupação for encerrada e as aulas, retomadas.

Outras ocupações

Com a “interdição” da Escola Estadual Vereador Antônio Ferreira de Menezes, Bauru registra a quarta ocupação em dez dias. A primeira instituição a protestar contra a reestruturação foi a Stela Machado, na Vila Pacífico, que está ocupada desde o dia 17 deste mês.

Em seguida, estudantes da Professor Ayrton Bush, no Parque Jaraguá, também fizeram o mesmo há cinco dias. Eles ocuparam o prédio durante o encerramento do programa Escola da Família, no domingo. Na terça, foi a vez da ocupação na Professor Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão.

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