Política

Câmara vai apurar obra da Rui Barbosa

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Assim como parte da população bauruense e de muitos internautas nas redes sociais, alguns vereadores criticaram duramente o resultado das obras de reforma e revitalização da Praça Rui Barbosa, durante a sessão parlamentar desta segunda-feira. Os principais questionamentos giram em torno da relação entre as poucas mudanças concretas observadas após a retirada dos tapumes, que cercaram o local por quase um ano, e valor investido nas intervenções: R$ 654 mil. Por esse motivo, a Comissão de Obras da Câmara Municipal decidiu que se debruçará sobre o caso.

Malavolta Jr.
Markinho tenta ponderar a Raul, Artemio, Lima, Carlão e Carlinhos sobre normalidade da obra

Ainda hoje, será remetida à prefeitura uma série de pedidos de informações: desde o projeto executivo que norteou os serviços da empresa contratada, passando pelos relatórios de fiscalização e medição dos trabalhos, até as notas fiscais emitidas pela Astolfi Construtora.

“Queremos toda a documentação antes de convocar os secretários responsáveis para que tenhamos embasamento nos questionamentos”, pontuou o líder da oposição e membro da comissão de Fiscalização, Lima Júnior (PSDB).

O tucano disse que foi até a praça no último sábado e constatou que nada mudou após a reforma. Ele ironizou ainda o fato de ocupantes de cargos em comissão da prefeitura terem sido escalados para limpar e lavar a Rui Barbosa no domingo, graças também à colaboração pessoal de R$ 250,00 do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para a compra do produto químico utilizado no serviço.

“Como ele é benevolente, não é mesmo? E todo o dinheiro público que foi gasto para nada? De quem é a responsabilidade pela fiscalização e, principalmente, pela elaboração do projeto arquitetônico da obra? Precisamos tomar cuidado porque a incompetência, quando praticada muitas vezes,  pode nos levar a nos acostumarmos”, bradou.

Em reportagem publicada no último domingo, o JC revelou que nem o prefeito ficou plenamente satisfeito com o resultado da obra, pois desejava mais árvores no espaço. “Se nem ele, que é o maior marqueteiro político que conheço, aprovou o que foi feito, é porque a coisa está medonha. E o pior de tudo é que ainda querem inaugurar essa patifaria”.

JÁ SABIAM

 

Presidente da Comissão de Fiscalização, Sandro Bussola (PT) classificou a revitalização da Rui Barbosa como “decepcionante”. O vereador frisou que nem mesmo as ondulações no solo foram corrigidas, lembrando que parte do dinheiro utilizado foi liberado pelo Ministério do Turismo.

“Ainda teve aditivo de 15% no valor do contrato. O Executivo não deveria receber com surpresa porque tudo passou por lá. Ninguém licita uma obra sem conhecer o projeto, que deveria ter sido muito mais ousado”, lamentou.

ESTARRECIMENTO

 

Nem o governista Carlão do Gás (PR) poupou críticas à obra. Segundo ele, se não bastasse a “destruição” da estrutura original da praça, no início da década de 1990, conseguiram, agora, deixá-la feia.

Telma Gobbi (PMDB) disse estar “estarrecida” com a ideia de a cidade de Bauru não conseguir dizer se sua praça está melhor ou pior depois de uma reforma.

Líder da base aliada, Markinho da Diversidade (PMDB) limitou-se a dizer que o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, está à disposição para sanar toda e qualquer dúvida da Câmara Municipal.

O que não se vê

Fabiano Mariano (PDT) endossou as críticas dos colegas e lembrou que a má qualidade do projeto e do serviço executado só pôde ser constatada porque a reforma da Rui Barbosa é uma obra que está à disposição das vistas de todos os munícipes.

“Imaginem como andam os serviços que não conseguimos enxergar, que estão debaixo da terra. Temos os exemplos da rede de galerias recentemente instalada e, agora, milhões sendo investidos nos interceptores da Nuno de Assis e na construção da Estação de Tratamento de Esgoto”, observou.

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